- »

maio 12, 2010

Olheiras

…e um humor fantástico pra caralho. Me espremi entre os outros assalariados que enfrentavam a superlotação insuportável do metrô naquela segunda-feira de manhã. O aperto me obrigava a entrar em contato físico direto com cinco ou seis completos desconhecidos, além de me causar aquela claustrofobia matinal desprezável. Argh. Odeio São Paulo, pensei toda rabugenta. Mas a Mia quer me comer.

E isso melhora o dia de qualquer uma, não?

Sorri imediatamente. Devo esclarecer que, apesar dos estereótipos, nunca fui muito nesse papo de ativa ou passiva. Sempre achei isso uma puta mentalidade heterossexual e, portanto – desculpa –, um tanto quanto limitada. Já dormi com garotas passivas e, tá, tudo bem, legal, mas nada supera as participativas. Quando vou para a cama, não gosto de usar um lado só, prefiro garotas que me acompanham pelo perímetro inteiro. E mais ainda, as que me levam para fora dele.

Aquela disposição toda da Mia estava me deixando louca, desde a noite anterior. As tais prometidas aulas transbordaram a minha cabeça de sonhos impuros e sacanagem do mais baixo nível até eu conseguir pegar no sono. Sozinha no quarto com aquela vontade desgraçada, argh. E o pior nem era isso, era a ausência completa de cansaço: para quem acordou às cinco da tarde no domingo, não tinha chance de eu ir dormir tão cedo. A minha tortura se arrastou por horas. Excelente.

Cheguei no trabalho, na segunda de manhã, atrasada e nitidamente destruída depois de um fim de semana interminável. Seguido improdutivamente por uma madrugada de autotortura. Ainda assim, não conseguia evitar aquele sorriso de um lado ao outro da cara – não pensava em outra coisa e nem queria. Ficava revendo o nosso beijo na minha cabeça e me lembrando inúmeras vezes de como a boca dela pronunciou cada uma daquelas palavras. Ah, existem vários tipos de maldade, mas aquele era o mais delicioso deles.

_Pelo jeito, você continua casada... – a mina da recepção me zombou ao me ver entrar feliz pela porta – ...é um recorde.

A memória indesejada da Dani àquela hora da manhã me fez querer retrucar a piadinha e mandar a porra da recepcionista à merda. Entretanto, eu não estava disposta a deixar que qualquer comentariozinho insignificante alterasse o meu humor. Sorri, ironicamente, de volta e isso bastou.

Passei na cozinha e descolei-me um café. Em seguida, entrei no estúdio e meu chefe imediatamente me puxou para um canto para me dar uma bronca daquelas por ter chegado consideravelmente atrasada num dia de sessão. Moda, revirei os olhos, quem se importa? As palavras dele atravessaram batido pelos meus ouvidos e a única coisa que continuava na minha cabeça era ela. A Mia. Óbvio.

Perambulei de um canto a outro do set, obedecendo tudo o que me era requisitado, a fim de manter meu emprego, mas sem prestar muita atenção. Tudo o que eu conseguia pensar, mesmo que com muita imaginação, era em sair dali às 18h e ir direto para a casa da Mia. Lhe dar umas aulinhas, bem dadas.

Mano...

A possibilidade me tirava do sério e eu sorria, boba, no meio da sessão de fotos. A minha mente se enchia de expectativas e imagens desconcertantes da garota dos meus sonhos metida no meio das minhas pernas. E eu mordia os lábios de vontade. Porra. Não via a hora de sair dali.



Na pausa – 2010-05-12 17:52


O shoot demorou uma eternidade para terminar e, somente horas depois, eu estava finalmente liberada para o almoço. Antisociabilíssima, ignorei os convites dos meus colegas de trabalho de ir para um restaurante arrumadinho nas redondezas e optei por ir no boteco da esquina encher meu estômago com um sanduíche barato e meio litro de Coca-Cola, acompanhados por um ou dois cigarros. Saudável.

Enquanto sentava lá, apreciando minha refeição "orgulho junkie", olhei para o celular inúmeras vezes, ainda com a Mia impregnada na minha cabeça. Não, nada a ver eu ligar, raciocinei. Mas a ideia me perseguia e eu sentia uma vontade incontrolável de esquematizar um possível encontro.
Terminei o lanche e acendi um cigarro, o segundo desde que saíra do estúdio. Além do que, ela provavelmente está na aula a essa hora, retomei meu pensamento. Será que está mesmo?

Dois caras sentados a alguns metros de mim no balcão me olhavam daquele jeito irritante de macho, me enojando até a morte. Argh. Voltei a focar no celular e nas minhas expectativas improváveis para aquela noite. Desisti da ideia de ligar para a Mia – os limites do nosso relacionamento, do que era ou não natural fazermos, não estava muito claro. Ainda assim, sabia que precisava iniciar qualquer tipo de contato, caso quisesse mesmo levar meus planos a diante. E como sempre, a única solução restante me parecia ser um SMS. O problema, no entanto, eram as evidências. Quando se trata da namorada do seu melhor amigo, é melhor não ter nada com o seu nome assinado embaixo. Ou em lugar nenhum.

Eu ainda vou me ferrar nessa, hesitei, olhando para a tela do celular. Mas conforme o meu cigarro chegava ao fim, eu simplesmente não me aguentei e comecei a digitar:

“Meu, não consigo parar de pensar em você e no que você disse ontem. Quero te ver.”

Mandei. 

9 comentários:

Rafaela disse...

E eu não vejo a hora de ler o próximo post! >< TENSO!

Anônimo disse...

GLÓRIA À DEUS NAS ALTURAS.........
Pior é q eu conheço esse sentimento
muuuuuuito bom meu!!!!
Mel..............parabéns, ainda bem q vc postou no oh-bay-coffee, jah estava morrendo de saudade...

fiktiva disse...

Mano, maaaano, que tortura! Esse jeito de torturar da Mia vem direto da criadora dos textos, hein Mel! Deixa todo mundo enlouquecido esperando e se torturandoooo...

Liz M. disse...

Devassa é das minhas. Ativa? Passiva? Participativa! =x

E esses pensamentos... ai como eu sei o que é isso. E odeio saber. O-D-E-I-O!

>.<

Rayssa disse...

Odeiio São Paulo...Mas a mia quer me comer (66

tah eu odeio e a mia nao quer me comer e ai? u.u
Claaaaaaaara venk (66'
Daalmatas venk (66'

matt. disse...

Mia, Mia, Mia, acho que você é passiva. :x

Jackie disse...

Bem, como hetero, me senti na obrigação de defender a classe em relação ao "limitada" heheh essa coisa de ativo e passivo é coisa de hetero sim, mas de hetero mal comida que deita na cama e diz "me possua" e o cara responde "com lincença, irei faze-la" huahauahu, mas mano sei bem q no meio lesbico tb rola as mina do deita e abre as pernas, entao isso é mais participação sexual, do que opção sexual...

Mia safadeeeenha, deve ta em casa praticando com a laranja =X!Brinks!

Lu disse...

Se esse negócio de ativa(o)-passiva(o) não é coisa de lésbica, nem de hétero, então...?
Devassa ficou OBCECADA, sai da frente manoo! :)

Sharla disse...

cabeça na lua.. ou melhor: na Mia.. uahauuahuaha mto booom, pelo jeito é um dia que ela não vai render nada no trabalho ;p