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março 12, 2011

Estaticidade lenta

Parada, em pé no meio do corredor, olhei a porta do elevador se fechar lentamente. Não, não, meu... A Mia estava do outro lado, apoiada contra uma das suas paredes, mas não me encarava de volta, de cabeça abaixada. Inferno. Os meus olhos não desviavam dos dela, contudo; mesmo que não me visse ali. Ainda que a porta estivesse prestes a se fechar por completo. Não faz isso, por favor... Cara, aquilo estava acabando comigo antes mesmo de acabar. Antes daquela porra daquele elevador descer e levá-la embora, de vez, sem me dizer uma palavra. Nada, isto é, além de um “eu preciso ir” covarde e inseguro, murmurado sem determinação, tropeçando em suas próprias sílabas. É só isso que você tem pra me dizer? Só isso mesmo?!, o meu coração se apertava ao olhá-la ir, me sentindo uma idiota completa. Maldição. Quando foi que eu perdi a noção do jogo, dessa merda de jogo?! Nenhuma reação, nada. Fui encarada por segundos a fio, inquieta, nos instantes anteriores, até ela se dar conta do que eu realmente estava falando e se meter naquele elevador, cuja porta agora se fechava diante do meu rosto. Eu estava muda, atônita. De repente, contra a minha vontade. Ahh, como queria lhe dizer; como queria impedir que aquela fresta se fechasse; enfiar a mão ali, do nada, parar, não deixar que ela se escondesse, que evitasse as minhas palavras, a droga da minha declaração mal-sucedida. Qualquer coisa, porra. Me fala qualquer coisa! Me manda à merda, diz que não me ama, mas fala..., eu a observava, conforme os últimos dez centímetros de vão entre as portas do elevador se reduziam de maneira inevitável, ... não me deixa aqui, meu, não vira as costas. A verdade é que sempre levei a minha vida de forma a validar a teoria de que, se ignorar algo o suficiente, eventualmente essa coisa desaparece. Seja uma garota apaixonada, deixando dezenas de ligações não-atendidas no meu celular, ou um problema qualquer no trabalho. Mas desta vez, para variar, só uma vez, era eu que estava implorando por um pouco de comportamento neurótico feminino, um clássico vamos-conversar-sobre-isso; desesperada por um overtalking-it. Aí olhava-a, olhava-a como se só isso fosse o suficiente para fazer aquela porra daquela porta parar, olhava-a como se o peso contido no meu par de íris fosse capaz de segurá-la ali por mais alguns instantes – e talvez fosse, de fato, se a Mia levantasse o rosto e as notasse. Só que não olhou. Não olhou. Droga, mil vezes droga, senti vontade de chorar, num impulso que não era meu. Não, isso não... não vou perder a cabeça. Senti me apertar, no segundo em que vi aquela porta se fechar, e meu coração foi invadido por onda intensa, insuportável de arrependimento. Ou um quase arrependimento, sei lá. Estava mais para uma dor, uma mágoa aguda por não poder controlar o mundo e as conseqüências do que era dito pela minha boca, desgraçada. Engoli seco. Inferno.

Bati a porta do apartamento, com força, atrás de mim, me sentindo prestes a desmoronar. O Fernando continuava lá dentro, podia sentir o cheiro do baseado queimando, vindo do corredor – me lembrando, só por existir, é claro, do quão insignificante eu podia ser para uma garota. A minha garota, que droga. Com raiva, frustrada com aquela tarde, me tranquei no meu quarto. Não queria ver o mundo por um mês. Foda-se, foda-se tudo, pensei, mas não conseguia me aquietar, andando de um lado para o outro. Após alguns minutos de auto-tortura sem fundamento, apoiei a cabeça contra o vidro da janela e fechei os olhos, respirando fundo. Por que eu fui falar?!, suspirei, sem conseguir me conter, por que eu fui assustar a porra da menina?!? Ela foi hétero a vida toda, caralho... eu sou uma idiota mesmo, não me conformava, uma novata do cacete. Aquilo ia me tirar a paz, o sono. Desgraça. Apanhei um cigarro em cima da mesa do computador e o acendi, na tentativa de me acalmar. Foi quando escutei o meu celular tocar. Uma mensagem, notei, e a abri. “Vc me ama mesmo, de verdade?”, a Mia estava perguntando, poucos minutos após deixar o prédio. Podia ter previsto essa... Traguei uma vez, soltando a fumaça, e digitei. “Amo.” – enviei de volta, na mesma hora, sem hesitar. Saí da caixa de entrada, apertando o botão de retorno no canto, e deixei o celular sobre o parapeito da janela, largado ali. Aí apoiei ambos os antebraços contra o vidro e olhei para fora, observei a rua. Eu sabia que ela não ia responder.

34 comentários:

MandyM disse...

Fooooda! *-* Eu comecei a ler o blog faz umas duas semanas, mas agora tô no ritmo dos posts!

Tô adorando.. a escrita e a sua trilha sonora!
\o

isa detter disse...

aaaawn adorei o post mas fiquei triste pela FM agora... posta maaais!!
beijoos!

Clara disse...

PQP. A Mia ama ela também.

S. disse...

A cada frase a minha respiração fica suspensa... E depois, no final, fico com vontade de ler mais. Aaaaahhh!

Muito bom mesmo *.*

Anônimo disse...

PQP. A Mia ama ela também. [+1] TBM ACHO!!! Senão ñ teria mandando essa msg!


Mel, vc é d++!!

Anônimo disse...

Ai. eu choro.

Náh disse...

Saber quq ela não vai responde acaba com qualquer pessoaa.. Imagine a cabeça da Mia..hahaha, bem feito quem mada sair dizendo por ai que ama o Fer..

Devasse quase senti a dor da Fm,rss.. Lindo como sempree!

Ma disse...

I-N-C-R-Í-V-E-L! Puta merda, que post foi esse? hahahaha ameeeeeeeeeeei! ♥♥♥
Nossa. Nossa, to sem palavras. Como vc consegue virar a história toda assim sendo sutil? Meu, muito bom!
Bem que a Mia podia responder a mensagem. E não duvido não.. Do jeito que tudo tá me surpreendendo! Hahahahaha E o Fernando vegetando no sofá por mais uns três posts? Nem ligaria, hein.. Hahahahaha
Parabéns, Mel.

thereza ohana disse...

tenso tenso tenso. e ansiedade louca para os próximos posts *OO*

É isso ae ... disse...

nossa, muito bom, to adorando *----*
leio o blog desde o ano passado e não me canso de ler tudo de novo, over and over again :'D

M.D. disse...

FODA! Quando vc posta até esqueço a espera... Quero mais, quero mais!!!

Anônimo disse...

pega a loira.
that's all i gotta say.

Carol Carriel disse...

PQP
Esse post valeu a minha noite de
sabado *--*
mano, ta muito foda -o/

Anônimo disse...

"Damn, damn, damn, What I'd do to have you, Here, here, here, I wish you were here.."

Agora só resta a FM esperar.
E nós também.
Quero post novo o mais rápido possível.

Gabriele disse...

essa semana foi pura desilusão nos romances lésbicos fictícios,primeiro em glee agora aqui :( responde logo mia,porra!!
gFM tão tão fofa *_*

Anônimo disse...

Ah, uma graça de post, fofo, mas nao aguento mais a TGFM se ferrando direto! To sofrendo aqui. Nao consigo confiar na Mia.
bjs
Ju T

Anônimo disse...

Final perfeito ! Sério, que puta injustiça, além de genial em tudo que escreve, é linda e gosta de meninas ai ai ! hahah

Mari disse...

Mel, sua linda! sem comentários pro blog, pra esse post, pra você...ta tudo lindo

Anônimo disse...

Mia please responde

fazneime disse...

Nossa senti agora oq a FM sentiu PQP MIA AUHSAUHS'

MEEEEEEEL PROXIMO POST LOGO POR FAVOR .

Marina disse...

Mia não ama ninguem e de tanto que ela já pegou a FM esqueci que ela um dia foi hetero

Anônimo disse...

Mel, adoro seu blog, gosto tanto que observei um erro de gravação,rs:

Março 10,2011
_Não é?! Me explica então, porra, que parte é diferente?!?
_Mano, sério...; ele passou por mim, encerrando a conversa e indo para o corredor; ...não se mete.
Vi-o fechar a porta do quarto, logo em seguida.
Março 12,2011
Bati a porta do apartamento, com força, atrás de mim, me sentindo prestes a desmoronar. O Fernando continuava sentado na poltrona da sala, o baseado na mão, me ignorando.

Bjo

( the girl fucking Mia ) disse...

Anônimo lindo, obrigada! :)

Não era só um erro de continuidade, era um erro tremendo hahaha Escrevi o último post na correria, sem ler o anterior e, né, às vezes acontece... Sou desmemoriada. Muitíssimo obrigada por avisar, meu!

Já mudei esse trecho, valeu!
Um beijo e obrigada a todos pelos comentários :D :D

Cintia disse...

Caralho, alguns dias sem entrar na net e já vejo três novos posts super fodas! Meu mnuito curiosa pra saber o que vai acontecer daqui pra frente, sério. O que a Mia vai fazer, o Fer a FM. Ahazou nesses ultimos posts Mel.

Anônimo disse...

Rsrsrs...Mel, eu sou tão fã que li, achei estranho e pensei "putz, deve ser uma metáfora, sei lá, alguma referencia que eu não saquei" e continuei lendo. Nunca pensaria na possibilidade de um engano. Veja só, te coloquei no patamar Clarice Lispector de confiança no texto rsrsrsr
BJS
Ju T.

Jamile disse...

perfeito mel, perfeito demais, dá até pra sentir por tudo que a FM tá passando =)

natty_dallin disse...

Nossa....é inevitavil não se identificar com as cenas da Mel....mto booommmm....

Ianca' disse...

Essa reação da Mia,assim, tô pensando kkkkkkkkkkkkkkk
Mel que foda *-*
Nervosa, sei nem mais o que falar hahaha
Mais *-*

Letícia disse...

Fui ver que tinha post novo só da madrugada do domingo pra segunda, exato agora as 02:32 da manhã, estava eu indo dormir, mais não poderia ir dormir sem ler *-*
Adorei, cada frase um suspiro de quero mais e agora vou ter que dormir na espera de mais e mais! Amo mesmo! :D
A FM ama mesma A Mia s2

Pathy disse...

Mia.. vc é igualzinha a Minha ex.. PORRA, se decide Caraleo!! :@


Ahhh.. Beeeelo post Mel!! ;)

Anônimo disse...

Mel abriram espaço pra novos colunistas no Parada Lesbica, pq vc não se increve pra seleção? eu iria adorar ler uma coluna sua! vc escreve muito bem!

'duuda disse...

tu tem o poder de me fazer odiar a mia por um post (gigante) inteiro, e mudar de idéia no último parágrafo! meu deussss hahahaah amei amei amei!

Monica disse...

QUES TENSO :S

pam disse...

tem uma musica dos beatles que eu acho que representa o que a FM tá pensando agora:

The world is treating me bad...Misery

I'm the kind of guy,Who never used to cry,The world is treatin' me bad... Misery!

I've lost her now for sure,I won't see her no more,It's gonna be a drag... Misery!

I'll remember all the little things we've done
Can't she see? she'll always be the only one, only one

Send her back to me,'Cause everyone can see
Without her I will be in misery

I'll remember all the little things we've done.She'll remember and she'll miss her only one, lonely one

Send her back to me,'Cause everyone can see
Without her I will be in misery
(Misery, The Beatles)