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junho 26, 2010

Friday is casual (sex) day

O café-da-manhã foi constrangedor e adorável. Talvez fosse o pé da Mia no armário, talvez só coisa da minha cabeça, mas sentar numa mesa com Sr. e Sra. Pais-da-Mia fingindo ser uma amiga dela, depois de uma noite daquelas, me fazia sentir como uma adolescente de novo. A começar que eu não tomava café-da-manhã numa mesa de família há anos e, portanto, mal sabia o que fazer comigo mesma. Meu comportamento social nunca foi lá muito exemplar e, entre membros responsáveis de uma geração mais velha, eu era um fracasso total.

Não que eu ligasse muito, isto é, o que eu queria era ter sucesso com a filha – e isso eu já tinha garantido, em cada olhar e risadinha discreta que trocávamos, entre um gole e outro de suco fresquinho. A proporção era algo como 100g de comida para cada 5 litros de bebida... é, ressaca. Terminado o momento embaraçador obrigatório, pulamos da cadeira e nos apressamos para sair o quanto antes daquele apartamento. Me despedi dos meus sogros – isto é, em tese... né... por tabela... –, certa de que não havia causado nenhuma boa impressão.

Ainda assim, o pai da Mia nos ofereceu carona, o que não era tão má idéia, mas recusamos educadamente e eu menti a existência de um carro próprio... "estacionado logo ali na esquina"... e a existência de uma carta de motorista também. Pouca vergonha. Descemos de elevador aliviadas e saímos andando pela rua, puxando papos furados e os cigarros do bolso. O dia estava gostoso. A Mia não conseguia parar de rir, zombando a minha performance desconfortável em frente aos pais dela, e eu sorria envergonhada, achando graça também.

Entramos no primeiro ônibus que passou em direção à Av. Consolação e nos apertamos com aquela multidão-das-8-e-meia típica de São Paulo. Entre mochilas e corpos em excesso, coloquei minha mão ao redor da Mia, segurando-a nas costas para que não se desequilibrasse com os trancos do busão, enquanto eu me apoiava num dos canos de metal. Conversamos e rimos o caminho todo, num estado de felicidade quase involuntário, sem sequer notar o cansaço que ficara de uma das noites mais longas daquele ano.

Descemos, enfim, nas redondezas da Mackenzie. Calculei meus passos, lentamente, para aproveitar o máximo de tempo possível ao lado dela. Eu sabia que aquele não era o meu lugar, não por enquanto, estava abarrotado de possíveis conhecidos dela e do Fer e prováveis dedo-duros. Ou seja, eu não podia me meter à besta. E isso era uma tendência na minha vida...  

Então, olhei. Observei atenciosamente cada esquina e porta e comércio fechado ao longo do caminho, que também estava freneticamente movimentado pela massa paulistana, até encontrar um bar fechado... cuja porta entrava cerca de dois metros parede adentro, escondida. Sem pensar duas vezes, meti a Mia ali, rapidamente, e dei-lhe um último beijo antes de entregá-la atrasadíssima para a sua aula. Eu precisava daquilo.

Meu deus.

Voltamos para a rua com na mesma presteza que sumimos dela, mas agora com uma despedida decente na memória. Acompanhei-a até a porta da universidade e tentei não me despedir mais, apenas voltei os passos, andando de costas e sorri para ela. Ela se virou e entrou no corredor. Mano, eu sou a mina mais feliz da porra desse mundo. Aquilo tinha sido brilhante, tudo aquilo. Subi a rua repassando na minha cabeça cada segundo daquela noite, cada centímetro daquela mulher. Nunca, nunca, estive tão feliz.

Entrei e saí do metrô como se nada fosse, sem perceber o que estava fazendo ali ou mesmo no mundo, completamente imersa nos meus próprios botões. Cheguei no estúdio não-sei-como, passei por todo mundo sem abrir a boca, mas provavelmente sorrindo de ponta a ponta desavisada. Sentei na “minha” cadeira – que não era minha, mas era quase isso – e olhei para a frente, dando de cara com um dos meus colegas engraçadinhos de trabalho que me observava pacientemente.

_Você não dormiu hoje, né? – ele concluiu, rindo.

22 comentários:

Liz M. disse...

Eu ia dizer que dormir é para os fracos, mas o último dia em SP me queimaria com essa informação.

Então, só digo que reconheço esse sorriso. De longe. E reconheço de longe quando fingem um sorriso desses.

Tomara que as coisas continuem bem pra Devassa... porque, né?! =x hehe

Lu disse...

Legal! Pelo menbos ela curtiu esse momento, nem pensou em ratos, gatos ou esgotos! Não posso dizer q prefiro ela assim, pq a Devassa tem um humor ácido q eu adoro! mas o clima pede essa leveza d´alma! :)

Anônimo disse...

ai gente. me dói ver alguém tão feliz assim e eu aqui, nessa fossa. haha

giulia disse...

cara que delicia tudo isso *_*
to ficando tensa quando o fer entra nos post também :B

fer, pq já sou super intima
riri

Cris Ferreira disse...

"Mano, eu sou a mina mais feliz da porra desse mundo."

Eu adoooro seu texto!
=*

Grazi disse...

Quero ser como a Devassa quando crescer.... hehehe adoro o blog! parabéns ai!

Jujubαkins ~* disse...

Só sei que eu quero um beijo assim, puxado, escondido... que faz tudo em volta SUMIR! *----*

Pri Araújo disse...

Esses momentos de ter que se fazer de amiga na frente da família são tããão legais. ¬¬

Ter a pessoa que se desejou por tanto tempo é uma sensação incrível e causa esse transbordamento de felicidade, meesssmo. Mas, agora trazendo o meu lado pessimista a tona, acho que ela vai ser "a mina mais feliz da porra desse mundo" até ver a Mia nos braços do Fer.

Mikaylla disse...

que lindinhas ^^

Dea disse...

(L)

Lu disse...

Eu adoro o blog... Mas duas coisas são impagáveis: as falas da Devassa e a Pri agourando a Devassa! :P

carollips disse...

Comentário tipico de domingo de manhã!
Ta gostoso de ler tamanha felicidade (:

¢arla disse...

A Priscilaaa era uma otimista nos velhos tempos. Garanto! Ahh, essas desilusões amorosas.Rs...Culpa das "Mias" da não-ficção! ;)

matt. disse...

Lendo esse post, relembrei de uns momentos da minha vida.

Mel, você é foda. <3

Pri Araújo disse...

Não estou agourando, Lu. Estou sendo realista... hahaha!

E Carlinha, eu era mesmo, bons tempos aqueles...rs! A "minha Mia" é beeem diferente dessa!

=)

Anônimo disse...

Aii essa demora de novos post ta judiando..rs

Juliana F. disse...

F.M. Apaixonaaaaadaaaaaa!!!!!!
Que bunitinho!!!!!!Linda!!!

Tá ótimo!!! Adoro isso aki!!!

Bjaum,

Juliana F.

Glaucia... disse...

Carã adorooo esses momentos com os sogros, lembro me dos da infância, dos velhos tempos...

em Pri venk qê te mostro uma "MIA" beeim diferente das que ja conheçeu...

priguiducci disse...

O que está havendo Mel?
Saudades dos posts...

Anônimo disse...

ela não está indo pra alemanha? acho que é por isso que faz tanto tempo que ela não posta

Anônimo disse...

Cansou do blog??? q saudades de entrar aqui e ver coisa nova..

priguiducci disse...

Pra mim ela já estava na Alemanha...mas obrigada!