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junho 17, 2012

No corredor

Os olhos dela fechados, os meus bastante despertos. Três, quatro rounds passados – e o sono não vinha nem por decreto. A luz acesa do corredor que entrava por debaixo da porta, porém, mostrava que eu não era a única. As horas anteriores – os toques, os orgasmos, as pernas, os fôlegos, os perdidos e os recuperados, os abraços, os braços, as mãos, as posições e os gemidos, os beijos, os beijos da Clara e as suas palavras, principalmente as palavras, cada uma das suas palavras, os seus olhos, a sua boca, as maneiras argentinas, as risadas, os sorrisos, os dentes, a força, a indecência, as mordidas e as línguas, os dedos, a profundidade, os maus modos, os gostos, as costas, as unhas, os gestos, os rounds, o primeiro, o segundo, a promessa do quinto, a promessa futura de contentamento – não saíam da minha cabeça. Que horas será que são? A minha mente estava inquieta.

Umas onze, se eu tivesse que adivinhar. Eu levantei com cuidado, atravessando o quarto na ponta dos pés para não acordá-la, indo até o armário. Peguei uma calça velha de pijama e vesti a primeira regata que encontrei. Fechei a porta cautelosamente, em silêncio. Andei pelo corredor aceso e, ao contrário do que imaginei, a sala estava vazia. Ninguém. Apenas o celular do Fer sobre a mesinha de centro, um cigarro apagado no cinzeiro e a porta do seu quarto fechada. O idiota ainda deixou a TV ligada, observei e a desliguei antes de me dirigir à cozinha.

De todo caos restante da festa, aquele cômodo acumulara o pior dele. Desviei das latinhas e garrafas vazias espalhadas, odiando o meu colega de apartamento inútil por não ter arrumado nada naquela tarde. Busquei na geladeira uma cerveja e abri a long neck desajeitadamente com a mão, machucando de leve a minha palma. Ótimo, hunf, revirei os olhos, mais um para a conta. A Clara já tinha, pouco mais cedo, deixado duas mordidas no alto da minha cintura e costas. Era aficionada por fazê-las; desde que voltáramos, o meu corpo parecia um campo de batalha. E não que eu esteja reclamando, isto é..., sorri sozinha.

Pensei, por um momento, nela dormindo no meu quarto; encostada contra a mesa da cozinha. Bebi enquanto refletia. De alguma forma, um sentimento positivo ficara em mim desde aquela conversa no fim da tarde. É. Hum, dei outro gole, e senti uma vontade impulsiva de falar com a Marina. Olhei para o relógio pendurado na parede. São 23:14 – não está tarde ainda. É sábado. Desencostei então da mesa e voltei para a sala, pegando o celular do Fernando que vi, antes, emprestado. Digitei rapidamente o telefone dela – o único que eu sabia de cabeça, além dos do Gui e do próprio Fer. E a Marina atendeu.

_Má? – saí pela entrada do apê, descalça; pro corredor do prédio – Sou eu, te acordei?
_Ah! Oi, flor! Não. Nossa... de onde você tá ligando?!
_Eu...

Sentei no chão próxima à porta, encostada contra a parede.

_...tô sem celular, este é do Fer. Você pode falar?
_Posso, estou só terminando de me arrumar. Vou indo lá pra Lê daqui a pouco, você vai, né? Precisa de carona?!
_Não. Nossa, nem tava sabendo! Que tem na Lê hoje?! Ninguém me avisou; na real, fiquei desconectada a semana inteira, cara... uma merda! – tomei outro gole e prossegui – E, de qualquer forma, nem rola... tô sem grana pra sair, a gente tá duro. O Fer perdeu o emprego.
_Você tá brincando?! Quando isto??
_No começo da semana... mas não, não era isto que eu queria falar.

Dei mais um gole e apoiei o antebraço no joelho dobrado, pendendo a garrafa entre as minhas pernas, solta no ar.

_Hum... – a Marina soava como se, de fato, estivesse ocupada arrumando a roupa ou algo assim – E o que era?!
_Conversei com a Clara hoje, mais cedo. A gente foi na Ouro Fino ver umas roupas, eu fui com ela, e aí acabamos conversando sobre... nós duas, tipo, pela primeira vez. Depois a gente voltou pro apê e conversamos mais aqui. Não sei, Má. Eu estou muito feliz, sabe, com ela. E, sei lá, eu não ficava assim há muito tempo...
_Nossa! Mas, mas isto é ótimo!! – ela pareceu pular de alegria, do outro lado – E então qual é o problema?
_Nenhum – eu ri –, só queria te contar. Falar pra alguém, sei lá.
_Você falou isto para ela?
_Falei. Quer dizer, mais ou menos. Meio por cima, mas, mas falei... – a Marina reprovou-me com um “hum” discreto; ri e tomei outro gole – Eu... acho que pode dar mesmo certo com ela, Má. E, cara, sabe quanto tempo faz que eu não penso isto? De alguém, de qualquer mina?!
_Sei. Lógico que sei... meia São Paulo sabe.
_Então, e esta é a questão, meu. Ela não liga! Não tá nem aí, cara. Nós somos muito parecidas! E na cama, mano... puta merda. Má, eu não sei nem como te falar. PUTA MERDA! Sempre foi, né, meu. Desde o começo, a gente se entende muito bem. Ela é demais, demais. E não sei, este lance com a Mia fodeu a minha cabeça...
_Ah! Que lindas! Lindas! – parecia sorrir do outro lado da linha; eu ri ainda mais – Mas e aí, e a Mia? Como vocês estão? Tudo bem??
_Não sei. Hoje de manhã, rolou alguma coisa. Tipo, teve uma festa ontem aqui e nós duas ficamos muito bêbadas, muito, daí rolou um monte de coisa. E aí hoje, eu acordei, e ela tava lá. Conversou comigo, ela tá num momento diferente. Acho que quer alguma coisa. Mas, não sei, o dia parece que virou ao contrário depois, sabe?! No resto dia. E eu estou pensando muito na Clar...

De repente, a porta abriu bruscamente, a alguns metros de onde eu estava, e eu ergui os olhos. O Fernando. Me encarou, estressado, como se estivesse atrasado para algum lugar, e veio na minha direção já com a mão esticada.

_Meu celular! Tá com você, caralho. Eu tava procurando!  
_Peraí, linda... só um segundo... – pedi para a Marina e abaixei o aparelho, olhando para ele parado em pé na minha frente – Mano, precisa ser agora? Agora? Eu tô sem o meu, cara, peguei rapidinho. Já devolvo!
_Não, porra, preciso sair. Dá aí!
_Sair?? Onde você vai?!
_No Carniceria, com os moleques.

Você só pode estar brincando. Coloquei o telefone mais uma vez no ouvido e disse à Marina que passava na sua casa no dia seguinte, terminaríamos a conversa lá. Rapidamente, ouvi-a dizer mais uma vez que estava feliz em saber de tudo aquilo, o que eu faria sem você, bonita?, e eu sorri, desligando logo em seguida. Não entreguei, contudo, o aparelho para o Fer e coloquei a mão com o celular para trás do ombro. O cotovelo apoiado na perna. Olhei-o, brava.

_Como assim você vai sair? Cê tá louco, com que grana cê vai pagar?!
_Ah! Qual é?! Vai virar minha mãe agora?
_Aparentemente, né... se sou eu quem vai pagar o aluguel do bebezão! – levantei a voz, já indignada com a postura dele – Fer, mano. Eu sei que ainda falta meio mês, mas... na boa, se você acha que eu vou bancar tudo da casa pra você ir fazer festa todos os dias da porra da semana, cara, você tá muito enganado. Eu não sou milionária, ninguém aqui é. Eu também tô deixando de sair...
_E eu pedi pra você bancar alguma coisa, porra?! – ele gritou, irritado com o confronto e sem saber lidar bem com aquilo.
_Ah! E você acha então que tem dinheiro sobrando?!?

Folgado. Levantei do chão, puta da vida.

21 comentários:

@livia_skw disse...

FM apaixonadinha pela Clara, será que isso presta?

Nah disse...

Nhaa to adorando a Clara... O Fer ta me irritando --'

Anônimo disse...

E a Mia já foi né?! Senti vontade de bater no Fernando ¬¬ Odeio irresponsabilidade, argh.
E a minha Marina *-------* Tão linda, tão Má <3 Ainda bem que a FM vai passar lá, adoro o apê da Marina, me dá paz, a FM parece segura lá e tal. Post muito doce ;D

Gabi disse...

Nossa, escrotão o Fer!
Devia tá puto com alguma coisa...talvez tenha brigado com a Mia (isso seria bom)...
Mas mesmo assim merecia um tapa, pra ver se acorda pra vida

Anônimo disse...

Nina <3

Anônimo disse...

OOW, haha, sinto que o fer vai se ferrar agora. Bem que a FM, podia ir morar sozinha né, em uma kitnet sei lá.

Assim, ela poderia ter a mia a hora que ela quisesse.

Mariannaes, SC

Anônimo disse...

Já vi que essa falta de grana no apê vai causar problemas de convívio entre os dois hein! E a FM e a Clara? A FM tá mesmo curtindo as coisas entre elas hein?! E meu quando a Mia vai aparecer de novo?! Quero ver mais crises de ciúmes SHIASH Tá ótimo Mel! Continua por favor.

Ketlen K disse...

Fer, why so filho da puta?

Bibi disse...

VIIIISHHH

Anônimo disse...

Cara, o Fernando é um idiota de primeira. A FM podia expulsá-lo do apê, só acho.

Anônimo disse...

Hu-huuuummm...
FM pensando em se acomodar com Clara, sem deixar de estar ligadíssima na Mia, e o Fer aprontando.
Estou achando que Mia vai encher, dar um chega pra lá no Fer e investir na FM, que tal?
Só pra bagunçar tudo...kkkkkkk
Muito bom, Mel!

Anônimo disse...

sinto q a mia deu um pé na bunda do fer e ele saiu puto pra beber com os amigos e esquecer. huhu

Babi disse...

Por que os homens precisam ser tão homens???
Aff! Crianções!
Marina linda de volta e os rounds como destaque d'o que vc mais gostou no post!"
=D

c' disse...

Alguem da uma porrada no Fernando. Eu hein, muleqe babaca. Ainda bem que ele só existe no blogger. Odeio algumas atitudes dele.
Marina linda de volta. Adoro esses posts que ela aparece.
Será que a fm vai dar um tempo na vida de pista? Será? Será?

Anônimo disse...

Primeiro parágrafo: mtaa imaginação (6)
Marina: me traz mta segurança. Ela é a sensatez na vida da FM.
Fernando: ¬¬
FM: continua incógnita. Meu, afinal, o q vc quer????
E blog: amor d+!

Dea disse...

será esse o motivo da grande briga que fará com Gabriel e Fernanda Maria deixem de morar juntos? porque seria um belo motivo pra mim. DE-TES-TO gente folgada num TANTO! enfim... olha lá a Marina alter-ego. tou falando! a FM tava lá, buscando sentir que aquela conversa com a Clara realmente a tivesse tocado de uma forma diferente. daí ligou pra Marina!

e o começo do post: CA-RÁ-LE-O. passou tanta coisa pela minha cabeça que já nem sei mais. precisei me concentrar pra ler o restante do post, hahahahaha!

Roberta disse...

Ai que coisa linda Mel <3
O começo do post foi tão perfeito! Não que o resto não tenha sido, rsrsrs, ta lindo o blog, nossa, mesmo torcendo pra Mia, faço gosto da FM feliz com a Clara ♥

ohana sanvés. disse...

poooooooooorra que esse começo de post tá foda e esse final tá tenso.

Anônimo disse...

FEr deve ter ouvido a conversa da FM com a Ma e deduzido que estavam falando da Mia tbm....
E as coisas com a Clara estão tão lindas... :)

Anônimo disse...

Um motivo frequente pra foder relações: money $$ kkkk
Ficar sem grana, sem emprego (como o Fer) é foda. Mina a auto-estima e até o modo de relacionar oom o mundo...
Duro para o Fer.

'duda disse...

mariiiiina te amo sua linda <3 hahahaha
e fer, afffff né querido u.u