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janeiro 30, 2010

Esclarecendo...

No caminho de volta para casa, a Mia já estava presente em cada pensamento que passava pela minha cabeça. O estranho, eu refletia, era que por mais que nós nos metêssemos em situações confusas e às vezes até acabássemos brigando, eu continuava sentindo um carinho enorme por ela. Constantemente presa àquele sentimento, àquele impulso na sua direção.

Nos últimos dias havia ficado claro para mim que, de alguma forma, ela gostava de mim. O problema era que eu não sabia qual a forma e isso me enlouquecia. Entrei no apartamento e joguei minhas tralhas no sofá. A luz da cozinha estava acesa, mas não ouvia um ruído sequer vindo de lá, então resolvi ir investigar. Estranho, não tem ninguém aqui. Fui para o corredor e reparei numa luminosidade fraca vinda do quarto do Fer. Coloquei a cabeça para dentro e encontrei a Mia, sentada na cama, com o laptop no colo.

_Oi... – disse, encostando-me na porta.
_Oi – ela sorriu de volta para mim.
_O Fer não está aí?
_Não, foi buscar alguma coisa para a gente comer... Você já jantou?
_Já... meu pai passou perto do meu trampo hoje e fomos num restaurante lá perto – respondi, entrando no quarto e olhando para a Mia – é sempre a mesma conversa, toda vez que saímos juntos... ele acha que eu e o Fer somos casados ou algo do tipo.
_Você e o Fer? – ela riu – mas, espera, ele não sabe que você...?
_Sabe. Ele só ignora isso – eu balancei a cabeça e caí deitada na cama, ao lado dela.
_Mas que coisa... Há quanto tempo ele sabe? – ela perguntou, deixando o laptop de lado e deitando-se na minha direção.
_Uns cinco ou seis anos... Não sei... Deixa eu pensar, acho que foi com... Hm... É, eu tinha 17 anos quando contei.
_E o que ele disse?
_Nada.
_Nada?
_É, por uns dois meses – eu ri.
_Isso é horrível! – ela começou a rir e eu concordei – mas depois vocês ficaram bem, não é?
_Claro... Sei lá, acho que por mais difícil que seja, as pessoas que realmente te amam acabam entendendo... e nunca deixam de te amar, sabe? Em algum momento elas percebem que você não pode ser feliz de outra maneira e acabam entendendo.
_Mas seu pai não aceitou totalmente... Digo, por causa desse lance do Fer e tudo mais...
_Acho que ele fala mais por brincadeira... No fundo, ele sabe que não é assim, só não perde as esperanças de um dia me ver entrando numa igreja, sabe? Ao lado de um bom rapaz.
_O Fer não é exatamente o que eu chamaria de um “bom rapaz”...
_É, acho que você tem razão – eu ri.

2 comentários:

emily disse...

:)

Ketty disse...

Em algum momento elas percebem que você não pode ser feliz de outra maneira e acabam entendendo.
[Fato/
Ameei *.*