Com os pés descalços, caminhei devagar pelo piso do banheiro, um
pé atrás do outro. O chão não parecia tão frio contra os meus dedos, notei. Estamos aqui há tempo demais. Talvez a
minha pele já tivesse absorvido todo o frio dos ladrilhos, se tornando progressivamente
desprovida de calor. Ou seria o
contrário? Teriam os nossos corpos expostos, em movimento, esquentado cada
canto daquele banheiro pequeno? As paredes, o vidro, o chão, a madeira da porta
– a cada orgasmo.
Sorri com a lembrança das últimas
horas.
E me apoiei na janelinha alta que ficava dentro do chuveiro. A minha
cabeça divagava, passeando pelas luzes dos prédios vizinhos. Todo o resto do
meu corpo estava descoberto, encostado na parede de azulejos brancos, dividindo
com eles a mesma temperatura da minha pele. Continuávamos escondidas ali, com a
luz apagada. Mas agora, com os olhos já habituados, eu podia ver tudo ao redor.
Me virei e encarei a Mia, deitada sem roupa alguma a poucos metros
de mim. O seu corpo todo desenhado, entre as linhas das tatuagens e as curvas
da sua pele. Traguei mais uma vez o cigarro. Ela encarava o teto, distraída, com
as costas apoiadas contra o piso seco de um box sem chuveiro. Andei de volta
até ela, com o cigarro ainda aceso, e deitei novamente ao seu lado. Apoiei a cabeça
no seu ombro, a abraçando. Eu e você,
garota. Isso é tão fácil. A Mia deslizou a mão pelo meu cabelo, meio à toa,
e eu levantei os olhos por um instante, observando-a ali. Uma angústia sussurrou
no meu peito. Fica, pedi em silêncio,
por favor, fica comigo. E fui tomada por um amor incontrolável, ali, com o corpo
colado no seu.
_Ei... – ela sussurrou, de repente – ...cê não pode fumar pra cá.
_Eu sei. Já vou, já vou...
_Vai acabar denunciando a gente... – ela riu.
_Eu sei, linda. Desculpa, já tô indo...
Me levantei e coloquei o cigarro na boca, andando de volta até a
janelinha. Soltei a fumaça para o lado de fora e observei conforme ela se desfazia
no céu paulistano. A cidade estava tranquila, que horas será que são? Já era tarde, com certeza. Como diabos vou voltar para casa?,
pensei aleatoriamente, dando mais um trago, enquanto olhava as luzes de São
Paulo ali do alto.
_Eu sei. Já vou, já vou...
_Vai acabar denunciando a gente... – ela riu.
_Eu sei, linda. Desculpa, já tô indo...
6 comentários:
Obrigaaada por esse sábado!♥ hahahahah
Parabéns pelo pooost! ;*
a descrição do momento de felicidade e a expressão do sentimento estão demais...
sem um puto pila no bolso, em casa,último pito do beck.Kara viajo neste blog.
Muito bom, cada dia que passa me amarro mais no seu blog! *--*
Pqp, Mel... mto bom, como sempre. Ando ausente nos comentários, mas leio sempre, qndo posso e tenho tempo... comento. Tenho me visto nos teus textos, na angústia e na vontade da FM de querer iniciar uma relação sólida com a Mia e ñ poder, o pedido de "fica, por favor... fica cmgo" em silêncio é recorrente, assim como a cruel espera pra ouvir dela o... " sim, vou dar uma chance pra nós". É... acho q a dor da FM é mais comum q imaginamos, é a mesma dor, a nossa dor.
dels
naum vou mentiir
esperei a descriçao completa do ato aí hahahaa (...)
enfiim...
ótimoo
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