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julho 20, 2010

Boa vizinhança

Eu não precisava sequer transar com alguém. Não era esse o objetivo: só queria sair dali e ocupar a minha cabeça com qualquer coisa que não fosse a presença do Fer ou a ausência da Mia na minha vida. E àquela hora ociosa da tarde, garotas me pareciam uma ideia melhor do que os meus amigos.

Que se dane. Larguei a dignidade de lado e comecei a rodar a minha lista de contatos no celular. O problema é que eu estava sem um puto no bolso – e isso reduzia consideravelmente as minhas possibilidades. Passei nome por nome, sentada na calçada em frente ao prédio. Que situação. Achar alguém que não fosse uma completa má escolha e que, ainda por cima, morasse perto não era tão fácil assim. E para completar, sempre havia a chance de desligarem na minha cara. Porque uma coisa era eu tê-las no meu celular, outra bem diferente era alguma daquelas garotas ainda me terem no delas. E sinceramente, eu não estava lá colecionando muitas opiniões positivas a meu respeito.

Não. Não. Não. Não. Definitivamente não. Não. Não. Não. Talvez.

Os meus olhos pararam sobre a Thaís, um esqueminha antigo que morava a poucos quarteirões dali e a quem eu não via há mais tempo do que pudesse me lembrar. Nós duas não éramos realmente exs e nem fixas. Ela era a amiga de um casinho meu, que eu peguei à surdina duas ou três vezes, e até onde eu sabia nunca tinha desenvolvido qualquer forma de afeto por mim – o que a tornava perfeita para a ocasião.

O problema é que não fazia sentido nenhum eu ligar, agora, meses e meses depois, assim do nada. Nós não nos ligávamos, nunca. Não éramos próximas. Qualquer contato injustificado meu ia carregar inevitavelmente o meu desespero. “Oi, tô afim de comer alguém e você é o que tem para hoje. Vamos aí, gata?” – ou algo assim. A que ponto do ridículo um ser humano consegue chegar? Eu não tinha a cara de pau necessária para ligar para a Thaís naquele sábado.

E o pior era que saber que poderia estar almoçando com gosto em Higienópolis, se as coisas não fossem tão erradas para mim. Isto é, sem precisar botar meu nome sujo de volta nas ruas paulistanas. Olhei para a tela do celular e para a barra de notificações, que continuava vazia. Nenhuma mensagem da Mia. Que se foda. Após segundos de hesitação, resolvi ligar para a Thaís.

Quatro toques do telefone e ela atendeu, soando estar sozinha, o que era bom sinal. Sua voz parecia confusa a princípio, sem saber direito quem estava falando. Depois de uma explicação constrangedora da minha parte, o tom da conversa mudou. Afinal, não precisava ser muito esperta para sacar o motivo da minha ligação e ela, claro, percebeu todas as minhas segundas intenções antes mesmo de eu começar a me empenhar. Aí eu me empenhei – e funcionou. 

Ótimo.

Antes de devolver o celular ao bolso, digitei um “Queria te ver, meu...” sincero e rapidamente enviei para a Mia. Afinal, a esperança é a última que morre e, àquela altura, só ela poderia me salvar de mim mesma. Ou dos meus maus hábitos. Enquanto isso não acontecia, eu ia lá me ocupar com a vizinha...

14 comentários:

Anônimo disse...

ahammm a primeiraaa.....
Meu, muito garota-macho-comedora-abaladora esse post....
gAMEI

Bastard

Anônimo disse...

aaah. non acredito. a ação ainda fica pro próximo??? sacanagem.

Liz M. disse...

porque, né, tô rindo desesperadamente com "Oi, tô afim de comer alguém e você é o que tem pra hoje!"

(me recuso a comentar o começo do post, rhum! hahaha)

Juliana Freitas disse...

to na lista >>venimimGFM<< shaushaushausasuaus qqr dia ,qqr hr..... adro ver como ela pensa!!!

Talita disse...

Mel muito foda to rindo aqui sozinha,não prestar tbm é digno neh..rs

Anônimo disse...

Hahahahahahahahahahahahahahahaha
vc é a pessoa mais imprestável do brasil..... olha o post........ perfeitoo

disse...

Hum, adoro a praticidade que a Fm tem pra resolver os seus problemas... o foda é que nem sempre o jeito mais fácil é o melhor, mas bora lá viver pq o que importa mesmo é o momento hahahahahaha, pena que depois sempre bate o medo, a insegurança e a angústia de estar sozinho mas pra FM isso nem faz diferença, pq o seu lado filha da puta e o seu alter ego mais filha da puta ainda sempre falarão mais alto. Ótimo post Mel, como sempre...

Anônimo disse...

ta complicado ler esse blog no dia de hoje! estou literalmente no papel da protagonista deus!

Bianca S. disse...

Nossa, tava sentindo saudades disso. FM TEM MAIS É QUE SAIR DA FOSSA! HAHAHHA. <33

Rayssa disse...

achei uma vibe muito Gabriel Pensador,sabe?
'2345Meia78!
Tá na hora de molhar o biscoito!
Eu tô no osso mas eu não me canso!
Tá na hora de afogar o ganso!' (NotaMusical)
tipo,ele passa pelo alfabeto todo
HAUAHHAUHA viso que só lendo aqui dnovo pra comentar que entendi a resposta da Mia HAUAHUA ain dells

Pri Araújo disse...

"Sempre tem uma Mia na história"

Meu, antes ela já não consegui pegar outras meninas sem pensar na Mia imagine agora, mas sei lá né... não custa nada tentar. ;)

PS.: SMSs hahaha

Lu disse...

O que seria mais cobiçado: ser um no. no telefone da Devassa ou o próprio celular da Devassa? Só por curiosidade ... :)

i. disse...

puuts, post foda !

matt. disse...

Devassa faz jus ao ''nome''. ;D