- »

janeiro 05, 2010

The way the devil works...

Há cinco meses. Foi quando nos conhecemos.

Eu estava saindo do trabalho – atualmente sou assistente e escrava pessoal de um fotógrafo folgado pra caralho na Vila Madalena –, quando liguei para o Fer e ele sugeriu que eu passasse no Starbucks da Alameda Santos para conhecer a garota com quem ele andava saindo. “Claro”, eu respondi. Idiota. Completamente despreparada para o que estava por vir na minha vida. Peguei o metrô desavisada.

Logo que cheguei, avistei ele de longe. Estava sentado numa das poltronas do Starbucks, ao lado de uma morena cheia das tatuagens. O Fer nos apresentou empolgado, tagarelando qualquer coisa na tentativa de impressioná-la enquanto eu fingia ouvir, sem tirar os olhos da Mia. Lembro de ter pensado, que mulher linda. E ela sorriu de volta para mim.

Tá. Não me entendam mal: eu nunca pretendi me apaixonar. Nem por ela – muito menos por ela! – e nem por ninguém. Só a ideia de trair os meus anos de amizade com o Fer já me embrulha o estomago. Argh. Também nunca fui de me interessar muito por garotas héteros. Eu gosto mesmo é de sapatão – de mina que tem tesão em mulher, que já sabe o que quer. Mas a Mia tinha alguma coisa diferente. Não sei. Me senti atraída por ela desde o instante em que a conheci e o sentimento só piorou com o tempo, se tornando cada vez mais impulsivo.

A partir daquele dia, eu passei a encontrá-la com o Fer o tempo todo. Nós tínhamos os mesmos interesses e as nossas listas de favoritos eram quase idênticas. A mina era foda. Tudo o que ela fazia me dava vontade de estar do seu lado. Ela passou a frequentar o nosso apartamento constantemente. As nossas conversas duravam horas e horas e eu tinha vontade de beijá-la cada vez que ficávamos sozinhas ou incrivelmente bêbadas.

Mas nunca fiz, nem insinuei nada – isto é, até o último sábado.

Meses depois de nos conhecermos, quando se tornou realmente insuportável, liguei para um dos meus melhores amigos e admiti. Eram 3 da manhã. Tive que descer para a rua com o celular – assim o Fer não ouviria nada – e estava um frio desgraçado. A Mia havia passado o dia inteiro lá, andando de calcinha pela casa e sendo perfeita em cada maldito comentário. Como eu odiava aquilo.

Conversamos a noite toda, rimos juntas. Foi insuportável. E eu, claro, me encontrei absolutamente transtornada após a sua saída. O sentimento me consumia por dentro. Me tranquei no meu quarto pelas horas seguintes, inquieta, incapaz de admitir para mim mesma o quanto gostava dela. Fumei apreensivamente. Sentia uma vontade tonta de chorar e foi quando percebi que não conseguia mais evitar o buraco em que eu havia me enfiado.

_Eu acho que estou apaixonada... – confessei para o Gui, assim que ele atendeu ao telefone; tremendo de frio e chorando todo o meu coração para fora.
_O que aconteceu? Você tá bem!?!

O Gui soava extremamente preocupado, assustado pelo horário e pela minha voz insegura do outro lado da linha. Eu me arrependia a cada palavra que saía da minha boca.

_Eu me apaixonei p... pela Mia.

O mal já estava feito. 

5 comentários:

Lari disse...

meu,que lindo ta isso (L)

Noelly Castro disse...

cada vez melhor..
não da para cansar de ler.. (o que é mtu importante)

;***

lu disse...

E assim se inicia a derrocada do Império Romano...
Analisando friamente, aqui ela deveria ter dito tchau e procurado outro ap! Mas, não tô nem louca de sugerir isso! :)

Gabi disse...

nossa, como tinha pouquinho comentário no começo!
Quem diria q ia crescer tanto...eh, eu tô nostálgica hj.
;*

Monnik disse...

FM Me faz recordar sentimentos..muito GENTE cara.