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agosto 10, 2010

A la Marquis de Sade

Se tem uma coisa que eu gosto mais que mulher no mundo, ah, é de muié com tatuagem. E eu não estou me referindo àquelas três estrelinhas escondidas atrás da orelha, nem àqueles erros em forma de golfinho, acompanhados de um sol ou um tribal tosco, resultado lamentável de um devaneio pós-insolação num feriado prolongado no Guarujá. Argh. Não. Para o meu coraçãozinho e toda a água na minha boca, existe uma grande diferença entre “ter” uma tatuagem e “ser” tatuada. E a Mia se encaixava na segunda categoria.

Puta tesão. Juro – eu podia passar duas, três, dez horas que fosse ali, apenas observando uma garota sendo desenhada dolorosamente por aquela maquininha. E aquela garota ainda por cima. Na boa, aquilo para mim era quase melhor do que sexo.

Os minutos se desdobravam lenta e deliciosamente. De tempos em tempos, eu e a Mia engatávamos uma conversa qualquer descontraída com a tatuadora, realmente gente boa. Isso me animava consideravelmente. Aquela intimidade que fluía bem, aqueles momentos espontâneos de proximidade, tudo isso me fazia sorrir mais do que o normal. E eu estava bem mais feliz do que o de costume naquele estúdio. Ainda assim, sempre havia aqueles instantes de silêncio, em que só se ouvia o barulho do motorzinho e ninguém falava nada por minutos a fio. E esses, sim, eram complicados.

Conforme a máquina percorria o corpo da Mia, pouco a pouco as flores iam se colorindo de tons amarelados, então a tatuadora limpava a sua pele e ia descendo pela sua costela. E eu me obrigava a sentar ali, perto dela, assistindo-a morder os lábios, milímetro por milímetro, ao passo que a agulha preenchia o contorno, franzindo a sobrancelha e se mexendo sutilmente; reposicionando o quadril para frente e para trás na cadeira; contorcendo a cintura, com as costas descobertas; movendo-se sinuosamente a cada pausa. E os olhos da Mia apertavam a cada recomeço. Então ela esmagava a camiseta com suas mãos, afundando os dedos no tecido, e depois ia soltando o ar lentamente pela boca.

Não faz assim, mulher. Pelo amor de Deus.

Os meus olhos não conseguiam desviar dela. Da forma como aquela cintura se torcia. Dos desenhos, um por um. Dos seus dedos na camiseta. Ou os suspiros esporádicos da sua boca. Eu a observava ininterruptamente, numa fissura tão absurda que logo começou a me dar um calor, uma quentura. Sabe? Aquela febre interna filha da puta. E aí ficar parada naquela cadeira começou a se tornar uma tarefa realmente difícil. A minha mente ia sendo tomada por todo tipo de pensamento sujo, impuro, imprestável, e eu me torturava. Já estava cozinhando debaixo daquela roupa toda – e ainda assim, não tirava os olhos dela.

Respirei fundo mais uma vez e tirei o lenço do meu pescoço. A Mia continuava lá, concentrada na sua nova tatuagem e no processo, com a tatuadora já abaixo da sua costela. Todo o meu foco continuava na sua pele. Merda. O calor não tinha ido embora. O jeito foi tirar a jaqueta, também. Daqui a pouco eu fico pelada aqui, pensei e quis rir. Mas a intensidade daquele metro e pouco entre eu e a Mia, a influência cruel que as suas curvas e aquela porra daquele zunido da maquininha tinham sobre mim não permitiam. A única coisa que eu conseguia fazer era me inquietar naquela cadeira, morrendo de tanto tesão calor.

_Que aconteceu? – a Mia perguntou de repente, me olhando.
_O quê? – eu me reagi assustada, imediatamente arrependida de toda a bandeira que eu estava dando, droga.
_Aí... – ela riu, me encarando.
_Como assim?! – repeti, dando uma de desentendida.
_Na sua blusa – ela sinalizou rapidamente, com os olhos, e riu de novo – Está toda suja, meu.

Ah, isso. Respirei aliviada.

_Eu... eu derramei café nela hoje, no trampo – encarei minha camiseta, puxando-a com as mãos para ver melhor, e me irritei novamente com a mancha – Que merda, esqueci que isso estava aí.
_Está bonito, hein... – ela achou graça.
_É... Faz parte do meu estilo “funcionária do mês”.
_Toma, veste essa! – ela jogou a blusa que estava na sua mão na minha direção – Eu trouxe outra mais larga para usar depois que terminar aqui.
_Mas você não...?
_Não, pode usar. Assim mais tarde a gente sai daqui pra comer alguma coisa e você não precisa ficar de casaco o tempo todo – a Mia sorriu.

Tá bem. Levantei, empurrando a cadeira levemente para trás, e tirei a blusa num só movimento. Depois a dobrei, tomando o meu tempo para ficar só de sutiã na frente da Mia, e abaixei para colocá-la junto da minha jaqueta e do lenço no chão. A tatuadora sequer olhou na minha direção. Puxei a blusa da Mia do meu ombro, onde a tinha apoiado, e comecei a vestir. A Mia me encarava com os seus olhos castanhos e, por algum motivo, eu me senti vingada por toda a sessão de tortura que tinha aguentado até então. O nosso relacionamento era cheio de momentos assim – nos observávamos em silêncio. Cheias de intenção por detrás e com pouca ação. Ainda assim, eu não conseguia esconder minha satisfação, conforme colocava sua camiseta, por toda atenção que estava recebendo.

_E aí? Ficou bom? – perguntei, ainda de pé, ao terminar de vestir.


Ela me olhou de cima a baixo e sorriu, deixando escapar uma malícia discreta com o canto da boca. Aí, sim.

12 comentários:

Marina disse...

FM tem seios fartos?
tem cara q não =/

Inglória disse...

"malícia discreta com o canto da boca"....... ai meu deus.. AGUEM ME DESGRUDA DO TETOOOOO!!

Ainda bem que eu tô em cs, longe de "pessoas"........]
Melzita....... vou correr pra um estudio de tatto, vem comigo ajudar a escolher??
HUAHUAHUA

giulia disse...

D-E-L-I-C-I-A!

*_________________*

Rebecca disse...

Aí sim!!!!!!

carol disse...

mel,vc entende a cabeça das garotas de hoje!!! tatto é um TESÃO!!!!! amei!!post perfeito como sempre.

já disse...

uuuuh, oq será que vai acontecer depois? *-*

@giiturioni disse...

AÍ SIM HEIN? ASIUDHAIUSHDIHAS

Marina disse...

primeiro post... q orgulho =D
lembrando q a Mel namora huashuashuas

Anônimo disse...

Esse foi o primeiro post que me deixou um tantooo...EXCITADÍSSIMA!

Muito booom msm, parabéns!
Entro aqui todo dia no desespero, para ver se tem posts novos =]

Glaucia disse...

Entrei no desespero agora...

FM vamos ali fazer umas flores de cerejera???

Anônimo disse...

Aiii...Continua!
Pelo amor de deus!
heueheueuheueh

i... disse...

é a vida...