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julho 13, 2012

Meio, fim de festa

Logo interromperam-nos, a Lê encontrou a mim e à Clara na lateral da casa e avisou que o jantar começara a ser servido lá dentro. Àquela altura, nós duas já estávamos no segundo cigarro e no milésimo beijo, amassadas contra a parede, testando os limites da boa conduta como convidadas da festa. Entramos na sala, levemente descabeladas, e guardamos os nossos maços nos bolsos; a Clara ainda tinha as bochechas levemente vermelhas quando sentou à mesa e eu sorri, achando graça na “quentura” dela naquela noite fria. De entrada, a Marina e as meninas colocaram uma salada sobre a toalha azul marinho.

Aos tomates cerejas e folhas de manjericão, seguiram-se os acompanhamentos salteados, as taças de vinho e a lasanha de berinjela com queijo Chèvre. Propus um brinde ao aniversário – que eu esquecera, horas antes – da Letícia; todas gritaram o seu nome comigo, animadas. A Clara se entrosava bem, apesar da sua fama, conversando com todas que podia. Quando a sobremesa chegou, sorvete e calda de framboesas, meu estômago já estava cheio demais para acompanhá-las. “Bichinha”. Ouvi a Paula dizer e sorri, sem ceder. Minha convidada, por sua vez, serviu-se e eu arregalei os olhos, rindo impressionada.

Pratos e tigelas amontoados, com apenas restos, acumulavam-se há meia hora. Mesmo acabado o jantar, continuávamos à mesa e as taças de vinho fluíam tão bem quanto a conversa, que durou mais uma hora inteira ali. O álbum do Uh Huh Her tocava nonstop. Malditas lésbicas. Estávamos tão bêbadas de uma garrafa chilena atrás da outra, que eu e a Letícia nos debruçávamos sobre a mesa, rindo de algo que nem eu saberia dizer o quê.  A Clara, igualmente embriagada e mantendo ainda a compostura na cadeira ao meu lado, ria de mim e do meu estado e engajara numa conversa conciliadora com a Marina, no assento oposto. Eu devia estar ouvindo isto, verdade – porém já não conseguia mais prestar atenção em nada.

Outra meia hora e aquela era a 3ª vez que escutava “I'm better than the other one, you're a harder chase” sair do rádio. Mais dez minutos, outras duas taças. E discutia aos gritos, instavelmente e em pé, com a Camila na outra ponta da mesa. Entre um verso e outro da música alta, eu fora de mim, enquanto a Clara me puxava pela camiseta e mandava que me sentasse de novo, que deixasse de ser grossa e cabeça-dura. “Você tá ouvindo o que essa idiota está falando?! Idiota!”, eu batia na mesa, bêbada. Alguns minutos antes, ela defendera que a versão traduzida de “Starman” era melhor que a do Bowie; eu perdi a cabeça em meio segundo, . A minha amiga então tomou as dores do rock nacional e gritava de volta comigo, irritada, argumentando que me tornara uma fã quadrada e chata. A Lê me forçou de volta, sentada, à cadeira e encerrou a briga.

“You're fast against mine, I will tear you from the...”, quarta vez. Todas amigas de novo, as pazes feitas. A garrafa rodava, deitada, no centro da mesa e despejávamos os podres uma da outra para as demais. Em especial a Clara e o casinho da Paula, na centésima taça cada uma e se divertindo às custas de todo o conhecimento que acumuláramos naqueles anos de convivência. Garotas paranoicas, sexo, cada surto e pirraça, os fiascos, os vexames em meia a festa, as fases, as piores desculpas, o uso mal-dosado de drogas e os relacionamentos fracassados. A Marina, mais alta do que a vira havia tempos, ria já quase sem fôlego e confirmava tudo com a cabeça, os óculos já abandonados sobre a mesa. Deus. Eu dava graças aos céus que a Clara não lembraria daquilo no dia seguinte.

“Vem. Vamos cair fora um pouco”. Disse no ouvido dela e escapamos; as meninas se concentravam em abrir descoordenadamente a ... (perdi a conta) rolha da madrugada. Numa tentativa discreta, saímos da mesa curvadas e apoiadas bêbadas uma na outra. Mais vinho, cês tão loucas, porra. Rimos, trombando na porta da lateral, e fugimos com sucesso. O quintal estava escuro; o sol ainda não havia nascido e um frio úmido das 5 e pouco se alastrava. Escondemo-nos atrás da casa de tijolos, onde ficava o botijão, que era acoplada à lateral da casa. Beijei a Clara com uma vontade embriagada e incontrolável.

Nos enroscamos. Os seus braços subiram até os meus ombros, eu descia as minhas mãos. E empurrava-a contra a parede; as duas indelicadas. O tesão tomava conta do meu corpo inteiro, podia senti-lo progredir, como se contaminasse irracionalmente cada uma das minhas veias. Não conseguia me concentrar em nada. Eram momentos desconexos, lapsos na minha memória, e que de alguma forma faziam sentido quando fluíam, sucessivamente. Cada beijo, cada chupão, as mãos dela, a pressão nos meus lábios, as mordidas, o seu corpo pesando no meu, os toques. Como se eu fechasse e abrisse os olhos, o tempo todo, repetidas vezes. Desci a língua pelo rasgo da sua camiseta, a gola – a minha cabeça rodava incessante, intensamente. As suas mãos metidas no meu skinny jeans. A minha coxa pressionada entre as suas. Filha-da-mãe, porra. Roubava-lhe um beijo, nos contorcíamos juntas.

Aquela era a quinta vez, “tell me I’m the only one, the only one”, ao fundo. Ainda no breu. Ri sozinha, ao notar, e a beijei logo em seguida. Enfiei as minhas mãos no seu cabelo então, segurando-a com vontade enquanto a beijava, esquecendo-me às vezes de respirar. Desci um dos meus braços até os botões da sua calça. Um. Dois. O zíper, o lance todo. Apoiei a testa no seu ombro, por um segundo, buscando um pouco de estabilidade; tentando voltar à realidade, ao mínimo de consciência. Tontura alcóolica, desnorteada. Caralho. A Clara encostou a boca no meu ouvido, me falando cada obscenidade que queria de mim naquele instante e não podia ter. Caralho; caralho, meu. Tudo o que eu queria era uma cama, porra – e sobriedade; senti que ia passar mal.

Nem pensar, se controla. Era o único pensamento que a minha cabeça conseguia formular. Aceleramos então, a intensidade, tudo. Os beijos se multiplicavam, os abraços, os corpos arrastados, tudo mesmo. Confuso – e eu sentia como se estivesse prestes a explodir. “Tell me I'm the only one, the only one...”, ouvia, repetidamente. Os orgasmos vieram consecutivos, quase simultâneos; perdi o fôlego por um instante. Ela beijava o canto da minha boca, entreaberta; e assim que caí de novo em mim mesma, senti-me realmente mal. Numa re-consciência violenta. Dei dois passos para trás no frio e me virei rapidamente, apoiando a mão nos tijolos da casinha.

_Você tá bem? – ela se assustou, vindo na minha direção.

Colocou a mão no meu ombro, preocupada. E tão logo respondi “não muito”, engasgada e com falta de ar, foi o que bastou para o meu estômago revirar-se por completo. Vomitei duas vezes, todo o maldito vinho. Gran finale.

24 comentários:

Anônimo disse...

Me senti bebada. 11 da manhã, OBRIGADO! kkkkkkk amei, mel!!

Beatryz Almeida disse...

Só eu não to sentindo falta da Mia mais?

Anônimo disse...

aaai, esse povo q não sabe beber é uó! aushaushaushau (falou a alcoólatra!). Curti a Clara ter se enturmado e ter batido um papinho com a Má *-*

Anônimo disse...

QUEERO MAIS *--*


Saudade da Mia <3

@sapatown

coxiba disse...

belo momento p vomitar em??? shauhsuahsuah

to com saudades da mia!!!

Larissa disse...

é isso ai.. todo mundo amando a clara e talz. dai a Mel vem, escreve algma coisa e a gnt esquece tudo. e fk tp.. "é.. a fm n merece a clara.. ta blz.." vc é uma manipuladora! e eu adoro essas reviravoltas.. hahahaha

@livia_skw disse...

Acho que na hora que a ficha da FM caiu, ela lembrou da Mia. Tipo, aquela real que bate quando estamos muito chapadas :/

ohana sanvés. disse...

nossa, tava precisando ler um post hot assim hahahaha. mas poxa FM, isso é hora pra vomitar? u-u

Anônimo disse...

Pelo menos ela fez o trabalho completo antes de vomitar HAIOHEOIEHOIEHO

Anônimo disse...

quem nunca?

Anônimo disse...

Gran finale shaushaushau otimo momento para isso

Isso é a consciência de bebada da Fm pensando na Mia, podia ser pelo menos

Anônimo disse...

Ah, não adianta, sinto falta da Mia SIM!
Vomitando ou não...Volta, Miaaaaa!!!!
kkkkkkk

Anônimo disse...

Identificação totaaal com esse post...hahaha, demais!

Eh, de um jeito ou de outro a FM sempre fode no final ¬¬
Bitch, please!

Ianca' disse...

Morri de rir da discussão sobre Starman e engenheiros hahaha
To ansiosa ainda Melzita, com uma saudade...
Tem nem comparaçao viu u.u

Dea disse...

putz... vomitar depois do sexo é TENSO, Mel. chega logo no depois que eu quero ler o que vai aconteceeeeeeeeeer!

beijos ;*

jamile disse...

ai q saudade da mia =(

Anônimo disse...

------ Dany ------
Pow! A FM Vomita, + nao Broxa! kkkkk...
Meu, o alcool é uma droga msm, pobre clara. . .
Eí galera, sobre a Mia. . . Sei q ainda vai ter mt rolo com ela, pq com a Mia é diferente povo. + por enquanto vamos curte, a FM pensando q o lance com a Mia acabou e q a Clara é a certa(Além q se formos observa pela menos comprecada 1x0 pra Clara).
+ Oh, por mim msm... Uma Clara é tudo d bOm, + uma Mia é pra fuck eternamente a cabeça. Kkkkk... ;)

Anônimo disse...

Agora que eu me toquei... que disperdicio, o jantar foi para o espaço mas deu tudo certo com a outra comida haushaushausahauh

Meu, que saudades da Mia :(

Bibi disse...

Só uma coisa:A Clara é muito gostosa. (Com todo respeito, mas é).

'duuda disse...

ai geeeente, tadinha :~
não julgo porque já vivi essa cena. enfim, sem mais comentários. haahahahahaha
to adorando as voltas que essa história dá <3 beijo beijo, mel!

Monica disse...

ai que vexame hahahaaa

amo amo e amo UHH ♥

Anônimo disse...

Miaaaaaaaaaaaaaaaa volta....

Corinthiana disse...

Volta, Mia :~

Anônimo disse...

Será pedir muito se pedir a receita da lasanha ? Fiquei com vontade Mel.... Bjs Ju T