- »

julho 20, 2010

Duas

Com as mulheres, as possibilidades são sempre duas: ou te esquecem de vez ou te querem mais ainda. Não tem meio termo, é simples assim. E esse é o risco que se corre quando, por qualquer motivo provido de um par irresistível de pernas, se pára de regar a porra da sua horta por semanas a fio. 

Descuido não traz lá muito benefício, nem para as plantas e muito menos para você. Porque ninguém nessa cidade tem tempo de esperar por quem quer que seja – muito menos por quem não presta, por mais que meu ego custasse a aceitar isso. Elas podem até deixar passar um ou dois SMS não respondidos, recados ignorados ou chamadas não atendidas... mas na terceira ou quarta vez, baby, você dança. E eu já tinha dançado há tempos com a maioria.

E, não, não é uma situação irreversível Claro, né... se tem um bicho filho-da-puta que gosta de ser convencido do contrário, ahh, são as garotas. Não conheço uma que não aprecie a atenção, a insistência, que não tire satisfação em assistir todo seu tempo e esforço sendo desperdiçados no metro quadrado delas. Faz com que se sintam especiais, suponho, mesmo quando sabem – sem dúvida – que não o são. Porque sempre tem uma Mia na história.

Acontece que eu estava sem paciência para ter que persuadir mulher alguma a sair comigo; sequer queria, de fato, me meter com qualquer uma delas. E estava sem um puto no bolso, o que reduzia consideravelmente as minhas possibilidades. Rodei minha lista de contatos no celular, procurando qualquer nome reconhecível que não pertencesse a nenhuma das que curtem bancar as difíceis ou então às inatingíveis a pé.

Não. Não. Não. Não. Talvez... Não. Não, também. Não. Pois é, achar alguém que não fosse uma má escolha completa e que, ainda por cima, morasse em Jardins não era tão fácil assim. E, para completar, sempre havia a chance de desligarem na sua cara. Porque uma coisa é eu tê-las no meu celular, outra é elas ainda me terem no delas... e, sinceramente, eu não estava lá colecionando muitas opiniões positivas a meu respeito.

No final das contas, a questão se resumia a quanto de dignidade (e tempo livre) elas ainda tinham. E ao menos duas da minha lista de garotas-geograficamente-próximas, com certeza, abdicavam de qualquer auto-respeito toda santa vez que se tratava de mim. Essas constituíam os meus dois “Talvez...” – porque, é, aquilo era cachorrice demais até para mim... – e o único “Sim” do dia havia ido para a Thaís, que morava a poucos quarteirões dali e que eu não via há mais tempo do que eu pudesse me lembrar.

Nós duas não éramos realmente exs, nem fixas. Ela era a amiga de um antigo casinho meu, que eu peguei à surdina duas ou três vezes, e até onde eu sabia nunca tinha desenvolvido qualquer forma de paixão por mim – o que a tornava perfeita para a ocasião, no caso. O problema é que não fazia sentido nenhum eu ligar, agora, meses e meses depois, assim do nada. Não nos ligávamos, nunca; não éramos próximas.

Qualquer contato injustificado meu ia carregar inevitavelmente, estampado, o meu desespero. “Oi, tô afim de comer alguém e você é o que tem para hoje. Vamos aí, gata?” – ou algo assim. Aff, mano, a que ponto um ser humano consegue chegar. E o pior era que, no fundo, eu sabia que poderia estar almoçando com gosto em Higienópolis, se as coisas não fossem tão erradas para mim. Isto é, sem precisar botar meu nome sujo de volta nas ruas paulistanas.

Depois de dez segundos intermináveis de hesitação, perante à minha já-não-tão-boa reputação, resolvi ligar. Que se foda. Se não desse certo, tentaria um dos peixes mais fáceis. Não precisava sequer comer, pois não era esse o objetivo: só queria sair dali e ocupar minha cabeça com qualquer coisa que não fosse a presença do Fer ou a ausência da Mia na minha vida. E, àquela hora ociosa da tarde, garotas funcionariam melhor do que amigos.

Quatro toques do telefone depois e ela atendeu, soando estar sozinha, o que era bom sinal. Sua voz parecia confusa no começo, sem saber direito quem estava falando, mas após a minha explicação constrangedora o tom da conversa mudou imediatamente. Afinal, não precisava ser muito esperta para sacar o motivo da minha ligação e ela, claro, percebeu todas as minhas segundas intenções antes mesmo de eu começar a me empenhar. 

Aí me empenhei... e funcionou. 
Ótimo.

Antes de devolver o celular ao bolso, no entanto, digitei um “Queria te ver, meu...” sincero e rapidamente enviei para a Mia. Afinal, a esperança é a última que morre e, àquela altura, só ela poderia me salvar de mim mesma. Ou dos meus maus hábitos. Enquanto isso não acontecia, eu ia lá me ocupar com a vizinha...

14 comentários:

Anônimo disse...

ahammm a primeiraaa.....
Meu, muito garota-macho-comedora-abaladora esse post....
gAMEI

Bastard

Anônimo disse...

aaah. non acredito. a ação ainda fica pro próximo??? sacanagem.

Liz M. disse...

porque, né, tô rindo desesperadamente com "Oi, tô afim de comer alguém e você é o que tem pra hoje!"

(me recuso a comentar o começo do post, rhum! hahaha)

Juliana Freitas disse...

to na lista >>venimimGFM<< shaushaushausasuaus qqr dia ,qqr hr..... adro ver como ela pensa!!!

Talita disse...

Mel muito foda to rindo aqui sozinha,não prestar tbm é digno neh..rs

Anônimo disse...

Hahahahahahahahahahahahahahahaha
vc é a pessoa mais imprestável do brasil..... olha o post........ perfeitoo

disse...

Hum, adoro a praticidade que a Fm tem pra resolver os seus problemas... o foda é que nem sempre o jeito mais fácil é o melhor, mas bora lá viver pq o que importa mesmo é o momento hahahahahaha, pena que depois sempre bate o medo, a insegurança e a angústia de estar sozinho mas pra FM isso nem faz diferença, pq o seu lado filha da puta e o seu alter ego mais filha da puta ainda sempre falarão mais alto. Ótimo post Mel, como sempre...

Anônimo disse...

ta complicado ler esse blog no dia de hoje! estou literalmente no papel da protagonista deus!

Bianca S. disse...

Nossa, tava sentindo saudades disso. FM TEM MAIS É QUE SAIR DA FOSSA! HAHAHHA. <33

Rayssa disse...

achei uma vibe muito Gabriel Pensador,sabe?
'2345Meia78!
Tá na hora de molhar o biscoito!
Eu tô no osso mas eu não me canso!
Tá na hora de afogar o ganso!' (NotaMusical)
tipo,ele passa pelo alfabeto todo
HAUAHHAUHA viso que só lendo aqui dnovo pra comentar que entendi a resposta da Mia HAUAHUA ain dells

Pri Araújo disse...

"Sempre tem uma Mia na história"

Meu, antes ela já não consegui pegar outras meninas sem pensar na Mia imagine agora, mas sei lá né... não custa nada tentar. ;)

PS.: SMSs hahaha

Lu disse...

O que seria mais cobiçado: ser um no. no telefone da Devassa ou o próprio celular da Devassa? Só por curiosidade ... :)

i. disse...

puuts, post foda !

matt. disse...

Devassa faz jus ao ''nome''. ;D