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dezembro 14, 2009

Papa-anjo, eu?!

_Mas, espera, quantos anos você tem?
_Vinte e três - respondi.
_Hm, dois a mais do que eu...

Sem problemas, não sendo ilegal ainda está valendo, pensei e logo em seguida ri de mim mesma.

_O que foi? - ela indagou como se eu risse dela.
_Nada - respondi, mas ela continuou me olhando, insatisfeita.
_Você deve me achar uma pirralha...
_Não, eu gosto de meninas mais novas - disse segurando o riso e ela me deu um tapinha no braço – Ok, estava brincando... você é pirralha demais para mim mesmo.
_Ei! - ela protestou e nós rimos.

Quando o riso foi diminuindo, ela encostou na parede e me olhou.

_Eu gostei da sua calcinha - comentou.
_Um chaveco meu e você já é lésbica?
_Ah, aquilo foi um chaveco? - ela zombou de mim.
_Poderia ser... - eu ri e ela negou com a cabeça.
_Triste, hein? Essa é a sua melhor cantada?
_Não... - respondi, sem terminar a frase.

Ela continuava me olhando e eu, por um segundo, pensei que tivesse percebido uma abertura. Não sei por que diabos concluí isso, mas... Sei lá, parecia que havia algo a mais no jeito que ela me olhava. Ela estava encostada na parede, me olhando como se me provocasse... e eu, claro, entrei na brincadeira sem pensar duas vezes. Contive um começo de sorriso e me aproximei, forçando o meu melhor olhar “lésbico” - como se isso fosse preciso, tamanha minha vontade de entrar dentro daquele vestido - e o clima começou a mudar entre nós duas.

Eu estava confortável com a situação e ela parecia curiosa, então me aproximei ainda mais e me apoiei na parede por cima de seu ombro. Quase nos encostamos. Continuei olhando para ela e ela continuou imóvel. Me senti como uma adulta enganando uma criança, mas não havia nada de ingênuo na forma como ela me olhava. Pelo contrário, parecia que ela estava à espera de alguma atitude minha, de algum movimento meu.

_...como eu ia dizendo - retomei minha resposta - eu sei fazer melhor.

Ela sorriu meio sem jeito, após intermináveis segundos me encarando. Eu, por outro lado, achei certa graça naquilo. Estou dando em cima da namorada do meu colega de quarto, pensei, onde foi que eu deixei minha dignidade? Ri de novo, mas ela ainda me olhava sem reação. Passei a mão na sua cabeça, bagunçando um pouco seu cabelo propositalmente, como se indicasse que estava só brincando. Não estava, mas ela sorriu de volta para mim. Saí da cozinha em direção à sala, perguntando se ela queria ver algo na TV.

_Não, acho que vou tomar um banho e deitar um pouco até o Fê chegar – ela respondeu, com um certo receio.

Não me virei para ouvir a resposta, só concordei e liguei a TV enquanto ela fechava a porta do banheiro. Deitei no sofá e passei a mão no rosto, me forçando a cair na real. Merda, pensei. Decidi ignorar minha vontade de desaparecer do mundo e afundei numa almofada, olhei para a televisão e ela continuava na droga da TV Jockey. Me arrependi de ter feito, falado, insinuado qualquer coisa. Preciso me controlar, repetia a mim mesma, essa brincadeira vai acabar mal.

Olhei novamente para a TV e os malditos cavalos continuavam lá. Aquilo me irritou e eu desliguei a televisão, impaciente. Decidi sair. Coloquei uma calça, peguei dinheiro, um maço de cigarros e fui para rua, puta da vida.

2 comentários:

Luh disse...

Hum .. o fato de ela comentar que o namorado ia demorar me faz indagar que ela queria algo .. rsrs

Lu disse...

Mel, essa estória é genial desde o começo! :)