- »

março 19, 2013

Então é guerra

E até aquela altura eu estava perdendo. O jantar com os amigos foi um desastre desde que pisamos aquela parrilla adentro – atravessada, a Clara fez questão de falar espanhol a noite toda e deve ter dado a entender que eu estava de castigo, ou algo assim, porque todo mundo me olhou com ares de desprezo. Ou talvez fosse a hospitalidade portenha. Os amigos eram um casal de caras na casa dos 30 e um outro um pouco mais novo, também gay. Tagarelavam animados, os três, e com carinho pela Clara. O único momento em que falaram comigo foi para perguntar se eu ia beber algo – quando o garçom estava à beira da mesa.

Comecei a me encher de álcool. A noite vai ser longa, resmunguei para mim mesma.

Durante a primeira hora e meia da balada – chamada Amerika – eles dançaram sumidos na pista, enquanto eu abraçava o bar e fazia amizade com o garçom. Segundo ele, brasileiro era o que não faltava em Buenos Aires. Eu já estava na terceira dose de rum. Os amigos da Clara e ela encostaram na bancada algum tempo depois, bêbados, pedindo algo para tomar. Os drinks chegaram rápido. Sem parecer sincera, a Clara me perguntou se eu queria me juntar a eles para dançar; então eu declinei. Podia ver os seus olhos revoltados – “tá bom”. Ainda que soubesse que ela não me queria lá de fato. Não me virei para ver onde estavam indo quando decidiram voltar, continuei encarando o rum no copo. Que se fodam eles, a Argentina toda.

Fingi que a culpa não era minha. E nos minutos seguintes, comecei a virar tequilas como se viram cartas em cassinos. Resolvi que ia perder o juízo, descontei no meu fígado. Nem quarenta minutos depois e eu estava amiga de um grupo de chilenos que encontrei perdidos, completamente torta. O meu espanhol fluente. Apoiava-me num deles para contar uma história que agora sequer lembro qual era, enquanto eles gritavam de volta e riam, entretidos. Eram uns simpáticos. Decidi então que não gostava de argentinos e que eles, os chilenos, eram simplesmente mais legais. Uma das garotas meio que dava em cima de mim – mas eu não estava interessada. As minhas pernas já começavam a trançar quando pedi o primeiro whisky da noite, acompanhado de uma latinha de Coca-cola. Era hora de resolver o problema com a Clara.

Entrar na pista foi uma experiência alucinada e confusa. O som estava alto, as pessoas completamente molhadas, tinha espuma de sabão para todo lado e as luzes mudavam frenéticas de cor. Eu estava embriagada. Realmente embriagada. Via os corpos dos outros passarem por mim, tomada por uma vontade irracional de empurrá-los para longe. Terminei o whisky nos primeiros dois minutos e não sabia onde tinha largado o copo. Caos absoluto. Apenas com a lata de Coca na mão, em meio a um Carnaval de espuma e gente com a roupa ensopada. Vi um dos amigos da Clara ao longe. Comecei a ir na sua direção, cambaleando e sem enxergar direito. As pessoas gritavam umas com as outras em espanhol, à minha volta, rindo. Estavam todos lá quando cheguei e a Clara dançava encharcada, atracada com outra garota. Filha da mãe.

Fiquei furiosa. Ela me viu, a cinco passos de onde estavam. Virei as costas e saí enputecida, sem vontade de ouvir uma palavra que tivesse a dizer. Fui de volta para longe. Um dos amigos – o solteiro – veio atrás de mim, a Clara sequer deu-se ao trabalho. Eu estava bêbada, claro. E comecei a mandá-lo calar a boca, conforme ele gritava qualquer coisa na minha direção. Parecia tentar explicar, por ela. Eu não queria ouvir. Debati os braços e segui andando, ele veio grudado à minha lateral, como um parasita, berrando no meu ouvido. Voltei para o bar e pedi mais um whisky. Tinha vontade de chutar a porra do balcão. O cara seguia falando ao meu lado – “no pasa nada!” –, se repetindo, e eu mandava ele à merda. Vingativa de merda. Virei a dose assim que chegou. Pedi outra. O argentino me segurou o braço e falava “ei, ei”, pedindo para que não fizesse aquilo, que fosse resolver direito. Virei o outro copo inteiro. Na décima resposta estourada, ofendendo-o, ele deu de ombros e voltou para a pista, deixando de se importar com o resultado.

Bosta. Empurrei a droga do copo adiante na bancada e me virei também, voltando para onde eles estavam. Quando revi a Clara,  a garota estava ao seu lado conversando; o grupo estava com espuma até quase a cintura, em pé. Pareciam comovidos pela ceninha de minutos antes. A Clara me encarou ainda ressentida. Me olhava como se tivesse vontade de fazer pior. Marchei na sua direção e a puxei pelo braço para fora do meio circulo, demos dois passos adiante. E ela se recusou – sem falar nada. Só se soltou de mim, com raiva para sair logo dali. Eu a segurei de novo, forçando-a a ficar perto. Ela me empurrou, se desatando sem coordenação. E começou a andar no sentido oposto, de volta, completamente bêbada. A puxei de novo, com mais força. A garota se aproximou. Um dos amigos entrou no meio e começamos a discutir. Virei para a Clara, encarando-a e falando na sua direção, passando a ignorar o cara. “É comigo que você tá brava, porra!”, fiz um gesto para o cara me largar. E me irritei. O amigo vinha me empurrando, querendo que eu me afastasse dela. Empurrei ele de volta. E a segurei pelo pulso, a Clara mandou que eu a soltasse imediatamente. A tal garota começou a falar qualquer coisa a dez centímetros do meu ouvido. “Manda ela calar a boca!”, eu gritava para a Clara. O barraco foi ganhando proporções descontroladas. Eu ainda a segurava pelas mãos, cheguei realmente próxima do seu rosto.

_Escuta, eu vou simplificar – eu disse, furiosa –. VOCÊ QUER FICAR BRAVA COMIGO, FICA BRAVA COMIGO. Faz a merda que quiser. E acaba logo com essa porra. Que quando você terminar, eu vou estar te esperando.
_Olha, o mundo não gira em torno de você... SABIA?
_Ah, não?! VOCÊ VAI ME DIZER QUE ESTÁ INTERESSADA EM DANÇAR COM ESTA PORRA DESTA VACA? DO NADA?! – gritei descontrolada, na direção da garota que parou de falar na mesma hora; os amigos nos cercavam numa confusão ruidosa e eu olhei de volta para a Clara – Eu não dou a mínima, Clá. Faz o que quiser.
_É. EU DEVIA FAZER MESMO!
_Qual é o seu problema, CARALHO?! É A MIA?? UMA FRASE QUE EU TE FALEI?!? É ISTO??
_Não. Não é a porra da Mia. É VOCÊ! VOCÊ É MEU PROBLEMA!
_Então fica brava comigo, cacete! À VONTADE! FICA BRAVA! – berrei na direção dela – EU SOU MESMO, SOU. SOU UMA IDIOTA! UMA IDIOTA, PORRA! – dei dois tapas violentos na minha cara, completamente fora de mim e incomodada por vê-la mal – FICA BRAVA! VAI!! FICA!! ME BATE, CARALHO! ME CHUTA! Faz o que você quiser, Clara. Eu não tô nem aí. Eu sou uma imbecil mesmo e eu mereço o que você quiser, O QUE VOCÊ DECIDIR. QUE SE DANE, CACETE!

Saí andando, largando dos seus pulsos. E dez minutos depois, eu a estava comendo no banheiro.

26 comentários:

Anônimo disse...

Esse final foi para matar.
Mel me fez passar um nervoso tremendo. Aconteceu coisa semelhante comigo no final de semana rs

Bruna disse...

Jamais um final foi tão direto! hahahaha...

@livia_skw disse...

Cara, a FM mita! HAHAHAHA

"E dez minutos depois, eu a estava comendo no banheiro."

Anônimo disse...

ahuahahahuahaha.. gente bêbada <3

Anônimo disse...

Não tem post mais "a cara da FM" do que esse HAUHAUHAUAHUAH :3

Davi Oliveira disse...

Lindoooooo
nada melhor do que depois de uma discussao fazer as pazes eheheh mesmo tando as 2 bebadas :)

Anônimo disse...

Argh, esse post me deu mal estar hehehe. O clima, a ceninha, o que foi dito...

lorena costa disse...

veeeeeeei como assim????

hahaahahaha, eu amo essas duas.
<3

Anônimo disse...

gente bêbada <3 (+1)
hdaisudhiausda

Pathy disse...

Eu tbm não desperdiçaria a Argentina. HAHAHAHAH

Sexooo uuuuu ♪♪♪

Anônimo disse...

aaain *---* nao acreditooo!! essa FM é tao eu cara, nao aguento estar com outra sem pensar na minha MIA, mais quando sinto que estou perdendo a minha CLARa eu me sinto um lixo --' a FM tem que ficar com quem faz ela bem isso sim *---* by: GCC

Anônimo disse...

Nunca usei este meme com tanta propriedade: Boy, that escalated quickly! E agora não dá nem para ter ideia do que pode acontecer quando elas ficarem sóbrias. Ansiosíssima!

Anônimo disse...

Confesso que: acho um tesão a fm se batendo e gritando, louca. Eu dava fácil no banheiro tbm kkkkk Nmrei uma mina assim e sei la.. S2 s2

Anônimo disse...

Gente descontrolada <333

Fazneime disse...

FINAL FODA <3

Anônimo disse...

PQP... muitooo foda... essa é a FM!!
Vlw Mel!! *_*
(ANA CURI)

Anônimo disse...

Não, esse barraco foi típico :p

Mas entao, acho mtas atitudes da FM tããão desnecessárias ><
E não entendo esse jeito dela de fazer as merdas, se culpar e depois ficar td bem.
Sei lá...

Dea disse...

ah... comentei tudo no grupo, droga! hahahahahaha :)

Anônimo disse...

Eitaaaaa!!
Briga de gente bêbada é phoda kkkkkk
Mas também quero ver no que vai dar quando estiverem sóbrias...

Juliana Nadu disse...

hahhahahaahha ahhhhhhhhhhh atttéeee que enfim uma ação meldels!!!


Mel quero detalhes dos acontecimentos do banheiro!! shaushahsausha

Anônimo disse...

Não precisa detalhar nada do que ocorreu no banheiro... apenas acabem logo com essa viagem.. Sinto saudades da Mia... já chega desse "amor louco", quero romantismo...

Volta pra MIA <3

Babaloodeuva disse...

A Clara é fraca kkkkkk

Anônimo disse...

gente bêbada <3

Anônimo disse...

Adoro esse casal! Tava sentindo falta da FM porra louca. Quero mais!!

Ianca' disse...

Eeeeeeeeeita, a cara da FM, buuuut volta logo pra SP!!!

Barbara Leão disse...

Antes tarde do que nunca!
Tinha que dividir com vcs a minha angustia!
Senti tudo o q a Clara sentiu... nossa q raiva, meeeeo!!!