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setembro 09, 2010

Ócio criativo

Mas não veio. E eu sei disso não porque me lembro, mas porque quando o frio me acordou e o sol já começava a amanhecer – gelado – do lado de fora, ela não estava lá. Minha cama estava vazia, como sempre esteve. E minha memória custava a me esclarecer como eu havia chegado ali. Deve ter sido a bebida, pensei ao abrir os olhos, afundada no meu próprio cabelo. Meu braço despencava, descoberto, do colchão e a minha cabeça parecia pesar mais do que o normal contra o travesseiro. Ressaca, sei lá. Tinha preguiça de me mexer, o restante não-ocupado da cama não estava tão quente quanto onde eu me encontrava e isso me tirava toda a coragem de me mover, de despertar um músculo sequer.

Ainda assim, me estiquei. Empurrei o corpo levemente para cima, apoiada no braço direito, e usei o que estava caído para alcançar a coberta amassada ao pé da cama. Puta manhã ingrata, resmunguei azeda. A lã estava gelada – de tanto tempo jogada ali, abandonada –, mas só de cobrir aquele tanto de pele exposta, de quem dormiu de calcinha e sutiã com a janela aberta, já me fez mais confortável.  Me aconcheguei e fechei o olho, por um instante.

Daí reabri, de repente.

Tive a impressão de que o “instante”, pressuposto em dez segundos, havia sido bem mais do que aquilo. Ou do que me pareceu. Chutei as cobertas para baixo novamente, pulando apressada da cama – eu odiava levantar assim bruscamente, ainda mais de ressaca e com a cabeça doendo – e corri para pegar meu celular no bolso da jaqueta, que continuava largada no chão, próxima à porta.

Merda, xinguei para mim mesma, ao ver as horas. Apoiei a testa contra a madeira do batente, apertando os meus olhos fechados, já com preguiça de um dia que mal havia começado. Devia ter saído há vinte minutos para trabalhar. Que ótimo. Arrastei-me lentamente até o corredor, abrindo a porta, e fiquei parada por um tempo, observando o silêncio no apartamento. Atravessei, depois, até o banheiro e escovei os dentes, para tirar aquele gosto de vício da boca. Segui ignorando o meu atraso, me deixei tomar por aquele estado contemplativo melancólico de quarta-feira-de-manhã, aquele cansaço desanimado, uma lentidão sem fim.

Cheguei na cozinha. Aí parei, por alguns segundos, em frente à geladeira... até me decidir pelo ovo. Cura-ressaca. Ovo mexido, colocado numa torrada, com uma fatia de queijo por cima – anos de eficiência. Lá fora, o dia estava cinza. Feio e escuro, bem paulistano – mas ainda assim eu me recusava a acender qualquer luz na casa, insistindo no meu mau-humor. Peguei meu prato e levei-o para o quarto, deixando-o em cima da cama, enquanto me enfiava em um moletom-de-dormir.

Não vou pro trampo, decidi para mim mesma. E a desculpa até colava, considerando o quanto eu supostamente já não me sentia bem no dia anterior... Então, liguei lá e avisei. Que se dane. E, depois, terminei de comer. E aí... aí... Bom, aí o dia ficou livre...

Ai, droga.

Parei e pensei: mil vezes droga. Eu tinha horas – horas e horas! – desocupadas pela frente e nem um maldito plano do que fazer. E, para ajudar, a blusa da Mia continuava junto ao resto das outras coisas largadas no chão. Ali, quietinha, só incomodando. Que inferno. Tentei ignorá-la, enquanto ela me lembrava cruelmente de com quem eu não havia dormido naquela noite, e pus-me a pensar no que fazer com o meu dia... mas decidi que ali, sentada sozinha na cama, não dava. Então, liguei o computador. E meti o som no último volume, claro.

Conforme a primeira música aleatória rolava, comecei a rodar a minha playlist, atrás de algo que combinasse com o meu humor. Sabe-se-lá quantos GBs de obsessão musical; centenas de nomes pequenininhos correndo pela tela. E aí, como quem não estivesse procurando, achei a que eu havia perdido. A mesma noite anterior. Ahh, doce vingança. Coloquei os pés cruzados em cima da mesa e a faixa para tocar, satisfeita, me sentindo instantaneamente melhor.

Foi, então, que eu tive uma idéia – no sentido mais babaca e apaixonado da coisa – de como aproveitar o meu tempo livre. Isto é, de forma mais, hmm... produtiva.

12 comentários:

R. disse...

aposto que a FM vai aproveitar o tempo dela fazendo oq nao fez na noite anterir haha
e eu achava que a mia ia visitar ela :(
posta mais mel? (a)

Anônimo disse...

eu sabia que ela não ia.
ganhei deizão!

( Gih ;p) disse...

HAHAHAHAHHA, maneira mais produtiva, hummmmmm....

Pensamentos maliciosos...

Ara Mel, eu não vou para a Alemanha para brigar com vc, ok?

Vou deixar passa, só essa vez, hein?!... heheh

tammy disse...

mais mais mais...posta maiiiiiissssss!!!!!!!!!

Dê disse...

Eu queria mto que ela fosse buscar o presente dela, mas no fundo sabia que ela ñ ía. Tomara que pelo menos o da seja mais produtivo do que
à noite. Bjo Mel ;*

Anônimo disse...

E a Mia não foi... =[

- Tucca disse...

Ela não foi D:
FM safadchênha já tá pensando besteirinha, rs. Posta mais *-*

giulia disse...

tu não vai manter esse silencio por mais muito tempo, né?

PELAMORDEDEUSPOSTAMAIS!!
:~~~~~~~~~~~~~~~~~~~MIMIMIMIMIMI

Milk :D disse...

AAAH, que dorgas, axei que a Mia ia até lá..):
Mas tomara que a FM consiga aproveitar o dia da maneira que eu estou pensando (yn)

Monica disse...

mano confesso..fikeei puuuuuta jah na primeira frasee #lixa

mas o fiim me deu esperança -q//

bgs pra queem eh travestii e Tuccão, cão mor!

õ/

Anônimo disse...

Bom! Eu sabia que ela não iria. Ao menos ficou real, nem tudo é mar de rosas haha.

Olha, às vezes tenho uma leve impressão de que a FM vai perder esse emprego. Sei não...

Rayssa disse...

Ain odeio suspense HAUHA 'dema' ja to roendo as unhas hauhauh
o que ela vai fazer? heim heim heim ???


#noellyhot venk