A porta do elevador se fechava lentamente. E eu permanecia ali,
plantada no meio do corredor. Por favor. Já tinha feito tudo o que
estava ao meu alcance – agora estava nas mãos dela. Do outro lado, encostada na
parede do elevador, a Mia mantinha a cabeça baixa, como se o chão fosse mais
suportável do que me encarar naquele momento. Não faz isso, garota. Por
favor. Ela se refugiava num silêncio desesperador e a porta avançava
centímetro por centímetro, como um erro que ninguém corrigia. Aquilo estava
acabando comigo antes mesmo de terminar. Antes daquela porra descer e a levar sem
me dizer uma única palavra. Nada além de um “eu preciso ir”, murmurado e
covarde. É só isso que você tem pra me
dizer, Mia?, o meu coração apertava ao vê-la desimplicada, os seus olhos
inchados, os meus, me sentindo uma completa idiota.
Qualquer
coisa. Me fala qualquer coisa, porra. Me manda à merda, diz que não me ama, que
tudo entre a gente foi um erro, mas fala,
caralho, eu a observava, conforme os últimos centímetros de vão se esvaíam.
Ah, como eu queria. Enfiar a mão ali e
impedir que aquela fresta se fechasse – a beijar contra a parede, não deixar
que fugisse, que evitasse minhas palavras. O que eu disse, é. Aquela declaração
romântica malsucedida de merda. Mas eu não conseguia me mover, nem desistir. Então
a olhava, olhava e olhava, como se isso fosse o suficiente para fazer aquela porta
parar. A olhava, cacete, como se o desespero no meu olhar fosse capaz de
a segurar ali por mais alguns instantes – e talvez fosse, de fato, se a
Mia simplesmente erguesse o rosto e me notasse.
Mas ela não olhou. Ela não fez nada.
Senti vontade de chorar. Não
vira as costas para mim. Não me deixa aqui. E até tentei me controlar – mas as lágrimas me apertaram a garganta no
segundo em que o elevador terminou de fechar. Meu peito foi invadido por um arrependimento
insuportável. Não devia ter dito nada. Magoada, com o coração na mão – e
sem resposta. Engoli seco. Caralho. A
realidade parecia suspensa. Andei de volta pelo corredor, batendo a porta do
apartamento com força atrás de mim. Me sentindo prestes a desmoronar. O
Fernando continuava no quarto, me lembrando do quão insignificante eu era. E a quem
ela escolheu. Podia sentir o cheiro do baseado queimando vindo debaixo da sua
porta. Inferno.
Com raiva, me tranquei no meu quarto. Não queria ver o mundo por
um mês. Foda-se, foda-se tudo, tentei
me distanciar da sensação, mas não conseguia me aquietar, andando de um lado
para o outro em frente à janela. Então apoiei a cabeça contra o vidro e fechei
os olhos, respirando fundo. Por que eu
fui falar?, a angústia me alcançou de novo, as lágrimas também, por que eu fui lá e fodi tudo?! Não me
conformava. Aquilo ia me tirar a paz, o sono – eu sabia.
Eu estraguei tudo.
Apanhei um cigarro em cima da mesa do computador e o acendi, na
tentativa de me acalmar. Me aterrar de volta no presente. E foi quando escutei
o meu celular tocar. Era a Mia – “vc me ama msm?”. Li o SMS. Traguei uma
vez e soltei a fumaça em seguida, os meus olhos molhados, olhando para a sua
mensagem como se tivesse bordas cortantes. “Amo”. Digitei de volta e larguei
o celular sobre o parapeito da janela, sabia que ela não ia responder.
março 12, 2011
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4 comentários:
é incrivel como Mel coloca as músicas certas nos momentos certos. hahahaha, ficou ótima essa música entre esses dois posts :D
thereza ohana disse...
é incrivel como Mel coloca as músicas certas nos momentos certos. hahahaha, ficou ótima essa música entre esses dois posts :D
Realmente! Concordo, concordo!
E obrigaaaaada pela música da minha semana de carnaval! HAHAHAHA
(In the next room deles msmo tbm é muito esse blog! HAHAHA)
Aliás. A OST3 vai estar ótima, hein! :O
ooown *-* ♥
Conheci agora :P
musik perfeitaa...
tah td alternativinha heein Mel kkkkkkk
bgs
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