- »

dezembro 15, 2010

Conforto antigo

Salas de espera de prédio são sempre desconfortáveis – seja por culpa das cadeiras ou do silêncio irritante que as habita. E lá estava eu, sozinha, sentada há mais de vinte minutos numa. Me tornando progressivamente impaciente. Domingos eram um inferno em São Paulo, aquele “nada” todo e aquela calmaria que contaminavam os muros pichados e as paredes de concreto não combinavam em porra nenhuma com a cidade. Ah, que se foda, tirei o maço do bolso e acendi um cigarro, já inquieta, encarando propositalmente o aviso de não fumar estampado na parede daquela recepção vazia aporrinhadora do caralho.

E como Murphy jamais falha, é claro, logo no minuto seguinte a Marina saiu do elevador e fez a cara mais feia do mundo para mim ao me ver ali, desrespeitando a ordem pública. Apaguei o cigarro imediatamente nas pedrinhas de um vaso que jazia ao meu lado – com toda a boa intenção do mundo, juro – e tudo que conquistei foi mais um olhar reprovador à distância. Droga, sorri sem graça e recolhi a bituca com a mão, cuidadosamente, para jogá-la no lixo.

A Marina parecia melhor, mais calma, recomposta. Contudo, o seu olhar estava nitidamente cansado e ela andava como se tentasse esconder um certo desânimo. Te conheço, garota, olhei-a vir na minha direção, conforme me livrava do cigarro amassado e a admirava a alguns passos dali. Notei como o jeans contornava sua calça, imprestável como eu era; as suas curvas naquela regata branca; a forma como o seu cabelo se soltava de uma trança mal-feita, caída sobre o seu ombro direito; mas principalmente a expressão que se escondia por trás daqueles óculos pretinhos dela. A tristeza que há pouco ela havia esquecido, deixado de lado. Mas que estava lá, ah, estava.

_Ei, como você está? – perguntei baixinho no seu ouvido, conforme a abraçava e ela me segurava de volta demoradamente.

Não disse nada. Por segundos a fio só nos abraçamos, apertadas, de um jeito reconfortante mesmo para mim – que nada tinha para ser reconfortado, não naquele momento. Acho que, no fundo, quem te conhece há tempo demais faz sentido na sua vida, sei lá. Até que se soltou de mim, de repente, e murmurou um “vamos pra casa” que soava cotidiano, talvez até demais dadas as circunstâncias. Agindo como se ainda estivesse no trabalho, não sei, dando uma de “eu estou bem”. Não tem ninguém no prédio, Marina, olhei-a pegar as chaves na bolsa e seguir na frente para a portaria, naquele piloto automático emocional pós-horas de choro dela.

A Marina sempre foi muito sensata, muito racional, raramente desabava daquele jeito e eu sabia que ela não devia estar muito satisfeita consigo mesma por ter desmoronado ao telefone. “Algumas garotas fazem isso com a gente e tudo bem”, eu queria lhe dizer. Contudo, não dizia nada. Caminhamos quietas pela rua e eu a observava, preocupada, querendo garantir-lhe que não tinha problema, que ninguém pensaria menos dela por isso. Nada. Não queria conversar. Ou não ainda, pelo menos. Você é cabeça-dura, pensei. Mas a verdade é que a Marina era mais madura de nós duas, ali, andando na calçada.

Enfim, em seu apartamento, jogou a bolsa no sofá e foi até a cozinha preparar um chá. Perguntou se eu queria e disse que não, então dirigiu-se para lá sozinha e voltou poucos minutos depois. O cômodo permanecia em perfeito silêncio. Sentou-se ao meu lado, afundando-se contra o encosto e segurando a caneca cheia com ambas as mãos. Suspirou. Ainda quieta, deixou o olhar e o pensamento irem longe, encarando a fumaça que saía do chá, sem dizer nada... por o que me pareceu uma eternidade.

Tá bom, então. E coloquei os pés apoiados contra a sua mesinha de centro, afundando-me também ao seu lado, e lá fiquei, enquanto a minha mente ociosa inevitavelmente encontrava o seu caminho até a Mia. Ah, a Mia. Um movimento da Marina, no entanto, e o meu foco voltou num piscar de olhos para a sala. Era a caneca, na verdade, que agora se movia lentamente até a sua boca para ganhar um sopro automático e um gole.

Olhei-a se mexer, ali, sem vontade alguma de existir e cansada. Voltou a caneca novamente sobre as pernas, agora só com uma das mãos segurando-a pela aba, e deslizei a minha mão até encontrar a sua outra, entrelaçando-se nos seus dedos e tentando confortá-la. Ela notou, sem dizer nada, e encarei nossas mãos junto a ela por alguns instantes quietos.

_É um saco, né?! – ela me olhou, perguntando, meio chateada.
_Sempre é – disse – mas sempre passa, Má.

24 comentários:

Dianna Montenegro disse...

Putz... sempre passa. Mas dói =[

Ai gente, que vontade de dar colo pra Marina o.o

Cris Ferreira disse...

Ainda pouco eu disse no Twitter:

Ainda bem que bons amigos são a melhor coisa do mundo!

Criss Hush

R. disse...

Nhaa, espero q a FM se controle e mantenha seus pensamentos na mia e longe da marina, nessa noite ela nao pode ser nada mais do q um ombro amigo pra ela
*abraça marina*
Bjs mel:*
Ps: ca estou eu fazendo loucuras via blackberry de novo haha

Anônimo disse...

Coitada da Marina
Mas cadê a Miaaaa ? :'(

Blog FAN-TÁS-TI-CO ! Parabéns :)

Amanda disse...

Acho linda também a amizade FM e Marina. Mais linda que a com o Fer, claro. Mas não acho que seja só amizade... Tem coisa que parece que nunca acaba de verdade, vai entender.
Mas acho que ela tem que se comportar, a FM. A Mia tá quietinha, eu espero, e a Marina já tá perturbada demais.
Quero mais!!

Clara disse...

É tão bonitinho como ela se importa com a Marina, como mesmo sem palavra nenhuma elas com certeza sabem o que a outra ta pensando. A amizade delas é demais.

Saudades da Mia já hahah

Pots ótimos pra variar, adoro essa riqueza de detalhes! Beijos

Catarina disse...

Putz... sempre passa. Mas dói =[ +1

Eu não acho que a FM tem que se comportar coisa nenhuma. Acho que ela tem que ficar com a Marina e ver que ainda mexe com ela. AAAAAAAAAAH, sei lá. AUSDHIAUSDHAS. Sinto que ainda vai ter muita história dessas duas pra contar.

Pri Araújo disse...

Amigo que é amigo não precisa dizer nada, ficar falando palavras de consolo e etc. A presença é o mais importante.

E a Devassa sempre infringindo as regulamentações de não fumar... Adoro! hahahaha

Ianca' disse...

Pra que falar?
muitas vezes precisei só da presença de pessoas que amo pra me sentir melhor, me sentir segura.. *-*
Quero mais Mel poxinha ><, muito saudade da Mia nesses posts, muita saudade, ela tá doente é? vai ter que esplicar isso *rum

A_LIPS disse...

Queria muito que essa história fosse real! Queria vê (fisicamente) a marina nessas horas..
apesar de encontrar tantas outras por ai no dia-a-dia =D

Monique Alberton disse...

Mel, quer me matar nessa espera looooooooonga?! :( Mas foi bom acordar cedo e, como rotina, vir aqui conferir e encontrar mais alguns posts! *-*

E que liiiiiiindo... >< adoro a Marina, e está me partindo o coração 'ver' ela assim, poxa :/ E a FM pelo menos dessa vez, tem que esquecer a Mia... Por uma noite! u.u

Como sempre, está maravilhoso o seu blog!

Pathy disse...

Fiquei o FDS sem net e hj venho aqui e o Blog já fez 1ano??!!
Parabéns.. suuperr Atrasado!! ^^

Voltando ao post.. Coitadinhaaa da Marinaaa!! Ainda bem que ela tem a FM pra consola-la.. =D
Eu só espero que a Devassa não ultrapasse o limite, Pq neh.. huahauhauh

P.S.: CadÊ a Mia Gostosa??!! *__*

Jamile disse...

quero que a FM pegue a Marina, só uma vezzzz, vai Mel :(

Anônimo disse...

To chorando com esse "sempre passa". Não aguente. =~

'duuda disse...

Putz... sempre passa. Mas dói =[ +1

ai mel, essa semana inteira sem posts foi tipo desesperadora D: hahaha
mas by the way, parabéns pelo 1 aninho e que venham muitos ainda *-*
e eu posso ir junto com a FM bater na ex da marina? posso né? oba :D hahaha
beijo

Anônimo disse...

Tá bom que a Marina é a maior gracinha mais Putz kd a Mia ...É tão tão aiii a FM e a Mia juntinhas tó c/ saudades.

cigarrosdebaunilha disse...

Putz... sempre passa. Mas dói =[ +2

Own, espero que a Marina fique bem logo logo e que a FM a ajude de verdade, seja como for que ela vá fazer isso. hahahah

Blog lindo ♥

P.S. Sinto falta da Mia também. :(

Bianca S. disse...

FM linda né, nhaw. Eu aposto que elas vão se pegar. E isso seria bom. Eu acho, hm. AUHAUAHUUAH

@CrazyQueen disse...

meu... é foda isso neh??

eu me sinto mal sempre, quando eu sou a consoladora e quando eu sou a consolada...
tsc tsc

Rayssa disse...

Psss todas contra a Bia? Então terei que defender a pobre, se ate os nardoni’s e o Bruno tiveram direito a defesa pq a Bia não teria?
Ou,super concordo com ela,o único erro dela foi terminar por MSN,mas vai? Por mais bizarro e insensível que isso pareça,já é uma coisa normal nessa era virtual,terminar por MSN,e-mail ate sms rs
Ta todo mundo vendo pelo lado da marina sofredora e Devassa “A” super amiga mimimi,mas ninguém ta vendo pelo lado da bia,poxa,marina seeeeeempre corria quando a amiga e EX namoradinha chamava.Vai?quem não teria ciúmes?E nem adianta falar que da ultima vez ela negou ir ao encontro da Devassa,pq uma recusa não justifica centenas de idas,e outra,a questão em si não é nem a devassa,é a disponibilidade da Marina pra atender a ex,mesmo que sejam só amigas agora,ainda assim. E tipo,ta nos sabíamos que não rola nada,mas ela não sabe,que nem a mia que ficou levemente enciumada,e a bia não sabia que ela a pediria em namoro e blabla, só digo que, Bia to com vc *-* se a Devassa te bater eu te levo pra dar DP humpf u_u
#TeamBia
#TeamMia
#TeamClara #VoltaClara

IPC: eu sei que escrevo muito,nao consigo eitar =[ damn!

Dea disse...

esse é o momento em que eu falo o que não pode acontecer: a Marina não vai perceber que gosta mesmo da FM e elas não vão se pegar. entendido o recado? better now. qualquer dia eu te ligo sem querer de novo, mas espero ouvir uma voz mais saudável, tá?

beijinhos =*

Anônimo disse...

uui
a marina é a minha favorita!
mas é MINHA! ahahhaha
a FM pode ficar com a mia.

Lu disse...

Concordo com a Rayssa! Cara, a Bia não tava afim, pô! ;P

Marina disse...

cadeiras são boas, o silencio e a espera q fazem das salas desconfortáveis ;D