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dezembro 06, 2012

Bons começos

Morar com o Du foi estranho nos primeiros dias. Não era como as outras vezes em que eu e o Fer cedemos o sofá a algum amigo temporariamente sem teto, brigado com a namorada – ou desistente de qualquer perspectiva de uma vida decente, diga-se de passagem. Aquilo era mais permanente. Ainda que fosse apenas por alguns meses. Na primeira noite em que voltei do trabalho, tomei um susto ao notar a sua presença. Ali, com a calça saruel e os pés descalços, os braços à mostra. Ele era uma graça – mas alguns segundos eram necessários até que eu o associasse à luz acesa quando entrava no apartamento. Já ele, por sua vez, precisou de alguns dias para se acostumar com a minha aversão a calças.

Éramos dois estranhos num mesmo ninho. Dividindo panelas e cômodos. Não demorou muito também para que ele conhecesse a outra garota que frequentava o meu quarto – e muito mais do que a Mia. A Clara veio na quinta-feira e ele a cumprimentou com um sorriso no rosto, me fitando em seguida. Eu sei o que você está pensando, pensei, implorando com os olhos para que ele não comentasse nada. O Du apenas riu. E no dia seguinte, quando nos encontramos sozinhos na cozinha na hora do café, ele não fez pergunta alguma. Obrigada pela parte que me toca. De certa forma, começava a me parecer uma boa ideia morar com ele.

A Mia reapareceu na sexta-feira. Numa passada rápida por lá, antes de encontrar o Fer para jantar, sob o pretexto de me deixar a camiseta que emprestara. E eu a acabei comendo contra a parede do quarto. Só de leve. Ou talvez nem tanto. O Du chegou algumas horas depois, costumava estar sempre com algo para ler nas mãos – desta vez, porém, tinha um cara de 1.80m com jeito de modelo e pinta de quem vai à The Week. Bem apropriado para o fim de semana. Os cumprimentei já a caminho da porta, rindo, com as chaves na mão e o meu skinny jeans. Vestia também uma regata transparente e um sutiã preto por baixo. Os dois se trancaram rapidamente no quarto. E eu fechei a porta da entrada atrás de mim, já atrasada.

Precisava chegar na estação Faria Lima do metrô. Ia na festa de uma amiga da Clara. Uma que eu não conhecia, por sinal – chamava-se Natali ou Natália, sei lá. O apartamento ficava a cinco quadras da saída na Rua dos Pinheiros, na A. Bicudo. Quando desci em Pinheiros, caminhei para a calçada e, poucos passos já do lado de fora, acendi um cigarro. A Clara ainda não havia chegado. Merda. Mantive os olhos abertos, checando os bolsos compulsivamente, enquanto tragava com certa paranoia. Fruto, claro, mais da minha cabeça do que da região em si – que era muito mais segura do que a rua debaixo do meu prédio, devo admitir.

Eu era um tanto traumatizada; uma vez fui roubada quando saía à noite do Eldorado só a algumas quadras dali, na época em que me arrumei um bico de Natal no shopping. Argh. Conforme eu bloqueava as minhas memórias paulistanas, observei um táxi estacionar logo adiante na rua e a Clara descer – tinha a franja delicadamente presa sobre a cabeça e o restante dos cabelos soltos; usava um vestido imprestável com as suas mechas castanhas. Estava linda. Maldita. E tornava fácil vê-la depois da Mia.

É. É verdade que, no caminho até lá, hesitei sobre os meus sentimentos – ou sobre quanto era capaz de lidar com esta nova, ahm, situação. Na realidade, nunca fui boa em me manter no controle de nada. Da minha boca e, menos ainda, dos meus pensamentos. Na época da Marina havia sido um desastre. Mas, não. Não sentia nada. Pelo contrário. Estava leve em vê-la novamente. Sorri para a minha filha de argentinos, assim que se aproximou, guardando o troco numa carteira discreta que ia com o vestido. Como eu consigo gostar tanto assim de você, hein, garota, indaguei a mim mesma. E a Clara me deu um beijo rápido ao me alcançar, tocando o meu antebraço com intimidade. Nos colocamos a caminho da rua da amiga.

_Cê não vinha a pé?
_Vinha. Mas, ah... – suspirou, ajeitando-se sobre o meu braço, que lhe protegia os ombros por comodidade – ...já estava tarde também,  achei mais fácil vir de táxi. Não foi nem seis reais!
_Hum.

Acenei com a cabeça, ainda com o cigarro acesso. Chegamos em menos de dez minutos ao apartamento da Natália – ou Natali, eu continuava sem saber. Perguntei discretamente à Clara se todas ali eram lésbicas. E ela disse que sim, respondeu – “A maioria”. Conforme cumprimentávamos à distância, de maneira genérica, uma sala cheia de meninas em seus 25 ou 26. Conhecia apenas uma de vista das noites paulistanas. Mas a única a quem dediquei um pouco mais de atenção fora a Lu, amiga-a-tiracolo da Clara, com quem cruzara algumas vezes antes. A música transitava entre pretensiosa e muito pretensiosa – o ambiente, todavia, estava agradável. As garotas eram bonitas e os sofás confortáveis. Parte do feeling descolado devia-se também às luzes indiretas e uma vista impressionante dos edifícios acesos de São Paulo.

A cidade estava magnífica. E a tequila que chegara nas mãos da anfitriã também; a mesma que me cumprimentou sem muita simpatia, talvez por alguma água passada sobre a ponte da Clara. Deixei passar com bom humor. Vai saber. Já o El Jimador, bom, este me recepcionou com a mesma cordialidade de sempre. E tão rápido a minha garganta deixou de queimar, dose atrás de dose, a minha sociabilidade também aumentou. E com ela, a minha liberdade em meter-me mais e mais entre as amigas e as pernas da Clara.

16 comentários:

Aléxia Carneiro disse...

To sem internet e quando soube do novo post, gastei 50 centavinhos aqui so pra poder ler no mobile do celular. Post LINDO!

Camyla disse...

Clarinha <3

Anônimo disse...

Uuuummmm...Clara.
Tudo bem, mas...quero mais FM e Mia! hahaha
#teamMiaforever

Anônimo disse...

Hahaha só fiquei meio curiosa quanto à definição da FM de música 'pretensiosa e muito pretensiosa'. Aaah como eu queria ver a playlist dessa festa ;)

Juliana Nadu disse...

ai ai ai ai aaaaaaaaiiiiiiiii esse "só de leve" foi delicioso ehn!! shaushuashau Engraçadoooo gosto da FM por tequilas parece com o seu Melzita!! rsrsrs #brinks adorei a leveza com que a FM ta se sentindo em relação as duas, mas sinto que não será do mesmo jeito para a Clara... tadinha!!

Anônimo disse...

Eeehh FM, aproveite sem pensar no amanhã, pq essa pegação louca poooode não dar certo. Assim, sei lá, pode! hahahahhaha

Só acho q exclusividade é para os fracos! =D

Debs disse...

Amei o novo post.. Ai clara !!! Quero mais a Mia *-*

Anônimo disse...

P variar vou ficar na espera ANSIOSA pelo próximo...perfeito...e c o gostinho de quero mais q vc faz como ninguém Mel!!
(ANA CURI)

Anônimo disse...

Gosto da Clara. Mas prefiro Mia 926778528 vezes, sempre!

No final da história a FM vai terminar com uma cirrose, hein Mel!? Por que né.. não tem fígado que aguente.

Pathy disse...

"E eu a comi contra a parede" essa FM é sutil não?! Amo <3


P.S.: A clara já ta se sentindo a namorada, não?! ain que "dó" meu :S

P.S².: Tequila, tequila, tequiiiiiilaaaaaa u.u

francielli# disse...

q fase heinhooo..pegada de leve hohoho

Anônimo disse...

el jimador, muy buena esta tequila cara, passei o fds com uma garrafa. fm e Mia foras de controle. muito bom Mel

Lorena Costa disse...

Team CLaaara <3

:) prefiro mil vezes qnd ela ta com a Clara. Pfvr, agora uma noite perfeita pras duas

Anônimo disse...

A bebida entra, a verdade sai.....

Sou fiel a esse ditado, e to achando que vai dar alguma merda!
Hahahaha

Dea disse...

só digo uma coisa: meu último porre de El Jimador foi numa daquelas "festas do pelado" na antiga da casa da Lê e foi a MAIOR pegação, HAHAHAHAHAHA! isso não vai prestar e, só por isso, eu vou adorar!

Anônimo disse...

brisei que o que ia rolar era essa natalia dona da festa ser a ex da FM a dona do infinito! ai ja ia ser um mundo muito pequeno.