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janeiro 16, 2011

Os Graus

Com os pés descalços, caminhei pelo piso do banheiro, um pé atrás do outro, lentamente. De um jeito estranho, notei, o chão não parecia tão frio contra os meus dedos. Sentia ambas as solas encostarem, alternadas e descobertas, numa superfície que mais parecia indiferente, dividindo a mesma temperatura que a delas. Estamos aqui há tempo demais. Acho que, àquela altura, a minha pele já havia absorvido todo o aspecto gelado – natural – dos ladrilhos brancos, se tornando igualmente desprovida de calor. Ou seria o contrário?

Teriam os nossos corpos expostos, em movimento e inquietos, esquentado cada canto daquele banheiro pequeno, escondido? As paredes, o vidro, o chão, a madeira da porta, tudo; a cada orgasmo sobre uma nova superfície. Ahh, com certeza, sorri, ao me apoiar na janelinha do outro lado do cômodo, prestes a acender um cigarro. Minha cabeça divagava, com a brasa já queimando, pensando sobre o piso não-tão-frio-assim e sobre os meus pés. A idéia do porquê me agradava.

Todo o resto do meu corpo estava descoberto, encostado na parede de ladrilhos, idênticos aos do chão e tão pouco destoantes da temperatura da minha pele. A luz continuava apagada, mas a luminosidade parecia ter crescido. Talvez alguma dessas janelas não estivesse acesa antes, calculei. Talvez fossem só os meus olhos que, com o passar do tempo, se acostumaram. Sei lá. Me virei e encarei a Mia, magnífica, deitada sem roupa alguma a poucos metros de mim. Traguei mais uma vez.

Ela encarava o teto sem pressa, distraída, com as costas nuas apoiadas contra o piso. Andei de volta até ela, ainda com o cigarro na mão, e me abaixei, deitando novamente ao seu lado. Apoiei minha cabeça no seu ombro e a abracei. Cara, isso é fácil demais. Eu gostava de sentir o seu calor na minha pele. Ela passou a mão pelo meu cabelo, ainda distraída, e eu levantei os olhos brevemente, vendo-a observar o teto sobre nós. Sentia um amor incontrolável por ela, era quase ridículo. Fica, por favor, pedi em silêncio, fica comigo.

_Você... – ela sussurrou, do nada – ...não pode fumar pra cá.
_Já vou, já vou...
_Vai acabar denunciando a gente... – ela riu.
_Eu sei, linda. Já to indo.

Me levantei e coloquei o cigarro novamente na boca, droga, andando de volta até a janelinha. Soltei a fumaça para o lado de fora e a observei se perder no céu paulistano. A cidade parecia tranqüila, que horas será que são? Já era tarde demais, com certeza. E como diabos eu volto pra casa agora?, pensei aleatoriamente, dando mais um trago, enquanto olhava as luzes de São Paulo ali do alto.

6 comentários:

Ma disse...

Obrigaaada por esse sábado!♥ hahahahah
Parabéns pelo pooost! ;*

francielli# disse...

a descrição do momento de felicidade e a expressão do sentimento estão demais...

xxxxxxxx disse...

sem um puto pila no bolso, em casa,último pito do beck.Kara viajo neste blog.

Letícia disse...

Muito bom, cada dia que passa me amarro mais no seu blog! *--*

disse...

Pqp, Mel... mto bom, como sempre. Ando ausente nos comentários, mas leio sempre, qndo posso e tenho tempo... comento. Tenho me visto nos teus textos, na angústia e na vontade da FM de querer iniciar uma relação sólida com a Mia e ñ poder, o pedido de "fica, por favor... fica cmgo" em silêncio é recorrente, assim como a cruel espera pra ouvir dela o... " sim, vou dar uma chance pra nós". É... acho q a dor da FM é mais comum q imaginamos, é a mesma dor, a nossa dor.

Monica disse...

dels

naum vou mentiir

esperei a descriçao completa do ato aí hahahaa (...)

enfiim...

ótimoo