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janeiro 18, 2010

Ah não, festa...

Minha sexta-feira foi estranha. Não ruim, como foram todos os outros dias, mas... estranha. A noite escureceu quente e tediosa. O Fer interrompeu minha tentativa quase suicida de me afogar em vodca na cozinha, plantada em pé ao lado da geladeira, para fazer um anúncio.

Vejam bem... Não foi uma proposta, foi um anúncio.

_Vamos dar uma festa aqui amanhã – disse, do nada.

Quase engasguei. Ah, não mesmo. Olhei-o com desprezo, indignada, confiante de que minha expressão facial transmitiria minha desaprovação pela ideia. Ele começou a rir. No mesmo instante, a Mia entrou na cozinha e parou ao lado dele, pondo-se a ouvir a nossa conversa.

_Não adianta fazer essa cara, ô Rainha da Alegria, já chamei todo mundo... Vamos dar a festa, sim! Afinal de contas, é por uma boa causa...
_Ah, é? Qual?! Acabar com o nosso dinheiro?
_Não – ele riu – Acabar com a sua agonia.

Em outras palavras, me forçar ao entretenimento. Inferno. Eu não queria me divertir, estava conformada na minha infelicidade momentânea. Por que ele não podia aceitar isso? Fora que eu não estava com vontade alguma de ver... argh... outras pessoas. Que merda. Me voltei para a Mia em busca de qualquer ajuda, mas ela olhava para o Fer com um leve sorriso no rosto.

Você também está metida nessa, aposto.

_Vocês dois estão tramando contra mim – reclamei – Eu não quero festa nenhuma, só quero que me deixem em paz.
_Olha, você pode até não querer, mas você não tem muita escolha. Você vai ter que se animar e vai ter que ser até amanhã à noite ou sérias providências serão tomadas... – ele riu, novamente – Porque morar com você desse jeito é impossível.
_Deus do céu... Mas essa é a sua solução? Você não podia simplesmente... sei lá... ter me arranjado... tipo... Valium?
_Não, senhora. Contente-se com a sua festa.

Não, obrigada.

Uma vez dado o recado, o Fer deixou a cozinha, provavelmente em direção ao quarto, ainda sorrindo satisfeito. No entanto, a Mia ficou. E foi aí que ficou estranho. Esperei por alguns segundos, certa de que ela sairia atrás dele, mas ela não se moveu. Voltei meus olhos na direção dos seus, sem entender o que ela ainda estava fazendo ali. Nada. Ficou parada, me olhando, enquanto mexia numa pequena mecha do seu cabelo. Parecia nervosa, como se quisesse dizer algo.

_Você está bem? – perguntei baixinho.

A Mia não respondeu, apenas olhou para o chão por um instante e depois voltou a me encarar. Ficamos assim, em silêncio. Havia uma tensão no ar que parecia prolongar o tempo. Às vezes, ela chegava a abrir a boca, como se estivesse prestes a falar, mas logo desistia e não dizia nada. Eu não estava entendendo o que ela queria comigo, não estava entendendo nada.

_O que foi? – perguntei, impaciente, depois de algum tempo.
_Nada... – respondeu, mostrando-se irritada e arrependida.


Saiu. Simplesmente virou-se e saiu da cozinha, como se nada tivesse acontecido. Aquilo me deixou louca. Era só o que me faltava.

1 comentários:

Anônimo disse...

Precisei comentar, ótimo trabalho.