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julho 26, 2010

Pequena trégua

Nove e meia e nós continuávamos enfurnadas num snooker bar sujo da Augusta, cercadas de outras sapatões, um bando de alcoólatras mal-acabados e garotas com idade suficiente para estarem no ensino fundamental – que provavelmente se sentiam mais em casa ali, no meio das caminhoneiras e fracassos sociais, do que perante os olhos dos seus pais.

E eu gostava daquela imundice dyke paulistana, sabe, dos tão estimados botecos de sinuca da Augusta, que eu havia esquecido de freqüentar já há algum tempo. De certa forma porque, em algum momento, anos e anos antes do meu armário ser superado, aquilo também tinha sido meu “lar” fora de casa.

O feeling geral, agora, já era outro completamente diferente do que se arrastava pelo quarto horas atrás. Com a ajuda de cinco ou seis cervejas, claro. Eu me encontrava entre a Thaís e suas amigas nos arredores de duas das mesas, entre garrafas e cinzeiros e tacos, bebendo e falando mais do que deveria. Como sempre.

Fiz amizade com uma das mais sapas, que estava lá trajando uma bermuda larga demais e um par de tênis masculinos, acompanhada da namorada – juntas há quase seis anos –, e previsivelmente acabei perdendo quatro das cinco vezes que jogamos. A aposta – porque eu nunca me privo de uma péssima idéia... – envolvia álcool o suficiente para deixar minha patrocinadora atual bastante irritada, caso ela não estivesse tão respectivamente bêbada e tão interessada em mim.

_E aí? Revanche?! – minha admirável adversária me provocou, enquanto virava parte da quarta garrafa que “eu” lhe pagava.
_Vamos nessa! Agora peguei o jeito, meu.
_Você está tão morta... – ela riu.

Empinei o queixo de volta para ela, encarando-a. Autoconfiança em excesso é sempre um sinal evidente de alcoolismo ou, pelo menos, deveria ser tomado como tal. Nós rimos e eu a deixei brevemente ali para ir pedir apoio financeiro. Afinal, quem perdia providenciava também a ficha para o jogo seguinte. A Thais estava sentada na mesa de trás, a poucos metros de mim, e me olhou como se pudesse prever o motivo da minha visita àquelas bandas.

_O que você quer agora? – ela riu, conforme eu me encaixei bêbada entre as suas pernas, apoiada na mesa, e coloquei os braços ao seu redor.
_Pô, vê mais uma fichazinha para mim... – eu pedi, toda dócil.
_Você não tem vergonha na cara mesmo, não é não? – ela se divertia comigo.
_Ah, meu! Olha quem você me apresenta, mano! Maior cretina profissional, porra... sério, ela tem habilidades além da minha compreensão. Eu preciso ganhar minha dignidade de volta.
_Tá, tá... – ela continuou, sorrindo, e tirou alguns trocados do bolso – ...mas não pense que eu vou deixar barato. Você está em dívida comigo.

Não, não foi o dinheiro. Nem o álcool ou a felicidade de poder dar continuidade à minha saga claramente-fadada-ao-fracasso de vencer uma partida contra minha oponente. Por algum motivo, naquele momento, pela primeira vez desde que entramos no bar, eu realmente quis beijar a Thaís. Pois é. Olhei-a sorrir e senti uma vontade incontrolável de pegá-la de jeito, como sabia que ela estava esperando há horas, sentada ali.

Então, sem pensar muito, o fiz. Por longos e longos minutos, dispensando intervalos – ok, talvez o álcool tivesse algo a ver com isso... ou, bom, provavelmente tinha. Que se dane. “Ruim” nunca é, né. E saber que eu ia, inevitavelmente, pensar agonizada na Mia logo depois nunca me impediu de fazer nada. Então, a beijei. Pelo tanto de tempo que me deu vontade e depois agradeci brevemente pelas moedas, satisfeita, seguindo direto para a minha sexta derrota da noite.

Não, não. Agora, ah, agora vai... 
Vou ganhar essa porra.

16 comentários:

Gi disse...

sou só eu ou td mundo acha ela linda com tds as meninas?? msmo que não preste, não dá pra não se apaixonar pela FM bebinha ,espertinha(L)(L)

disse...

Sei que é redundante, mas a FM tem mta sorte de encotrar gurias bacanas pelo caminho dela, é fato que ela tem um encanto, um poder de persuasão incrível e apesar das atitudes escrotas dela é beeeem difícil ñ "cair de amores" pela FM envolvida com a Mia ou com quem quer que seja. Mas sou #TeamMia !

Anônimo disse...

CONHEÇO BEM ESSES BOTECOS DE SAMPA!! SEGUNDO LAR CERTEZA =DD
LINDAS AS DUAS....

Anônimo disse...

perfeito, mel!

Anônimo disse...

Ah,a Devassa é uma linda mesmo! E se a Mia anda ocupada demais, ela que se divirta com as outras, ela é capaz sim e sempre.

=*

Jupiter disse...

"por algum motivo, naquele momento eu realmente quis beijar a thaís."

acho isso tão lindo, essa sensação engraçada, essa vontade que vem do nada de fazer alguma coisa! adorei que isso tenha acontecido com ela agora, independente de ser o álcool ou whatever, fiquei feliz, ela tava merecendo esse agradinho ç.ç

eutenhoproblemas disse...

Hahahaha essa porra dessa sinuca do caralho.
Ô senhor, quem nunca foi a Thais?

Anônimo disse...

to amando a Thaís. <3

Anônimo disse...

A FM faz tanto sucesso porque parece que nunca falta baixa auto- estima e masoquismo nesse mundo gay, inclusive por parte da protagonista hein?

Anônimo disse...

ara, eu quero!!
Pô,a Devassa deveria ser PUM, ou melhor PGM, ou seja,PatrimoniO Geral da Mulherada.......

\o/ Gameeeei!!

by Bastardinha

carol disse...

Q comentário preconceituoso esse de cima, mel. Se fosse vc ñ aprovava.... NÃO GOSTA DO BLOG CAI FORA PO!
O blog tá lindo como sempre, cada vez melhor!!! =*

Marcela disse...

hahahahahaahhahaahahha

Vem jogar uma partidinha cg gata pra ver oq eh surra!

Lu disse...

Que postezinho mais meigo esse, heim! =)
Eu acho mesmo que a Devassa é "mor" legal com todo mundo mesmo! Mas o que eu mais admiro nela é a liberdade que ela se dá, de sentir qq coisa ao extremo: raiva, tristeza, ciúme, amizade, paixão, felicidade, ela nunca tá mais ou menos!
PS: Carol, é interessante saber que tem gente q não gosta e pq não gosta! Até saber que vc não gosta disso! :)

Anônimo disse...

Gente, sou só eu ou vcs tb enxergam a Shane do L word na Devassa??
E mulheres são sempre mulheres e a tração por "casos perdidos" a serem recuperados ta sempre ali

Anônimo disse...

Sinceramente desde aquela atitude da thais de ser tão compreenciva com a FM eu até que to torcendo mais pela FM e a Thaís ficarem juntas do que com a Mia.

matt. disse...

Uma coisa boa que o álcool proporciona é essa autoconfiança exacerbada, mas o que é bacana mesmo são as atitudes que conseguimos tomar quando estamos não tão sóbrios. rs