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maio 25, 2010

Itaim Bibi

 _Livres! – a Mia sorriu aliviada, virando a esquina ao meu lado, noite adentro pelas ruas do Itaim – porra, que cara mala, meu!
_Nem me fale... babaca. Dando em cima de você, mano, na minha frente. O cara é louco, né? Só pode... Porra, na minha frente, meu! – eu reclamei, irritada, tagarelando bêbada num tom de indignação – puta falta de respeito, mano, puta falta de respeito. Não tem amor à vida esse...
_“Não tem amor à vida”? – a Mia começou a rir – você parece homem falando!
_Bom, esse é o problema, não é... Esse é o lance quando se come meninas... – eu pisquei para ela, com todo meu charme, e ela riu – é que você não sabe como é, ainda não, mas... mano... não dá. Tem a ver com orgulho, saca? Se você já comeu uma mina, já colocou a porra da sua boca no meio da... – eu interrompi a frase e mostrei com as mãos, como se estivesse segurando um par de pernas delicioso na frente do meu rosto, e a Mia se divertiu com a minha embriaguez descarada – ...ahh, não, não dá. Qualquer babaca que vier dar em cima da sua garota depois... é uma questão de honra.
_Hmm, você não parece ligar muito quem põe ou deixa de por a mão nas suas vinte e cinco mil namoradinhas... – ela me zombou.
_Ahh, meu... Não fala isso... – eu coloquei a mão na nuca, envergonhada, e olhei para o outro lado – não é assim...
_É, está mais para um milhão.
_Pára, mano... Um milhão?! – eu ri, achando um absurdo.
_E não é?! – ela levantou a sobrancelha, me encarando.
_Não! Lógico que não! – eu retruquei, ofendida, levantando a voz indignada e rindo – olha, eu sequer estou saindo com alguém!
_É... há uma semana. Nem isso! Desde domingo, mano, domingo! – ela riu – Nooossa, hein... Impressionante...
_Mas você é chata, hein? – eu a olhei e ela riu.
_Ahh, para quem está falando aí de honra, respeito, orgulho...
_Tá – eu admiti – mas você não é uma das minhas namoradinhas... você é diferente.

Eu odiava falar dos meus sentimentos, mas estava bêbada demais para ligar. A Mia deixou um sorriso discreto escapar, olhando para o chão, e o silêncio se instaurou após a minha pequena confissão apaixonada. Ficou constrangedor, mas o sentimento geral era bom, gostoso. Demos mais alguns passos, lado a lado, ambas procurando em nossas cabeças algum assunto para começar... sem deixar a outra sem graça. Paramos numa esquina, esperando os carros passarem para atravessarmos, já longe do nosso ponto de partida.

_Você tem alguma idéia de onde nós estamos? – ela riu.
_Sei, sim.
_Sabe?! – ela me olhou, rindo, como se duvidasse.
_Sei! – afirmei, ofendida, e ri também – tem um bar lésbico umas duas ou três quadras para lá.
_Hun... tem? – ela continuou, suspeitando.
_Tem, meu! Você acha que eu estou inventando? – eu ri – sério, o Vermont.
_Nunca ouvi falar...
_Ah, é legalzinho... – eu comentei, atravessando a rua com ela – ...meio schiki-miki demais.
_Meio o que? – ela riu.
_Meio fresco... tipo, lá vão umas sapas velhas cheias da grana.
_Ahhh... E você já foi?
_Já, mas nem curto. O lugar é legal e tals, só que lota dessas menininhas filhinhas-de-papai, cheias da grana... tipo... tipo você, assim... – eu brinquei.
_Vai se foder – ela se indignou e eu ri.
_Que?! Não digo no mau sentido, meu... Jamais... Eu curto uma princesa, curto mesmo, acho lindo... – eu ria, tentando trazê-la para perto de mim, enquanto ela se virava e atravessava a rua de volta – ...vem cá, meu.
_Não, não... – ela respondia, se fazendo de ofendida, e eu ria mais ainda – depois dessa, eu vou voltar.
_Você não sabe nem o caminho, Mia... volta aqui – eu corri para alcançá-la na outra quadra.

Ela já estava uns cinco metros a frente na calçada, quando eu a apanhei. Peguei ela pela mão, virando-a, e a puxei na direção do meu corpo. A prendi com os meus braços ao redor da sua cintura, impedindo-a de fugir, enquanto ela permanecia fazendo graça, de rosto virado e emburrada. Eu, por outro lado, não conseguia parar de rir. Culpa da tequila. Quanto mais eu ria, tentando convencê-la a continuar passeando comigo, mais indignada – “de mentirinha” – ela ficava.

_Retire o que disse! – ela ordenou.
_Ok, ok! Você não é filhinha-de-papai – eu admiti e ela continuou à espera do resto da desculpa – ... nem princesinha, nem cheia da grana.
_E nem schiki-miki – ela me olhou, fazendo graça, como se estivesse chateada, mas realmente perto do meu rosto.
_Nem schiki-miki – eu reiterei e ela sorriu satisfeita, achando que eu havia me redimido - ...e, claro, também não mora com os pais num prédio imenso de dois apartamentos por andar em Higienópolis.
_Ah, vai à merda! – ela se indignou, de novo, e eu ri mais ainda.

Ela me empurrou para trás, se soltando dos meus braços, e se virou novamente para ir embora. Pôs se a andar, reclamando bêbada da “impressão errada que eu tinha dela”, mas não chegou a dar nem três passos adiante. Eu a segurei, de novo, pela mão e a puxei mais uma vez na minha direção. Dessa vez, mais perto ainda.

_Eu te acho maravilhosa – disse séria, sem rir, olhando para ela e a apertando contra mim.

Ela sorriu e, então, a beijei. – ou foi ela que me beijou?

20 comentários:

Cris disse...

lindddooo ... demais sem palavras ...emocionei!!

Ale Leonhardt disse...

deixar gurias irritadinhas assim hehehe

ah, adorei o post
<3

RaahXD disse...

HAUHAU Eu JURO que esperei o 'puta falta de sacanagem ' AHUHAUh

aaaaaaaaaaah TeamMia *-*
PERFEITO Own x3

Pri Araújo disse...

Post maravilhoso!

Todos detalhes, a descrição do Vermont, o dialogo foi PERFEITO.... AMEI!!!

TeamDevassa!!! Adoro o jeito engraçadinho dela, não tem como não se apaixonar, ela é ótima! ♥

ja.webs disse...

que bebadas hahahaha, lindo o charminho da mia s2

Mari disse...

Ai que cheirinho de romance no ar ♥

Bem aquelas sensações de comecinho de namoro, brincadeiras bobinhas e carinho do tamanho do muuundo. Fofo ♥

Mikaylla disse...

Amei! :)
Já fui nesse Vermont, você falou tudo. rs

Ana Zamur disse...

Ooowwwnnnn... Me senti tão leve agora, lendo esse post!

A Devassa está se mostrando uma pessoa fofa, carinhosinha, por trás de toda a pinta de pegadora. Me lembra um pouco a Shane. Adorei, de verdade!

Me deu vontade de ir correndo mostrar esse post pra minha namorada, eu tenho atitudes parecidas com as da FM, e por ela ter sido recém-convertida ao lado colorido da força (por mim, diga-se de passagem haha) ainda acha graça em certas poses mais de 'macho' que eu faço de vez em quando.. principalmente quando sinto que tem homens tentando chegar nela rs. Super me identifiquei! =)

Sharla disse...

just...perfect.... li todo o post com um sorriso bobo na cara, hehehe ;D

catarina disse...

QUE LIIIIIINDO, MEL! Argh, fiquei boba aqui. Às vezes me vejo na Mia UDIHSADHASUYDASHDAS. Mas prefiro o jeito da FM. AUSIDHASUDHASUDSA. Enfim, muito foda. Quero mais! ):

Sabrina disse...

Aim, tô virando TeamMia desse jeito. *_*

anni disse...

a mia parece a namorada do meu melhor amigo #hummmmmmmmmmmmm
tá, mas eu nao curto ela...

matt. disse...

Lembrei muito de um relacionamento passado lendo esse post. *-*

sissi disse...

Que rodeio pra comer uma mulher meu,tem que levar ela no boteco da esquina jogar sinuca com a turma, tomar cerveja marca diabo,se mesmo assim ela acabar a noite contigo, de uma trepada daquelas,ela só não será tua se não quiser.

Friends ♥ disse...

Nossa Sissi, espero nunca encontrar você.... meu que doida! como pode tratar uma mulher dessa maneira...


qndo minhas duas lindas, amoo elas demais e dodinha pra que fiquem juntas ;)

fabii disse...

rashei com a sissi
Nossa Sissi, espero nunca encontrar você.... meu que doida! como pode tratar uma mulher dessa maneira...(+1)

Lu disse...

Dificil comentar um post já sabendo o futuro... mas não podia deixar passar, né! A cena foi linda Mel! Agora me explica, por que tem "Sapa Velha"(cara, como eu odeio está expressão! Entendo o contexto, mas...) e schiki miki no mesmo lugar?

Juliana F. disse...

Mais que lindo...........................................................

gabi_m disse...

só queria dizer q já são mais de 100.000 "people fucking Mia"

sucesso merecido, Mel!

Sabine Klimt disse...

Ach ja! Schike-mike ist soooo Berlinerisch!!!