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junho 23, 2012

Bullying

A expressão de surpresa da Lê, ao abrir a porta e deparar-se ali conosco, quase me fez sentir como se eu devesse ter ligado antes. Dado um jeito de ligar, sei lá. Fiz merda, a Marina falou demais e eu fiz merda de vir, pensei. Todavia, ela logo abriu um sorriso de orelha a orelha e me cumprimentou com um abraço violento, já notavelmente embriagada.

_Porra! Porra, mano!! Não sabia que você vinha, meu! – disse, em alto e bom som no meu ouvido. e se afastou, olhando para nós duas paradas ali, alternadamente – Que legal, cara... pô, que legal mesmo...
_Podia vir, né? – ri.
_Tá brincando?! Lógico!! Tentei te ligar a semana toda, porra; seu celular tava desligado. Te xinguei para meio mundo já porque você não tava aí!
_É, então... meu telefone tá no conserto, longa história. Mas e aí, que que tá rolando hoje?
_Como o que tá rolando?! – ela riu, me dando um tapa no alto da cabeça – É meu aniversário na terça, ô sua merdinha. Dá pra acreditar nesta mina, meu?! – ela me apontou para a Clara, ofendida.
_Foi mal, foi mal, foi mal... – eu me desculpei, a cabeça ainda abaixada.

E a Letícia, troglodita, partiu para cima de mim com os punhos fechados e me encheu de “socos” no estômago, na costela, argh. Bêbada maldita. “Nem um parabéns você ia me dar, né, nem um presente!”, ela ria, gritando. Durou seis ou sete segundos apenas, nem doeu também, mas eu dispensava completamente aquela demonstração caminhoneira de somos-sapatão-mesmo-e-a-gente-se-comporta-assim-normalmente bem em frente à Clara. Ótimo. Quando enfim me soltei da minha amiga, ultrajada pela minha memória de maconheira que deixava a desejar, a Lê virou-se à minha convidada e sorriu imprestável, “e você, quem é?”.

_Ah! Esta é a Clara. Você lembra dela, não... – eu fiz as devidas apresentações, ainda me recuperando – ...a gente se trombou aquele dia lá, na Calixto.
_Oi! Tudo bem?
_Ah, então é vocêêê, hum... – a Lê desafinou, rindo, e eu implorei mentalmente para que o comentário parasse aí; mas, não, é claro que não – ...essa aqui, meu, ó... – colocou o braço pesado ao redor do meu pescoço, argh, e eu dei um sorriso amarelo, envergonhada – ...essa aqui ficou toooda, toda quando te encontrou lá, cara. Não queria nem me falar teu nome! – a Clara achou graça e me olhou, eu quis morrer – Eu sabia! Sabia que tinha coisa! Sabia!! Voltou toooda apaixonadinha pro estúdio, ficou o resto do dia agindo esquisit...
_Tá bom, tá bom já! Chega!
_Quê?!
_Já deu, vamos. Se comporta, você! – apontei pra Lê e virei pra Clara – Vamos entrar, Bi, vem...

Puxei-a para longe da minha amiga claramente fora de si – e sem amor à vida, vadia de merda! –, que riu. Menos de três minutos aqui e eu já me arrependi de ter vindo, valeu hein. “Ah, não, mas eu tô achando interessantíssimo...”, a Clara ria também, defendendo-a, e eu a olhei com cara de você-só-pode-estar-brincando-né. Não, não. Estamos entrando, agora, vem. A Clara me seguiu, mas as duas ainda achavam graça, e nós passamos pelo corredor lateral da entrada da casa. Ali moravam a Lê e uma outra garota, uma amiga hétero. Que todas nós já havíamos, claro, em algum momento daqueles anos todos, tentado à nossa maneira “converter”. Uma castanho-arruivada com sardinhas, simpática, alguns anos mais velha que nós e nutricionista. Ana Maria.

_Aninha! – a cumprimentei e sorri, não a via há uns bons dois anos.
_That’s me! – ela riu, me abraçando de volta.

E então olhou para a Clara, curiosa.

_E esta moça, hun, quem seria?
_Clara, Ana. Ana, Clara.
_Prazer... – a Clara sorriu.
_Ó, cuidado com esta daqui, hein?

A Ana riu, avisando-a sobre mim. Me deixa só chegar antes? Respirar, talvez?, revirei os olhos. As duas riram. A Lê passou por trás de mim, dando outro tapa no topo da minha cabeça e achando graça da situação. “Agora você tá me achando menos ruim, né?”, cochichou no meu ouvido. “Não. E você não tá perdoada ainda!”, retruquei baixinho. A sala estava ocupada por umas sete ou oito garotas, espalhadas, todas conhecidas. A nata lésbica de São Paulo – ou assim gostávamos de pensar sobre nós mesmas, isto é. Uma oitava ou nona desconhecida acompanhava ainda a Paula, uma das garotas que estudaram com a Marina. Ah, é! A Marina..., passei os olhos pelo cômodo e não a vi.

14 comentários:

Mélori disse...

hahaha Muito tipica toda a situação, quero a Segunda parte =)

Anônimo disse...

Cade a Marina??? =(

Anônimo disse...

HAHAHAHAHAHA A LE EH GENIAL!!

Anônimo disse...

Hmmmm onde a Marina se meteu??
Coitadinha da FM sendo bulinada pelas amigas hauahsuahsua

Anônimo disse...

Eu rio MUITO quando tiram uma com a FM! E adorei a descrição do post, ficou leve e gostoso de ler. Legal ver ela com as amigas!! Saber mais da personagem, etc e tal.

Aléxia Carneiro disse...

marina marina marina marina marina marina marina marina marina marina marina marina marina marina marina marina marina s2

Anônimo disse...

kkkkkk aninha e le ~GANHAM~

livia_skw disse...

A (má) fama da FM é o melhor, HSUAHSUAS. Até as héteros sabem que ela não presta!

Anônimo disse...

Podia rolar algo com essa aninha aí...

Anônimo disse...

------ Daniela ------

Eí, ond sera q estar Marina. . .
A) Pegando alguem em algum outro canto?
B) Ta com algum problema estomacal no banheiro?
C) Ta falando ao telefone em outro comodo da casa?
D) Saiu pra comprar algo?
E) Tomou todas e desmaiu?

Cade a Marina? =/

Juliana Nadu disse...

hheehhehe

a Lê é muito legal! adoro ela!

=D

Anônimo disse...

"...mas eu dispensava completamente aquela demonstração caminhoneira de somos-sapatão-mesmo-e-a-gente-se-comporta-assim-normalmente em frente a Clara" HAHAHAHAHAHAHAHAHA #rialto

Ianca' disse...

Tadinha da FM, intimidade é foda mesmo ;x
Mel, não tô recordando aqui, mas a FM já falou da Clara pra Marina? hmmm

Juliana Nadu disse...

hahahaha "...mas eu dispensava completamente aquela demonstração caminhoneira de somos-sapatão-mesmo-e-a-gente-se-comporta-assim-normalmente em frente a Clara" HAHAHAHAHAHAHAHAHA #rialto²