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janeiro 11, 2010

Meu passado me condena

...e, infelizmente, o presente também.
Sabe como algumas lésbicas se consideram a ovelha “colorida” da família? Bem, eu era a galinha colorida da minha. E quando se pega mais mulher do que todos os seus primos juntos, lugares como o Glória eram extremamente desfavoráveis. Estavam estocados de possíveis exs. Entrar lá acompanhada da Clara não me parecia a ideia mais sensata, vai dar treta.

Assim que chegamos na balada, claro, eu me arrependi. Por que eu estava com pressa de vir para cá? Impulsos suicidas? Porém, como eu não tinha muita escolha, entrei. Uma olhada rápida na pista e resolvi ir procurar a minha coragem. No bar, evidentemente. Três doses de tequila depois e eu estava prestes a encontrá-la. De certa forma, ficar estupidamente bêbada parecia um jeito mais fácil de estar ali com a Clara.

_Devagar aí, gata! – a Clara disse, rindo, enquanto eu pedia a quarta dose – quer acabar a noite numa ambulância? Isso é tequila!
_Eu sei o que é – respondi, sem paciência, virando o copo – Vamos dançar, vem.

Arrastei a Clara até o meio da pista e a última coisa que me lembro foi a minha menina dançando perto demais da menina dela. Ouch. O restante da noite me vem à memória somente em forma de flashes dispersos e embaçados. Santa inconsciência.

Deixamos a balada lá pelas 5 da manhã, descabeladas e consideravelmente mais pobres. Eu estava tão bêbada que sequer contestei a quantia absurda de tequilas e vodkas que me foram cobradas. Eu não bebi tudo isso, pensei ao cambalear para fora, certamente que não.

Entrei no carro e acordei na frente de casa.

A Clara desceu, não menos fora de controle do que eu, para se despedir da minha pessoa contra o portão do edifício. E quase como se não pudéssemos evitar, demos início ao maior amasso do lado de fora do meu prédio. Por uns 20 minutos. Talvez 30, não sei. A amiga já emputecida buzinava insistentemente para que a Clara voltasse para o carro, enquanto eu me empenhava em fazê-la ficar.

_Vaaaamos... Eu deixo você ser o Bowie, eu deixo você ser quem você quiser... – eu murmurava, quase entrando na sua roupa, e a Clara ria, me empurrando para longe.

Por algum motivo, que evidentemente não me recordo, ela não podia ficar. Foda-se, pensei, recuperando momentaneamente a sobriedade. Disse adeus, emburrada, e subi. A minha batalha para encontrar as chaves na bolsa, caída de joelhos em frente à porta do meu apartamento, é um episódio que talvez eu deva pular. Ahm. E passar direto para a parte em que entrei em casa, sozinha e perigosamente alcoolizada.

Meus pés já não obedeciam direito aos meus comandos – ou talvez fossem os comandos que estivessem confusos, não sei, tanto faz – e eu mal era capaz de abrir os olhos. Parei no meio da sala, atordoada, observando tudo rodar e rodar e rodar.


Foi quando eu tive uma péssima, péssima ideia.

8 comentários:

Noelly Castro disse...

Solo voy decir, quiero el cuaderno..

Rrr! ;*

Ruh disse...

uau eu li todos os posts em algumas horas..acredito estar viciada..ADOREI!! Aguardando ...
bjo

Cris Ferreira disse...

Por experiência, ideias de bêbada são muito perigosas! xD
Hehehe..

Sim estou gostando!

Juliana disse...

Hhauhauhuaah!!!Quero mto mto mtooo saber qual idéia foi essa!!!rs
Já imagino rs

Bjos, está ótimooooo!!!!

amortedabezerra disse...

Li tudo em duas sentadas! Muito, muito foda.

Anônimo disse...

CONTINUAAAAAAAAAAAA

Luh disse...

Você posta todos os dias? .. ah , tah muito bom e agora q li tudinho tô morrendo de curiosidade pra saber qual foi a bendita idéia ...

Ru disse...

você podia publicar uns 3 posts de uma vez, assim eu não ficava tão ansiosa esperando q