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julho 23, 2010

Marasmo

_Posso fumar aqui? – quebrei, sem querer, o silêncio no quarto.
_Hmm... na janela, gata.
_Ok – disse, quase suspirando, me sentando na cama.

Alcancei meu maço no bolso do shorts, ainda do colchão, depois me desenrolei dos braços dela que abraçavam minha cintura e me levantei, deixando-a sozinha. Atravessei o quarto, sem uma roupa sequer no corpo, e senti seus olhos me acompanhando. Abri a janela, ignorando a atenção, e me apoiei no parapeito para acender um cigarro.

Pus-me a observar a cidade parada, calma, inanimada, naquele fim de tarde preguiçoso e abafado. O tempo estava passando devagar nas últimas horas, desarticulado, como se num plano diferente de realidade. A ponto de que eu quase me indagava onde estava e o que estava fazendo ali – só que, no caso, eu simplesmente não me importava em saber. De repente, ouvi a Thaís murmurar algo, ao fundo, e me virei novamente para dentro.

_Você disse alguma coisa?! – apoiei as costas contra a janela, encarando a lateral da cama, e mantive a mão direita do lado de fora enquanto a brasa seguia queimando.
_Disse... – riu – ...eu perguntei... – ela apoiou a cabeça em uma das mãos, com o corpo deitado de lado, para prestar melhor atenção em mim – ... por que você veio.

Importa?

_Ah, meu, sei lá... – eu dei de ombros, me virando para fumar mais uma vez, apoiada no batente – ...porque sim.
_Mas por que eu? Por que hoje, do nada? – ela continuou e eu me vi obrigada a encarar novamente o lado de dentro.
_Não sei, mano, porque sim – respondi – porque deu vontade, sei lá. Por que você quis me encontrar?! Hum?!
_Ah, me pareceu uma boa idéia – ela riu – ia ser divertido...
_E foi?
_Foi.
_Então, pronto. Ótimo. – retruquei, sem paciência, e me virei outra vez para fumar.
_...você terminou com alguém? – ouvi, de novo, sua voz ao fundo.
_O que? – encarei o quarto mais uma vez.
_Eu perguntei... se você acabou um namoro.
_Não. Eu... – estranhei – por que a pergunta?
_Você não seria a primeira a fazer isso...
_Isso o que?
_Ligar pra mina antiga, sabe, quando “volta pro mercado”.
_Não. Eu não namoro.
_Nunca? – ela riu, sem querer.
_Tá, não “nunca”... de vez em quando. Mas, sei lá... não, na verdade, não.
_E se você se apaixonar? Ou isso também não acontece nunca? – ela zombou.
_Se acontecer, aí eu ligo pra garotas como você... – eu respondi, grosseiramente, e ela me olhou assustada.
_Nossa... – ela revirou brevemente os olhos, soando chateada – você sempre trata as garotas com quem você dorme assim? – perguntou retoricamente, sem esperar resposta.
_Não... Merda. Olha, desculpa. Não é isso... foi... foi um comentário de mau gosto. Desculpa.

Droga. Traguei uma última vez, soltando a fumaça rapidamente para o lado de fora, e joguei o cigarro janela abaixo. Caminhei de volta para a cama e sentei na frente dela, pegando suas mãos com as minhas. Ela me olhou, como se esperasse qualquer desculpa filha-da-puta de mim, qualquer pretexto cafajeste que amenizasse a situação e me desse passe livre para o meio das suas pernas novamente – o que seria de se esperar de mim, nem eu mesma posso discordar. Mas, não – dessa vez não, pensei.

_Olha... minha cabeça tá em outro lugar.
_É, percebi... – ela me interrompeu, com razão.
_Não, meu, me escuta. Não é você. Eu tô falando sério, não é. E não é do nada, não é agora. Eu já estava assim... – continuei olhando-a e sendo, uma vez na vida, realmente sincera – eu estou assim e faz, meu, meses. Com todas as garotas. Não é você, não mesmo, eu juro. Eu... sei lá... eu queria te ver, sair, fazer alguma coisa legal, espairecer. E aí eu te vi na minha lista e pensei que poderia ser divertido, meu. Não foi sacanagem, não quero descontar meu mau-humor em ninguém, muito menos em você que não tem nada a ver com a história. Eu tô com uns outros problemas, é complicado... Ultimamente tem sido difícil sair com qualquer pessoa sem pensar a respeito e aí eu fico de mau-humor, porque não queria realmente estar saindo e... enfim. É uma merda.
_Não tem problema... eu tô de boa, relaxa – ela sorriu para mim, possivelmente comovida com a minha cara de eu-não-sei-o-que-fazer-com-a-minha-vida, e então levantou-se para ver as horas no relógio da cabeceira – são quase 6, meu... quer ir tomar umas na Augusta? Jogar sinuca, talvez, sei lá?
_Acho uma idéia fantástica – eu ri, aliviada.

10 comentários:

Anônimo disse...

Pegou pesado... mas se saiu bem.. rs..

Sempre nos surpreendendo!!

Anônimo disse...

Mel, tem uns dois erros ortograficos ai ;)

AMEI esse post, a FM tá ficando mais sensível... dá pra perceber.

( the girl fucking Mia ) disse...

Aww... thanks! :) esqueci mega na pressa hahaha vou ver se acho e corrijo, obrigada! ;***

disse...

A FM é mto filha da puta com as gurias, mas ela tem sorte de "sempre" encontrar minas bacanas pelo caminho dela. Acho que ela ainda vai provar do próprio veneno nessa relação com a Mia. Bjoooo Mel ;*

Lu disse...

Nossa, cresceu no meu conceito... O que eu estou falando? Sou Devassa Team 4ever! :)

Anônimo disse...

Ai. Pronto. Devia esquecer a Mia e ficar com a Thaís. Olha que lindinha que ela foi com a Devassa. Um amor. Sou super a favor.

beaquio disse...

to adoraaaaaando, deu pra perceber que a FM tá realmente apaixonada pela Mia!!! o blog tá de parabéns! :)

carol disse...

Eu tõ procurando uma thaís no contato auisuahushauhsua

Jupiter disse...

ai, que legal... a thaís é muito gente boa! ela nao podia ter pensado em alguém melhor pra... isso. hahahaha

matt. disse...

Viajei no momento desabafo da Devassa. Super eu, cara! HAHA