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dezembro 31, 2010

Ah, segundas-feiras!

O metrô estava particularmente lotado na volta para casa. E eu, lógico, estressada. Lá pela segunda estação, um cara de uns 20 e tantos anos entrou com o celular na mão, tocando qualquer merda auditiva nacional no último volume. Argh. Por que eu não saio uma horinha mais tarde..., pensei enquanto olhava a multidão das 18h-e-pouco se apertando vagão adentro, ...ou uma horinha mais cedo, né. Revirei os olhos, esmagada contra uma das paredes próximas à porta, ainda com a roupa da noite anterior e desesperada para tomar um banho assim que chegasse ao meu lar, doce lar.

_A superlotação do transporte público paulistano tem uma influência direta na minha dependência diária de nicotina... – disse ao telefone, conforme acendia um cigarro na saída do metrô Consolação – ...sério, cara, como é que eu vou parar de fumar um dia se eu continuar me locomovendo por aí com uma média de trinta pessoas por metro quadrado?!
_Espera. Você quer parar de fumar? Você?! – o Gui riu, sem dar importância ao argumento original.
_Não. Estou falando hipoteticamente.
_Ahh...
_Olha, eu preciso de um carro – continuei, irritada – não, eu preciso de helicóptero.
_E um heliporto...
_É. Na cobertura de casa – disse, tragando mais uma vez, enquanto descia a Frei Caneca – não, é sério, Gui. Eu preciso achar um jeito de ficar rica. Mas ficar, tipo, podre de rica.
_Não só você, gata...
_Eu... odeio... minha... vida.
_Não odeia, não...
_Um infeliz foi ouvindo pagode alto no trem hoje. Mano, juro: se o caminho fosse uma estação mais longe, eu teria matado o desgraçado.
_Tá. Você odeia sua vida.
_Obrigada... – o agradeci pela compreensão.
_Escuta, vamos quinta no Vegas comigo?
_Quê?!
_Quinta, agora... no Vegas...
_Gui, você não está colaborando com o meu plano de ficar rica.
_Por favor?!
_Meu, não sei por que você gosta tanto do Vegas...
_Cala a boca, você sempre adorou aquela porra! Só pegou birrinha de lá.
_É lógico que eu peguei birra!
_Faz um milhão de anos isso, vai... É do lado da sua casa, sua vagabunda. Que custa?!
_Dinheiro.
_Hum... Você prefere ser rica e sem amigos? Ou pobre, porém feliz? Hein?
_Meu, eu te odeio – resmunguei, sem argumentos.
_Combinado, então. Quinta! – concluiu contente.
_Tá, que seja. Deixa eu ir, que eu já cheguei aqui na porta da minha “mansão”... – reclamei rabugenta, jogando a bituca do cigarro entre a calçada e o começo do asfalto, e desliguei o telefone em seguida.

Subi pelo elevador e percorri o corredor no piloto automático, sequer notando os passos que eu dava. Entrei no apartamento, vazio e completamente apagado – hm, o Fernando não está... –, me dirigindo direto para o chuveiro. Larguei minhas coisas todas em cima da pia, as roupas pelo chão, e deixei a sujeira acumulada de dois dias pesados escorrer pelo ralo abaixo. Saí meia hora depois, vesti uma calcinha, uma camiseta qualquer, coloquei um par de meias e me enfiei no travesseiro. Que sono do cão, mano.

Apaguei os olhos por dois segundos – ou duas horas, sei lá – e acordei novamente com o meu celular tocando. Inferno, me levantei e caminhei de volta até o banheiro. Chegando lá, é claro, o desgraçado já não tocava mais. Apenas apontava, mudo em cima da pia, uma chamada não-atendida e duas mensagens não-lidas. Arrastei meus pés lentamente pelo corredor, retornando sonolenta ao quarto e à minha cama, enquanto lia o primeiro SMS sem muita relevância da Marina, dizendo que havia combinado de encontrar a Bia naquela noite.

Eu sabia, pensei com toda razão e me joguei mais uma vez na cama. A chamada não-atendida era dela mesma, provavelmente empolgada para me contar a notícia. Ê laiá, viu... A segunda mensagem, contudo, era bem mais interessante. E mais antiga também: estava ali há pelo menos uma hora e pouco. Não dormi tanto assim – dormi? Com a cabeça afundada no travesseiro, os meus olhos leram cansados o nome da Mia indicado no remetente e eu esbocei um sorriso. Era uma felicidade preguiçosa, sabe, mansa.

“Queria te ver esses dias... dá?”, eu li e achei graça, pouco antes de apagar de novo. Os olhos, digo; não a mensagem. E aí, com o celular nas mãos, peguei no sono sem antes responder.

4 comentários:

Ianca' disse...

Esses sms me causam suspiros eternos, recebi um hoje *-*
aaah finalmente a mihha Mia vai reaparecer, aiai, nada melhor do que ver ela no inicio do ano :D
;*

Monica disse...

uh huhhhh pareceendo q vaii rolar um rock... atoron!

R. disse...

mensagem fofinha *-*
é gostoso acordar e dormir assim :]

Rayssa disse...

Veeeeeeegas T1T1T1
AHUHA sorry Devassa,Mas nhaaam Clara T1