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agosto 17, 2010

_Que história?!
_Da sua ex-namorada – a Mia riu – ...a da tatuagem.
_Ah, sim... – eu me lembrei, me ajeitando na cadeira – ...a dona do Infinito.
_Essa mesma... – a Mia sorriu, de novo – É engraçado, agora que parei pra pensar. Eu não te tomaria por alguém que tatua coisas assim. Quer dizer, não sei... O infinito, sim; mas não para uma garota.
_É, nem eu acredito nas merdas que eu faço às vezes... – arqueei as sobrancelhas rapidamente, demonstrando um arrependimento incconformado – ...véi, é muita burrice.
_É mesmo... – ela concordou, achando graça.
_Mas, sei lá, na época fazia sentido, sabe?
_Hum. Sentido como?
_Não sei... Nós éramos daqueles casais que iam e voltavam o tempo todo, saca? Não era um namoro bom. Era ruim, ruim mesmo, mas eu era completamente babaca por ela e aí toda vez que a gente brigava, eu acabava indo lá bater na porta da casa dela e era sempre aquele drama... e aí você acha que vai ficar naquele rolo para sempre, acha que a pessoa para quem você sempre volta é sua constante na vida ou algo do tipo... e aí decide tatuar um infinito no pulso. Ah, sei lá, algo assim! Foi cagada, lógico que foi, mas na época parecia que ia ser para sempre ela.
_Vocês ficaram juntas muito tempo?
_Quase dois anos.
_Dois anos? – arregalou os olhos – Uau.
_É... Mas sempre naquelas, sabe? Indo e vindo. Era complicado. Ela me ajudou quando eu me assumi pros meus pais, manja? O meu pai ficou lá agindo como se fosse o fim do mundo, por meses, e não que eu estivesse tão mal... Eu sabia que ia ficar tudo bem uma hora ou outra, meu pai é cheio desses chiliques, mas no fundo ele me adora, sei lá, eu sempre soube que não ia durar... Mas mesmo assim, foi ela, sabe? Ela que ficou do meu lado, que conversava comigo... e esse tipo de coisa você nunca esquece. A pessoa acaba sendo importante, de um jeito ou de outro, mesmo que depois não dê certo.
_E por que não deu certo? – ela puxou a minha mão delicadamente para perto dela, cruzando-a por cima da mesa, e pôs-se a observar novamente a tatuagem, deslizando a ponta do dedo na minha pele.
_Por um monte de motivos – eu suspirei e tirei o cabelo do rosto com a mão que me restava livre – Não era uma relação saudável. Com o tempo, virou um lance obsessivo, sabe... Nós já não queríamos mais estar juntas, só que não conseguíamos nos desvincular uma da outra, ficamos acostumadas. Aí era aquela coisa... ela se enchia de mim, resolvia que não queria mais e a gente brigava. No fim de semana, ela ia para a balada e pegava meio mundo, depois se arrependia, aí ficava mal e vinha correndo para a minha cama. E eu acabava deixando, né, claro. Só que duas horas depois ela me contava o que tinha feito e aí eu é que ficava puta da vida, mandava ela ir embora, dizia que nunca mais queria ver ela... Aquele drama todo. E na semana seguinte, a mesma merda.
_Meu primeiro namoro foi assim... – a Mia riu, revirando os olhos, e eu achei graça na empatia dela – Você já tinha namorado antes da... ahm, qual o nome dela?!
_Nana. Quer dizer, Natália – respondi e olhei para cima, para o garçom, que colocava os nossos pratos cuidadosamente na mesa, depois continuei – ...e então, sério assim não. Eu até tinha tido uns namoricos antes. Acho que a Nana foi a segunda ou a terceira.
_“A segunda ou a terceira” – a Mia me imitou e riu de novo, me interrompendo; depois agradeceu ao cara rapidamente.
_Não é isso... – ri também, pegando o meu sanduíche com um guardanapo, tentando comer do jeito menos moleque possível – ...sei lá, eu comecei a ficar com mina muito cedo. O que eu quis dizer é que tiveram umas mais ou menos fixas antes dela, tipo, que duraram mais do que um mês. Tipo... não sei o que considerar namoro ou não.
_Sei. E foram todos assim? – ela perguntou, enquanto assoprava uma colher de sopa, para esfriá-la.
_Assim como?!
_Complicados.
_Não. Só ela. Acho que eu aprendi “demais” a lição e, depois disso, terminei todos os meus namoros antes de chegar nesse ponto. Ou fiz alguma merda, né.
_Até já sei qual... – a Mia riu, implicando qualquer inverdade a respeito da minha conduta sempre exemplar – ...meu, você deve ser a pior namorada do mundo.
_Que absurdo, mano! Claro que não! – me indignei e ela me olhou incrédula – Olha, você pode pensar o que quiser, mas eu sou uma excelente namorada.
_Sei...
_Tá, não acontece com tanta frequência. Admito. Não sou a pessoa que mais namora no mundo. Mas quando eu resolvo me comprometer, eu sou a melhor namorada que alguém pode querer! Eu me empenho pra caralho, sério.
_Hmm, quero ouvir o que as suas exs têm a dizer a respeito...
_É verdade! – eu continuei, achando a graça na descrença da Mia – Eu garanto que a maioria dos meus namoros foi ótimo. Realmente ótimo.
_“Até...”
_Até eu tropeçar e cair, sem querer, na cama de outra garota – eu expliquei, forçando uma voz ingênua e bem-intencionada.

A Mia começou a rir ainda mais e balançou a cabeça, inconformada.

_Nossa, isso é tão “você”...

4 comentários:

jupiter disse...

esse é o post mais bonitinho dos últimos meses ç.ç juro! adorei a conversa, adorei a historia, adorei o 'quase dois anos', adorei a mia!

Anônimo disse...

"...na época fazia sentido"

Mikaylla disse...

Lindo esse, Mel! E adorei a singeleza do título ^^

bjs

Anônimo disse...

Hi - I am definitely delighted to discove this. great job!