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fevereiro 19, 2010

Encontros e desencontros

Por 20 minutos. Uns 20 minutos. Um beijo atrás do outro, no maior silêncio que conseguíamos manter. Cada vez mais intensas. Outros 20 minutos. 30. 40. Meu deus, eu pensava e sentia os nossos lábios se encostando de novo. Nos perdíamos no escuro e nos encontrávamos, de novo. As nossas bocas achavam o caminho até a outra repetidamente. E o meu coração doía com o que os meus lábios nunca seriam capazes de dizer – eu te amo, garota.

Eu sei, tá. Para a Mia, eu provavelmente não passava de uma aventura que ela curtia pelos cantos do meu apartamento com o Fer. Uma brincadeira boba em uma festa de pijama. Mas àquela altura, eu não me importava. Beijava-a com toda vontade que tinha dentro de mim. E tentava trazê-la para cima do meu corpo, mas ela relutava. Mais alguns beijos. Fazia um movimento para cima do seu e ela me empurrava de volta para o meu lado na cama. Puxava-a contra mim e tentava virar de novo, mas caía sozinha encostada no colchão. Droga. Ela continuava ali, do meu lado, persistentemente. A sua boca na minha.

_Vem aqui... – eu sussurrava e a beijava de novo, pressionando-a contra o lençol, subindo em cima dela com as mãos na sua cintura, nas suas pernas ou no meio delas, tanto faz.
_As meninas vão ver... – ela me empurrava, rindo.
_Elas estão dormindo, Mia... Vem cá... – insistia.
_Não, não... Não...

Cada beijo fazia as minhas pernas se contorcerem. Acho que não passava tanta vontade assim do lado de uma garota desde os 17 anos. Encostei as costas no colchão, respirando fundo, e passei as mãos no rosto. Tentando recuperar o fôlego. Isso vai acabar comigo, suspirei. Aí a mão da Mia tocava a pele entre a minha camiseta e a minha calcinha e o meu corpo todo tremia. Me abraçava pela cintura e voltava a me beijar. Caralho. Os nossos beijos ficavam cada vez mais molhados; e ela me afastava. Toda vez. Para depois encostar a boca no meu pescoço e começar de novo.

_Meu, não dá. Não dá mais – levantei de repente, numa tentativa esfriar a cabeça – Olha, eu... eu vou pra sala. Eu vou dormir lá, tá bem?

A Mia se apoiou na cama, me olhando surpresa. E consentiu. Saí, deixando-a no quarto, e fechei a porta atrás de mim. O corredor estava mais escuro ainda. A casa estava morta, vazia. O silêncio dominava todos os cômodos. Deitei no maior sofá da sala e esperei, completamente sozinha. Nada se movia. Pelo amor de deus, só vem, eu pensava. A ansiedade me consumia violentamente. Não me deixa aqui sozinha aqui, garota. As minhas mãos judiavam do meu cabelo, do meu rosto, do meu corpo todo. Com aquele fogo desgraçado remoendo dentro de mim, tentando em vão esfriar a cabeça. Ou o meio das minhas pernas.

Maldição. A Mia não aparecia e eu estava prestes a enlouquecer. Devia ter ficado lá, raciocinei. Do que eu estou reclamando? Eu devia estar de joelhos por essa menina, só por ela estar me beijando. E logo toda minha razão momentânea sucumbia à ideia de estar efetivamente de joelhos. Entre as pernas da Mia. Definitivamente eu não presto, eu ri, sozinha. Então decidi que precisava mesmo de um cigarro. O problema é que eu havia deixado o meu maço no quarto. Junto com as minhas calças e a minha vergonha na cara.

Então não queria voltar para pegar. Afinal, se a Mia não ia mesmo vir para a sala, eu não queria ter que encontrar com ela de novo. Vai parecer que eu fui lá fazer uma ceninha, pensei, não quero isso. Não ia pegar bem. Ela tinha todo direito de não vir, não queria que se sentisse pressionada. Por outro lado, eu realmente precisava de um cigarro naquele momento. Argh.

Após alguns segundos de indecisão, me levantei. Vamos acabar logo com isso. Andei na direção do corredor e, no meio do caminho, trombei subitamente com a Mia. Literalmente nos trombamos. O meu corpo esbarrou no dela desajeitadamente. Não a havia visto parada ali e nem poderia, estava escuro demais para enxergar qualquer coisa.

_ O que você está fazendo?!? – cochichou para mim.
_Eu ia pegar um cigarro... O que você está fazendo?!
_Eu... Eu ia te encontrar – ela disse envergonhada, como se tivesse feito algo errado – ...n-não era para eu te encontrar?
_Sim – eu sorri, aliviada – Claro que sim.

Ela veio. 

9 comentários:

Nana disse...

Mais, mais, mais!
;*

Mah disse...

Café, mor?! Demorou! Caféééé hahahahahahaha
Mas que enrolaçãããooo, meu deus. Exijo um novo post logo!

This just get better and betteeeer ;)

Amanda P. disse...

garota dificil....rs....assim q é gostoso! =)

Mikaylla disse...

Ain, que lindas ^^

Ma disse...

Mais, mais, mais!
;*

Juliana disse...

Aaaaaiiiii q ódiooo qdo acaba!!!

Mto mto mtooooo bom!!!

Fê disse...

posta mais gata!!!! ta arrebentando

Cris. disse...

Ai que ódio quando acaba 2!
[deixa eu ler o resto! *.*]

Ianca' disse...

Velho, eu queria expressar meus sentimentos especialmente por esse post, ele consegue provocar um turbilhão de sensações e arrepios múltiplos, tá de parabéns, não me canso de lê-lo e relê-lo!
Mel, me ensina cara :P
Beijoos
;**