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fevereiro 12, 2010

Rawr... Catfight! ;)

Ao final das lutas – e de todas as bebidas que conseguimos achar naquele apartamento gigante –, nos encontrávamos numa brisa surreal, caídas no tapete felpudo e delicioso do quarto de televisão. O que eu não daria por um baseado agora? Todas as meninas estavam descalças e deitadas ali, olhando para o teto, enquanto conversando. Uma das melhores amigas da Mia, a Michelle, comentou qualquer coisa sobre as lutadoras do UFC não terem a mesma grana e visibilidade do que os caras. “É um absurdo”, resumiu e eu concordei imediatamente.

Foi então que alguém resolveu argumentar que mulheres eram incapazes de lutar tão bem quanto os caras e que, por isso, a desigualdade era justificada. O meu cérebro quase doeu com esse comentário. Deu-se início então a uma gritaria absurda. Todas bêbadas e discordando entre si. Até eu – que não entendo lhufas de UFC – estava opinando aos berros, discutindo no meio das amigas da Mia.

Com o intuito de provar o seu ponto, a Michelle incitou uma briga desajeitada com uma terceira garota, uma moreninha cujo nome agora não me recordo. As duas começaram a rolar pelo tapete, nos atropelando, numa demonstração bêbada de violência gratuita. Era meio de brincadeira, claro, mas elas se desequilibravam e acabavam deferindo golpes reais por acidente. E aí se xingavam de verdade. Sensacional.

A bagunça obrigou a maioria a levantar do tapete. E eu me encostei mais adiante no chão, ao lado da Mia, com as costas apoiadas contra o sofá.

_Nós deveríamos fazer isso qualquer dia... – a cutuquei, sem precisar fazer muito esforço para que soasse como sacanagem – ...acho que ia ser da hora, eu e você.

Ela começou a rir, ainda assistindo a pseudo-luta das meninas. Aquilo estava uma baixaria. Com o canto do olho, reparei que a Mia me observava e virei o rosto na sua direção. Ela sorriu, sem jeito, e eu achei graça. Perguntei do que ela estava envergonhada e ela balançou a cabeça, como se fosse besteira. “Nada”, disse. Eu sorri e voltei a olhar para as garotas, que continuavam empenhadas em imitar os lutadores mais famosos que vimos naquela noite. Isto é, na medida do possível.

_Está achando interessante, é? – a Mia perguntou, me observando.
_Opa... – eu ri – ...se eu soubesse que ia rolar luta entre as minas eu nem teria me atrasado.
_Ah! Então, quer dizer que você veio pelas minhas amigas? – ela brincou, se fazendo de ofendida.
_Claro que não – respondi, séria – Eu vim por você.

Ela sorriu, satisfeita e bêbada. E eu ri. Voltei a assistir a briga das duas amigas. A Michelle conseguiu errar um chute e cair sozinha, em cima do tapete e do próprio braço. A outra menina se enroscou com ela no chão e uma terceira entrou no bolo para ajudar. Era mão e perna para todo lado. A Michelle se recusava a desistir.

_Talvez a gente devesse mesmo fazer isso... – a Mia comentou baixinho, perto de mim – ...um dia desses.
_Oi? – eu ri e olhei para ela, na mesma hora – Fazer o quê?!
_Você sabe... – ela mordeu a pontinha da língua, achando graça – Você deve lutar bem, não?
_Nossa, muito!

Ok. Isso soou um pouco prepotente.

_Digo, não quero parecer convencida nem nada... – comecei a me enrolar, tentando amenizar o comentário – É só que... tipo, eu já treinei muito. E eu sei lutar muito, muito bem.
_Ah, eu imagino... – ela deixou escapar, sem querer.

Imagina?

Achei graça e me virei na sua direção, para tirar sarro. Com o meu corpo cada vez mais perto do seu.

_Mas assim... Imagina com que frequência?
_Você é uma tonta – ela riu e me afastou dela, constrangida – Não imagino desse jeito.
_É... Sou tonta, mas é você que quer lutar comigo.
_Que absurdo! Foi você que começou o assunto!

Ela me deu um tapa leve na barriga, revoltada. E continuou olhando para a luta das meninas. Eu afundei contra o sofá, deslizando preguiçosamente mais para baixo, quase deitada no chão. Observei a lutinha por um tempo. Mas os meus olhos sempre voltavam para a Mia, ao meu lado. Até que tomei coragem:

_Se eu te chamar, um dia desses... – sugeri baixinho – ...você vai?
_Eu... – lamentou, sem tirar os olhos das amigas – ...eu não posso.
_E se eu te chamasse hoje?

A Mia respirou fundo, sem olhar na minha direção.

_Talvez. 

9 comentários:

Janaina disse...

fuck fuck fuckkkk
o pior é saber q vou ter q esperar o feriado todo p ler o próximo!!!!!

Deh disse...

" Talvez"
vc eh fodaa pqp!!

Noelly Castro disse...

É muita sacanagem! ahh, esses finais.. ahhhhhh

RrrRr!;*

Ketty disse...

Talvez... :)
A história tá ótima!!
posta mais please.

deusa_da_agua disse...

Para as mulheres um talvez quer dizer sim!*.*
Adorei chegar aqui e ter mais um post,obrigada por alegrar meu sábado!xD

Cris. disse...

Puts
Talvez...

Eita estratégia cruel de sempre deixar algo no ar!

Só tem próximo depois do carnaval mesmo??? o.o

Bjo.

Anônimo disse...

Caraca, estou fascinada pela história, este conto 'real' ou não, é tudo que o imaginável espera, é de sentir sensações inconfudiveis....Amei. Vc está de parabéns Mel Tatoo
Ed - João Pessoa-PB.

Marina disse...

"assim... mas imagina com que frequência?" hahahaha

Anônimo disse...

"E, bom, não tem nada mais interessante para mim do uma mulher em cima da outra."