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janeiro 18, 2010

Desagradável, sempre.

...

“Pq vc não me responde, gata?”

Fiquei olhando para a mensagem, minutos a fio. Não respondia porque não queria responder. Não queria mais a Clara na minha vida, não queria nada dela. Nem uma maldita mensagem no celular. Desapareça, pensei. No entanto, quando reabri os olhos, suas palavras continuavam na minha frente, me incomodando.

Ela andava tentando falar comigo – inadvertidamente – e eu a ignorava. Por pura falta de respeito: havia perdido o meu por ela. De certa forma, esperava que ela fosse se cansar e simplesmente parar de ligar. Não queria começar uma briga, me desgastar, me irritar de novo - não por ela. Desejava que eventualmente desistisse. E só. Mas não te dei motivo para me esquecer, raciocinei. E, após quase uma hora, decidi enfrentar o que há madrugadas eu procurava evitar.

“Estive no Vegas quarta passada. Essa é a última mensagem q. vc recebe de mim.”

Feito. A Clara ia lotar minha caixa de entrada com pedidos de desculpa, eu já sabia. Deleto tudo amanhã de manhã, sem ver, decidi. O problema é que eu certamente ficaria tentada a ler, caso cada um deles me acordasse de cinco em cinco minutos durante a noite. Sendo assim, desliguei o som do celular, afundei a cabeça no travesseiro e me virei para dormir.

Na manhã seguinte, levantei atrasada e joguei o celular – com suas 14 mensagens não lidas – no pé da cama. Não estava com paciência e precisava sair logo para o trabalho. Resolvo isso quando voltar. Era quinta-feira, o que me soava como uma grande merda, é claro. Coloquei qualquer regata no corpo, subi meu jeans sujo pelas pernas e saí do quarto. O mau humor em pessoa.

Por mais que eu me forçasse a não dar a mínima para aquele rolo, a não me importar mais com a Clara, ela continuava me machucando. Minha decepção já se arrastava por dias, desde quando a vi na balada... e eu havia tornado minha infelicidade grosseiramente visível a todos os pobres coitados que decidiam falar comigo ou sequer cruzar o meu caminho.

Assim que coloquei meus pés naquele piso frio da cozinha, dei de cara com a Mia e o Fer sentados à mesa, aproveitando todo o resto dos sucrilhos que eu pretendia comer. Morram, amaldiçoei-os mentalmente, emburrada. Agarrei a caixa de um cereal-não-tão-gostoso que havia sobrado na prateleira e sentei para comer, deixando claro que a miséria a qual meu café da manhã havia sido reduzido não me agradava nem um pouco. Os dois me olharam, sem entender.

Havia uma certa pena na forma como o Fer andava me observando nos últimos dias, mas ele não se incomodava mais em tentar me animar. Eu estava insuportável e azeda. A presença da Mia, no entanto, me distraía indesejavelmente e a minha raiva era substituída por um desconforto imenso. Era pior do que o meu aborrecimento constante dos últimos dias, era horrível. Ela sabia que eu gostava dela, há dias. E, desde então, não dizia mais nada na minha direção.

O café da manhã foi interminável. Eu olhava para a Mia e ela fingia não me ver. Então, eu voltava a encarar o meu prato, desapontada. O Fer me observava piedoso. Eu percebia e ele desviava o olhar rapidamente. Eu olhava para ele e depois para a Mia. Ah... Mia, Mia, Mia. Eu a contemplava por um tempo e ela, enfim, me olhava de volta. Eu forçava um sorriso discreto e desajeitado. Ela imediatamente procurava outra coisa para olhar. Droga. Aquilo parecia uma dança... destinada ao fracasso.

1 comentários:

Noelly Castro disse...

Voy a ser honesta, me encanta los detalles de la realidad y las expresiones.. Yo diría que es a la vez ilustrativo y abierto a la imaginación.. lo que hace la lectura muy agradable.. hehe

mi amiga es una gran escritora..

besitos, gatita..