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março 15, 2011

Bar de esquina

Você só pode estar brincando, né..., me frustrei ao olhar para frente e ver a Marina atravessando a rua acompanhada, em frente ao Ibotirama; ambas vindo na minha direção. Merda. Traguei mais uma vez o meu cigarro já quase acabado, sentada num boteco do outro lado da calçada, e encarei a garota de mãos dadas com ela, uma morena de cabelo curtinho, mais ou menos do meu tamanho, com cara de sapatão, ...cara, era só o que me faltava.

Ela estava de jeans e uma regatinha branca, deixando à mostra uma tatuagem fina ao redor de um dos braços, a um palmo dos ombros. Tinha o corpo fino e bem-definido, eu a estava odiando antes de sequer ver de perto. A Marina só pode ter merda na cabeça para trazer essa garota aqui..., soltei a fumaça para o lado, sem tirar os olhos das duas, que só agora chegavam ao meu lado da calçada. Inferno. A tapada da minha ex-namorada, por sua vez, vinha num shorts verde-musgo, de sandália rasteira e uma blusinha branca, toda verão... estava bonita, com o cabelo castanho solto.  

_Meu, está impossível estacionar... – a Marina comentou e sorriu ao me ver – ...oi.
_Você parou muito longe? – perguntei, meio por perguntar.
_Não, mas foi difícil conseguir lugar, né? – ela se virou para a menina, em busca de validação, numa intimidade repugnante – Ah! Essa é a Bia... – aham, jura? – ...enfim vocês se conheceram!
_Então você é a famosa, hein... – ela me olhou, simpática, colocando a mão delicadamente na parte de baixo das costas da Marina e eu soltei a fumaça que acabara de tragar.
_E aí... beleza?! – disse, meio indiferente, só para não deixá-la no vácuo.

O clima ficou estranho, um breve silêncio se seguiu, mas elas pareceram ignorar. Isso é culpa minha, mano..., traguei mais uma vez, detestando aquele fim de tarde de sábado, enquanto elas se sentavam, juntando-se a mim numa mesa a umas quatro quadras de casa, ...não devia ter insistido para ela no telefone, não devia. Meu humor estava péssimo. A Mia ainda não havia me respondido e a última coisa que eu queria, agora, era contar todo o desenrolar daquela tarde de merda para a Marina, vulnerável, com a droga da sua namoradinha do lado. Como se eu já não me sentisse mal o suficiente..., observei a garota e ela cruzou o olhar comigo; aí dei um sorriso amarelo, breve.

Mal haviam se sentado, contudo, e a Bia perguntou para a Marina se ia querer algo para beber, aí levantou para chamar o garçom do lado de dentro por uma das janelas mais abaixo na calçada, a alguns passos dali. A olhei levantar da cadeira, agora de costas para nós, e imediatamente lancei um olhar de onde -diabos-você-estava-com-a-cabeça para a Marina, do outro lado da mesa. Aquela situação era ridícula, completamente desnecessária e absurda, e ela sabia. “Seja simpática”, ela disse em silêncio, li nos seus lábios, me encarando de volta da mesma forma que a minha mãe me encararia há quinze anos se eu estivesse me descomportando.

Maldição.

A tal da Bia sentou-se novamente na mesa, sem ter percebido e sorriu para a Marina, olhando-a. Eu desviei o olhar, com certo desgosto, pegando o meu copo semi-cheio de cerveja e apagando o restinho do cigarro na madeira. Dei um gole, as duas ainda se olhavam, vi através do fundo de vidro; aí dei mais um e depois outro. Enfim, pararam. O meu copo estava vazio, me pus a enchê-lo com uma garrafa de Itaipava sobre a mesa e a Marina agora me encarava como se esperasse a grande história da vez. O sol abafava o ar ao redor, refletido na calçada; estava calor.

Mesmo incomodada, comecei a lhe contar tudo o que acontecera desde aquela quarta-feira – o encontro dos dois, o Vegas, a loira, os garotos em casa, a Mia com o Fer, eu no sofá, a briga no dia seguinte, nossa conversa no quarto, o elevador e o meu eu-te-amo fora de hora... –, a Marina ouvia tudo atentamente, curiosa. A sua namoradinha também, argh. Aquilo, aliás, me desconfortou o tempo inteiro, a cada segundo, tirando o peso das minhas palavras. Não me sentia tão triste como achei que me sentiria ao pronunciá-las, ao reviver cada minuto daquele lixo de tarde. De certa forma, o meu incômodo atual parecia ofuscar o meu abatimento por tudo aquilo – foi até que fácil falar a respeito, quem diria.

_E até agora nenhuma mensagem dela? – a Marina me olhou, chateada.
_Não... ela não vai responder, Má, eu já sei bem como isso funciona. Aliás, você também sabe... ela, ela não quer lidar com essa porra toda. E eu... eu não vou ficar esperando...
_Mas...
_Não... – interrompi por um segundo o que ela ia dizer e passei as mãos no rosto, sentindo aquilo me apertar, de repente, aí admiti – ...eu vou. Eu sei que eu vou. Eu vou esperar, meu... que inferno! Mas que situação de merda... – xinguei, me odiando por estar tão à mercê da Mia, e enchi meu copo com a segunda garrafa de cerveja da mesa.
_Meu, pára, larga mão dessa garota... – a namorada até-então-muda resolveu se intrometer, do nada, que mina idiota.
_“Essa garota”...? – eu ri, achando ridículo.
_Linda, me escuta, ela... – a Marina olhou na direção da Bia enquanto falava, reprovando o seu comentário desnecessário – ...a Mia, ela... está se sentindo culpada demais. Ela vai ir atrás do Fernando, meu, você sabe disso. Vai querer se redimir, sei lá. E o que você vai fazer? Você não pode ficar aí sofrendo pelos cantos, se machucando, essa confusão toda já te colocou pra baixo demais... eu nunca te vi assim, meu... – a Marina segurou a minha mão, com um olhar de pena insuportável, e eu só deixei porque a tal da Bia estava de olho, talvez meio enciumada – ...talvez seja a, sabe, a hora de você não esperar tanto assim dela. A Mia é complicada demais para você ficar se magoando assim, meu. Ela ainda precisa se resolver direito e...
_Eu sei, mas ela... Má, ela sente alguma coisa por mim. Eu sei que sente! O que eu vou fazer, porra?!? – me exaltei, inquieta – Dar as costas pra isso logo agora que... que a gente estava chegando em algum lugar?!? É a Mia... a minha Mia, caralho. Não foi você que disse que ela precisava de... de alguém para ir lá e pegar ela pela mão?! Hein?!? Que eu tinha que ter paciência e que...
_Foi, foi – ela me cortou – só que, gata, que segurança maior você poderia dar pra ela? Você já disse que está apaixonada, ela sabe que pode confiar em você, que você vai estar lá pra ela e se a resposta não foi imediata, se na hora ela nã... – a Marina hesitou, parecendo medir suas palavras – ...escuta, se isso não fez diferença, você amar ela ou não; se não aliviou a confusão em que ela tá, meu... – interrompeu de novo e suspirou, depois prosseguiu – ...sabe, deveria ter sido diferente, a essa altura. Eu só acho que ela ainda está muito presa ao Fer, ela ainda ama ele demais pra...
_Não... não.
_Quer ouvir?! – ela brigou comigo e eu cruzei os braços, intragável, ouvindo aquela merda a contragosto – Não estou dizendo que ela não sente nada por você... é claro que sente! Mas... não sei se sobrou mais alguma coisa para você fazer, entende? Meu, você pode até esperar a poeira abaixar, mas eu acho que ela está se sentindo culpada demais para assumir o que vocês têm agora. Não acho que ela vai voltar pra você tão cedo, linda.
_Eu espero. Eu espero, porra! – argumentei, incomodada – Eu já não esperei antes, caralho?!
_É diferente, você já tá envolvida demais agora, meu, você vai...
_O que?! Me machucar?!? – ah, que novidade...
_Não faz isso, flor. Não fala assim, por favor.

E faço o que, então?!

15 comentários:

fazneime disse...

Tadinha da FM :/
Obs: Meu Deus essa Marina e igualzinha eu e minha ex PQP' UAHSUAHSUHAUSH'

Ma disse...

Que post calminhooo comparado aos outros, gente! hahahaha
Consequência de ter a serenidade da Marina nele? Hahaha
Aliás, estava com saudades dela aparecendo! :) e é.. Mia nem respondeu ainda! :( achei que teria a maior surpresa do mundo.. A Mia respondia, dizia que estava no portão do prédio e a FM descia e sonhei. Hahahaha to tão ansiosa por causa desses últimos posts que pra mim a história já estaria por aí! Hahahaha mas foi ÓTIMO a Marina ter aparecido e falado pra FM tipooos "acorda, mulher! Nunca te vi assim" senão eeeu aparecia e falava isso pra ela, ok? hahahaha

Aai, adorei!
Parabéns, Mel! :*

Monica disse...

Nuoss... soh eu axei que a Marina tah tratando a FM como autista? AHAHHAHAHA


e essa Bia intao?...

butch chata do caraleo rs

aguardandoo (...)

BGS

Carol Carriel disse...

Pow Marina levar a sua mina pra uma conversa de amiga não rende em -.-

Mano a Mia deve ta super confusa .-.

jamile disse...

marina bonitinha de porto seguro da FM =))

Cintia disse...

Caralho a Marina finalmente apareceu de novo HSIUAH E acho que ela tem razão em tudo que disse. A FM é muito teimosa, fazer o que se todos os apaixonados são burrinhos e cegos né?! Mas ela devia tentar sair dessa confusão. É praticamente masoquismo isso.

Clara disse...

A FM influência qualquer um (que lê) a pensar que a Mia é perfeita mesmo mostrando todos os problemas que envolvem ela, pqp

Dea disse...

post saído do forno... hot hot! isso vai dar tanto pano pra manda que tou vendo que minha música vai ser só daqui uns 20 posts, hunf.

eu gosto da Marina e quero casar com ela. não gosto da Bia. ela é tosca. e a FM é a FM, né... (L)

Anônimo disse...

Preciso deixar quero que eu quero a Marina pra mim. FATO.

Tá lindo o post Mel, e a FM precisa dar mais ouvidos a Marina...
tudo bem que eu faria igualzinho ela... hahah

Anônimo disse...

Nossa,eu até sonhei com o post anterior,parecia filme :p

Vi disse...

A Mia tem que responder esse sms AGORA! Não precisa dizer que também ama, mas sumir depois da declaração da FM é demais pra história toda. #RespondeMia.

Anônimo disse...

senta e chora.

Letícia disse...

Nossa Nossa Nossa, que confusão! KSPAOSKA. chorei!

Pathy disse...

Merda.. a FM só vai sofrer daqui pra frente??!! =/

AAAAAhhhh Marina.. s2

Marina disse...

"E faço o que então?!"
-Então morre diabo, morre!
A única coisa boa dessa dor de corno da FM são as aparições da Marina *_*
Até agora não vi uma pessoa aqui que não goste dela =D