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fevereiro 20, 2012

2:40

“To indo dormir, bo... vms se ver amanha? qro te dar parabens, sua azeda :)”. A Clara era a única capaz de me fazer sorrir no estado de exaustão que eu me encontrava, em plena madrugada, largada no banco de trás de um táxi. O carro já se aproximava da Frei Caneca. Na tentativa de ultrapassar todos os bêbados que se aglomeravam em frente aos bares da Augusta, o motorista se via forçado a ir lentamente e o trajeto parecia não acabar nunca.
 
Assim que chegou no meu prédio, paguei o cara e arrastei os pés até o elevador. Subi até meu andar, meio escorada no espelho, lendo as mensagens de amigos e ligações que perdi durante o dia. Meus olhos já estavam embaçados de tanto cansaço. Sentia como se tivesse sido atropelada por um trem – e o pior é que não podia ir direto para a cama. Preciso comer, senão vou dobrar de fome, puta merda. Estava faminta. E como já eram quase três da manhã, as opções de delivery eram consideravelmente limitadas. Decidi checar na geladeira primeiro, rezando para ter qualquer merda que desse para esquentar ali.
 
Arroz velho e meio pedaço de pizza, argh.
 
Tirei os dois dali e os coloquei num prato, metendo-o no microondas por quarenta segundos. Que se dane, como isso mesmo. Não tinha condições de esperar uma entrega de sabe-se-lá onde, já estava caindo de sono. Então sentei na mesa da cozinha e comecei a mandar pra dentro a refeição mais deplorável da minha vida. Olhava para aquele arroz seco no prato, escorregando pelos dentes do garfo, sem nem um feijãozinho para ajudar e me dava pena de mim mesma. Lamentável.
 
Engoli tudo como deu. A coisa toda não demorou mais do que uns minutos, desde a porta até a última garfada. Larguei o prato sobre a pia e fui até o banheiro, caminhando pelo corredor com os olhos já quase se fechando. Assim que abri a porta, todavia, a luz já estava acesa. E foi quando vi a Mia num camisetão cinza, sentada de qualquer jeito contra a parede, meio caída no chão, desacordada.
 
_Mia? – a olhei ali, confusa – Mia!

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