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novembro 09, 2010

Portanto, bandeira branca

Não é como se eu quisesse, de fato, ficar inteira em cima da Mia... ali... naquele canto subversivo da pista... justo na Sarajevo... em meio à tanta gente... não, eu não queria. A questão é que meus pés já não se agüentavam mais, cedendo “sem querer” a toda hora, e as minhas mãos se recusavam a me obedecer. Já os meus olhos, bom, esses eu nunca consegui tirar de cima dela mesmo – sóbria ou não, que fosse.

Resultado é que, assim que ela terminou de me guiar pela multidão e se virou na minha direção, eu já havia apertado a tecla do “que se foda” há muito tempo. E, antes que eu pudesse perceber, as minhas pernas já estavam entre as suas e o meu corpo, perto demais do dela. É exigir demais do meu auto-controle, porra, ter aquela mulher nas minhas mãos e dançar de qualquer outra forma senão como eu a estava segurando. Com todo o respeito, isto é.

Quer dizer, mais ou menos...

Mas não beijei, ok. Em momento algum, nem de relance, encostei na boca da Mia. Não naquela boca. Aquela. Sabe, aquela... boca. E aqueles lábios... maravilhosos. Puta que pariu, eu pensava, enquanto olhava-a descer rebolando, deslizando pelo meu corpo, com a boca logo ali, na minha cara, porra. Um só movimento, um milésimo de segundo na sua direção, e eu poderia beijá-la. Contudo, não fazia nada. Nada. Só a olhava, ali, me olhando de volta, virando de costas para mim e deixando o rosto de lado, com as mãos para trás e o corpo encostado em mim, segurando-me e escorregando as mãos de cada lado da minha cintura, pelas minhas pernas, conforme abaixava na minha frente, deslizando o seu jeans no meu... Caralho, como aquilo me deixava louca. Tinha dias que eu simplesmente queria matar a Mia, sabe, simplesmente por existir do meu lado. Ou, então, fugir o quanto antes dali. Todavia, eu sempre ficava. Eu sempre ficava. Com o coração na garganta, aquele verão de 40º dentro das calças e os olhos irremediavelmente nela.

Tem gente que rouba o seu ar e nem percebe – e ela sempre foi assim, para mim. Contudo, agora, a Mia começava a perceber o que podia fazer comigo e a desgraçada gostava, adorava, se divertia em me deixar completamente idiota por ela. Como se fosse preciso grande coisa... e eu continuava ali, dividida entre amá-la ou odiá-la por isso. Porque bom era, não é. Inegavelmente bom. Mas aquela minha impotência circunstancial acabava comigo.

Chega a doer, viu, – com pontadas agudas no peito – ter a garota que você quer nas suas mãos e, por motivo de força (ou melhor amigo) maior, não poder fazer todas as muitas sem-vergonhices que te enchem a cabeça com ela. Atinge tal ponto do absurdo que, uma hora, de repente, você simplesmente precisa sair de perto. Ir tomar um ar, esfriar a cabeça, fumar um cigarro... qualquer porra. Sei lá. Qualquer merda que tire ela da sua cabeça.

E foi isso que eu fiz, uma meia hora depois, quando enfim a tortura se tornou insuportável. “Já volto”, disse subitamente no seu ouvido e a larguei sozinha na pista. Apenas o ato de sair daquele calor humano aglomerado já me fez respirar melhor – mas eu sabia que, no fundo, eu precisava sair era das redondezas de uma só pessoa. Encostei no balcão do bar ali da frente, onde batia uma leve corrente de ar vinda da porta, e pedi uma cerveja gelada para o cara de dreadlocks que me encarava do outro lado, à espera do meu pedido.

O primeiro gole naquela loira foi como sentir o paraíso descer frio – e gostoso – por todas as paredes de fogo do meu corpo, acalmando vagarosamente aquele inferno interno. Ah, eu precisava disso..., concluí aliviada, olhando para a garrafa e abaixando-a no balcão. Mal a encostei e já subi ela sedenta novamente, nas minhas mãos, tomando mais um gole, logo em seguida. Abaixei a cerveja e os olhos mais uma vez. Pressenti alguém ao meu lado, em toda a minha embriaguez distraída. De relance, vi um braço tatuado emparelhado com o meu, apoiado também no balcão. Subi os olhos e o Fer me encarava, a dez centímetros de mim, com cara de poucos amigos.

14 comentários:

Ed disse...

Caramba,PUTAQUEPARIU mesmo...acelerou o coração da pessoa...


@Edflavia_ems

francielli# disse...

otimo post dnovo cláp cláp "tem gente que rouba o seu ar e nem percebe" perfeito

Gravatinha disse...

"aquele verão de 40° dentro das calças"...mas também né..pqp...a mia desnorteia qualquer um desse jeito!

amei o post
*-*

Pathy disse...

Eu me pergunto como?? COMO A DEVASSA CONSEGUIU SAIR DESSA?? velho, eu já estaria toda fudida uma horas dessas!!=D
Admiro ainda mais a FM por ter saido dessa ilesa.. ou quase!!
heheheh

Pri Araújo disse...

Meeeu...
Bom o Fer pode está puto porque alguém contou algo pra ele, mas também pode ser porque ela largou a Mia sozinha na pista, eu não duvidaria. HAHAHAHA

Cris Ferreira disse...

PQP!!
Cadê o resto?
Não vai melar toda a noite perfeita agora né??
Diz que não!! xD

Cris Hush

Letícia Luthor disse...

"Tem gente que rouba o seu ar e nem percebe"...gostei disso!

cigarrosdebaunilha disse...

FER. ♥

Ai ai ai, isso vai dar merda...

- Tucca disse...

Ameeeei, perfeita descrição de tudo *-* E por fim: COOORRE FM! uehuehuehuehuehuehuehuehue '

@sarahjujuba disse...

MEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEU!

Morriiiiiiii lindo aqui!
HAHAHA
Nossa meu, nem sei qual é a palavra que define antes, o durante e o depois disso tudo kkkk só consigo pensar em "TENSO". E nem assim define ao certo né?

Caraca Mel, parabéééns!
Sério tá cada vez melhor, cara!

Daqui pro fim dessa comemoração sinto que vai rolar MUITA coisa!


Adorei =)

Anônimo disse...

Deviam fazer um filme desse blog. ''Perfeito''

Ivett disse...

FFFFFFFFUUUUUUU
#tenso

Anônimo disse...

Realmente "Tem gente que rouba o seu ar e nem percebe " .
Assim minha Mia se ela soubesse o quanto piro a kbeça só de pensar nela afffff .Acho que por isso torço tnto pra FM é do caralho esse lançe de amar hetero .

Marina disse...

pra kem ñ acredita q uma situação dessas pode acontecer... já passei por algo parecido. #TENSO!