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junho 21, 2012

Inconseqüências monetárias

_Tem?! – eu repeti, indignada, encarando-o já em pé.
_Não. Não tem. Não tem! – o Fernando gritou de volta, ofendido – Mas isto é problema meu, porra. Meu! Que você tá se metendo?!
_Ah, não. Não mesmo... – eu ri, revoltada – ...isto é problema nosso! Nosso!! E você sabe.
_Ah! E por isto você vai ficar controlando tudo o que eu faço de agora em diante?!? Vai à merda!! Meu, vai à merda mesmo!! Eu não preciso disto, cara!!
_E você vai ficar saindo todo dia então, estourando verba que não tem?! Porra, Fer, caralho. Não é assim!! Você tem que pensar no apê, meu, pensar em mim também, no que a gente paga junto...
_Mas, mano... Eu nem vou gastar, porra!! – ele berrou, com as mãos contra o rosto e irritado; aí me olhou, gesticulando – Não pago pra entrar, eu vou com os caras, caralho! Vou tomar só umas!
_Só que não interessa!! Não interessa quanto você “acha” que vai gastar, meu. É a sua atitude que tá errada!!
_Escuta aqui – ele se aproximou, puto –, quando a MERDA da conta cair pro seu lado, aí você vem abrir a matraca pra mim! Falou?! Se não, na boa, não precisa se incomodar...
_Ah! Se é assim, então por que eu não saio hoje também, hein?! Ou melhor: por que eu não saio e torro TODA a minha metade da “merda da conta” que eu não tenho que pagar já que você já, ohh, já tem TUDO resolvido mesmo, não é?!?
_Sai! Sai, então!! Sai! Faz o que você quiser da sua vida, inferno, eu não tô nem aí!!
_Vou! Vou sair mesmo! – gritei, já fora de mim de tanto nervoso, e ele me olhou sem paciência – Você é um babaca, cara! Um BABACA, Fernando!! Não me venha pedir grana quando você não tiver um PUTO pra pagar o chão que você pisa!
_Vai à merda! Você acha que eu vou te pedir dinheiro?!? – respondeu, conforme eu já voltava para dentro, puta da vida – Sai! Sai logo!! Vai lá, vai cuidar da sua vida!!

Filho da puta do caralho. Bati o pé apartamento adentro, me dirigindo ao mais longe que conseguia dele. Desgraçado, folgado de uma figa! Vem, vem então me pedir um tostão que seja agora, vem..., revirei os olhos, com ódio, ...você vai ver só. Soquei a parede do corredor com a lateral da mão. Argh! Uma das piores características minhas e do Fer sempre fora o nosso pavio curto, a inconsequência que rolava à solta dentro daquela casa. A nossa incapacidade de medir as palavras que saíam da nossa boca, os nossos “bons” modos.

Era sempre assim. Toda vez. Toda maldita vez! Nos irritávamos e nos ofendíamos, aí baixávamos o nível até insultarmos cada um dos nossos parentes mais irrelevantes por qualquer porcaria de discussão que começássemos. Não importava se era o aluguel ou se era uma louça suja esquecida por três dias no meio da sala. Eu perdia o controle, invariavelmente, e o meu coração subia à garganta de tanta raiva. Ele não ficava atrás, vermelho até a testa, soltando fumaça e chutando a primeira coisa que aparecia na frente. Quem não nos conhecia podia até se espantar, achar que nunca mais falaríamos um com o outro. Na saída, o Fer quase quebrou a porta – enquanto eu, na entrada, quase arrombei a minha.

_Levanta! – avisei grosseiramente à Clara, que dormia sem um traço de roupa ou consciência na cama, assim que cheguei no quarto – Levanta, a gente vai sair.
_Hum... quê, agora?! – ela me olhou por cima travesseiro como se eu fosse uma louca, descontrolada; eu já tirava a regata próxima ao armário.
_É. Agora, vai! Se o Fernando idiota acha que pode sair, então eu também posso... Você vem ou não?
_Vou, vou... – ela murmurou, rindo.

Trocamo-nos rapidamente, eu estava acelerada. A mil. E a Clara achava graça nisto. “Vocês parecem duas crianças, cara, na boa”, riu. Foda-se. Eu só não queria estar lá quando ele voltasse. Chame isto de orgulho, chame do que for. Emprestei-lhe uma camisa minha, a do Billy Idol, e uma calcinha limpa. Vesti os jeans que usara naquele mesmo dia na Augusta. E saímos para o corredor em menos de 5 minutos. Todavia, antes de deixar o apartamento, escrevi um bilhete “bem educado” para o Fernando e grudei com uma fita na porta de entrada. Vingança!

_E aí, se sente melhor agora? – a Clara ria por detrás do seu celular, apontado para mim, gravando o meu ato de rebeldia “pra lá” de maduro.
_Muito. Vem logo.

Fui na sua direção, abrindo a boca, como se comesse a câmera – e ela afastou o telefone para evitar possíveis danos. Ainda ria, no entanto. Vem comigo, garota. Chegamos ao elevador em poucos passos; e logo começamos a subir tranqüilas a rua do lado de fora, fazendo pouco caso do frio. O metrô não era tão longe. Descobrimos já frente ao caixa que a Clara estava sem troco nos bolsos, então paguei pelas duas entradas. Passamos as catracas ligeiras e esperamos, juntas, pelo próximo que passasse. Ela fazia graça sobre a linha no chão; e eu a assistia ainda na minha, sorrindo.

23:31. A estação abrigava animados grupos, como nós, de 20-e-tantos anos que apanhavam os últimos trens da noite. Tínhamos ainda que chegar até lá (lá, lá...) na Barra Funda – duas baldeações, bem pouco tempo. Já dentro do vagão, sentamos com os nossos pés apoiados nos bancos da frente e dividimos os fones do iPod dela durante todo o percurso. Trocamos de veículo. No segundo vagão da noite, a viagem era mais curta, então ficamos em pé. A Clara fazia sutis movimentos, dançando discreta ao som da música que escutávamos, e eu achava graça.  

Estávamos segurando no cano imundo, centralizado no corredor. Podia observá-la dançar para sempre, assim, cada um dos seus passos. Jolene, jolene, jolene. As suas mãos escorregavam pelo cilindro de metal, ela me olhava com a melhor cara de imprestável e ria. Eu ria também. I’m begging of you... please, don't take my man! – o Jack White cantava nos nossos ouvidos, numa trilha suja e imprestável. Apoiou-se contra o cano, pelo ombro, chegando perto o suficiente da minha boca. Um beijo, ou quase um. Hum, esperta... volta aqui, vai! Tornou a deslizar, no entanto, fazendo graça, antes que eu recebesse o meu beijo; as curvas da sua cintura desciam tentadoras no ar. Jolene, joleeene..., cantei junto então, entrando na brincadeira. E ela me acompanhou, cantávamos dramaticamente. Um teatro público.

Fez então que virava, meio de repente, esquecendo-se dos fones, e acabou toda enrolada. Presa na própria falta de atenção, ela riu, sem envergonhar-se. E ajudei-a a se desenroscar, besta você, hein..., rindo também. Os outros passageiros ignoravam as nossas risadas, altas. Por precaução, porém, guardamos o fone na terceira e mais breve das viagens, chegando logo à estação Barra Funda. Saímos na rua já à beira da meia-noite e pegamos um táxi até a casa da Lê, o que me custou mais alguns bons reais. Quem foi o infeliz que inventou a bandeira dois? Batemos na porta da casa modesta – e um pouco acabada – da Letícia e a Clara teve frio na barriga, ia conhecer minhas amigas. Podíamos ouvir a música alta vinda lá de dentro e eu reconheci o carro da Marina com outros dois – um era o corsa preto da Lê, o outro não sei – na garagem.

23 comentários:

Anônimo disse...

fernando, seu fdp!!!

Anônimo disse...

Amei a musica!! Não conhecia e li o post ouvindo... amei ameeei, tambem as duas juntas. CADA VEZ MELHOR.

Anônimo disse...

cada vez mais fofas, essas duas! e o Fer, maior manézão!

Anônimo disse...

Eita que o lance delas tá sério! A Clara vai até conhecer as amigas da FM, sinto que (a) proprietária desse ultimo carro desconhecido tem alguma coisa rsrsrsr Alguma ex problemática da FM será?! Supondo isso só pelo quê de mistério que eu senti entorno desse carro rsrsrs Enfim curti muito esse post. Quero só ver no que vai dar o próximo ;) Continua ae meu!

Anônimo disse...

Me explica como a FM e o Fer ainda não se mataram!?

E a Marina tá vindo aí! :D

Sara disse...

Marina, Clara, FM ♥ tudo junto no próximo! Chega logoo!!

Anônimo disse...

o tal carro podia ser da menina que a mia pegou e isso podia ser mencionado sem querer na festa! hahahaha

@carolcastr disse...

Conhecer as amigas é um passo importante... Kkk! E olha...até eu q sou #TeamMia to achando elas mt fofas! <3

Mélori disse...

De quem sera o outro carro? Mano eu gosto da Clara, massss toda complicacao da FM e Mia é instigante

Anônimo disse...

Que coisa mais linda, a Clara indo conhecer as amigas da Fm :3

jamile disse...

marina =D

Juliana Nadu disse...

Joleeeeeeeeeene... Joleeeeeene.. Joleene.. Joleeeene............. ahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh vc é foda!!

Esse post foi da ora!!Mas sinto uma "desculpa" aiiii no ar.... rsrs

♫ Your beauty is beyond compare
With flaming locks of auburn hair
With ivory skin and eyes of emerald green ♪ uhuuuuuulll \o/ =]

'duda disse...

meu, o fernando é muito sem noção, sério. otário! aiii que raivinha! hahahaha
e esse outro carro desconhecido hein? vai dar babado! hahahaha

Pathy disse...

Lá vem coisa boa por ae.. hihi
Marina, meu amorrrrrr ♥

Esk disse...

Eu ri da briga, só faltou o "belém, belém, nunca mais eu tô de bem!".
E essa Clara é uma linda mesmo, hem! *sigh*
#Claranoelencofixo apoiadíssimo! hahaha

Anônimo disse...

A Clara me encanta tanto mesmo torcendo pela Mia :)
Todas juntas no mesmo lugar muahauahmau quero só ver..

Babi disse...

Todo desprezo ao Fernando e todo amor à Clara. É isso.
hehehehe

Anônimo disse...

Fernando seu troxa! u.u
Sinto que muuuita coisa acontecerá ainda nessa festa....

Ianca' disse...

Fer babaca, Marina? liiiiiiiiinda

Anônimo disse...

Ceis ficam muito contra o fer e defendendo a fm, mas eles são mto parecidos!! Td bem que ele estourou, mas os dois estoraram. Deve ser um saco uma pessoa falar "ce nao vai sair!" se vc nao vai nem gastar nada... os dois brigam, mas eles se gostam!! Os dois foram grossos. Parem de xingar só o fer ou achar que foi tao absurdo! nem foi...

Marlise disse...

Esse seu blog vicia, sabia? é como uma série de tv... mais e mais e mais...
Vc escreve muito bem! Adoro1
Beijos

Bruna disse...

Po... cena mais lindinha das duas no metro mais que imaginada na minha cabeça!
Amei a música!

Gabriele disse...

own *-----* que lindas
Jolene, amo mas não sou LOL