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janeiro 25, 2010

Café-da-manhã

Observava as rosquinhas cor-de-mel afundadas no leite. O conjunto me parecia algo semelhante a vômito. Colocava algumas rodelas ensopadas na colher e logo despejava-as de volta ao prato. Que asco, eu pensava, enojada. O Fer tagarelava empolgado, comentando os acontecimentos da festa na noite anterior, enquanto eu expressava fisicamente a minha repulsa pelo cereal disposto na minha frente.

_Come logo! – ele reclamou, interrompendo o assunto, rindo com indignação.
_Não quero comer isso.
_Você tem que comer alguma coisa, senão vai ficar zoada o resto do dia inteiro.

Eu aguento, me convenci mentalmente – afinal, o domingo já estava quase no fim. Mas a minha ressaca estava realmente trash. Minha cabeça prestes a explodir. Sentia meu corpo inteiro contorcendo-se internamente, meus olhos estavam inchados, meus braços doloridos e qualquer ruído mínimo na cozinha despertava a pior dor de cabeça do século. A culpa era toda minha, do Jameson e da Ana Luiza.

Mas tudo remetia à Mia, claro, que estava sentada na sala me ignorando.

Respirei fundo e enfiei aquela gosma nojenta para dentro da boca. Mastiguei a papa mole cor-de-vômito-com-mel e engoli, o que me causou uma careta involuntária. Credo. O Fer resmungava qualquer coisa sobre como eu era exagerada e ria da minha desgraça. Contra a minha vontade, forcei mais uma colherada goela abaixo e senti cada pedacinho de rosquinha mastigada e diluída em leite sendo digerido pelo meu estômago em meio aos litros e litros de porcarias alcoólicas que eu havia ingerido na noite anterior. Merda, vou vomitar.

Saí correndo até o banheiro e coloquei a cara na privada. O Fer entrou logo em seguida, assustado:

_Você está bem? – perguntou, apesar da resposta ser óbvia.
_Tô! Cai fora! – reclamei, engasgada, e logo tornei a vomitar.
_Puta que pariu... Não devia ter feito você comer, mas que merda. Desculpa, meu! – o Fer se desesperou – Vou chamar a Mia, aguenta aí.

Ele saiu correndo e, pouco tempo depois, ouvi a porta se fechando. A Mia ajoelhou ao meu lado e segurou o meu cabelo para cima. Senti a mão dela molhando a minha nuca. Quando eu achava que ia ficar bem, a ânsia voltava e começava tudo de novo. Os meus olhos lacrimejavam. Eu me contorcia a cada episódio, violentamente, durante uns 10 minutos seguidos. E aquilo me deixou exausta.


Encostei na parede do banheiro, sentada no chão, e a Mia me deu um pano molhado. Limpei o rosto e deixei as mãos caírem sobre as minhas pernas. Me sentia fraca.

6 comentários:

emily disse...

Parabéns, de verdade.

BOLOGUI disse...

Esta muito bom ...
Mas o nome da menina (se não me engano) era Ana Luiza no post anterior e agora vc se refere a ela como Ana Julia

( the girl fucking Mia ) disse...

Obrigada :)

E é Ana Luiza mesmo hahaha acabei de trocar, a "Júlia" aparece um pouco mais tarde na história... me confundi, valeu por avisar!

Gehh Santos disse...

Porre homérico. Parece um que tomei esses dias, hahaha

Anônimo disse...

Mel, dá um ctrl + f e procura a palavra "assutado" e corrige.
Beijão da sua revisora ;)

( the girl fucking Mia ) disse...

Hahaha, adorando! Um beijo de volta e obrigada :)