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janeiro 09, 2010

Inesperado

Às 20h – quase isso, na verdade –, eu apareci no local que combinamos. A Clara estava cobrindo uma outra funcionária naquele sábado, então ela pediu que eu a encontrasse num bar perto da loja em que ela trabalhava, nas redondezas da Teodoro. Sua função, como ela mesma me descreveu no nosso segundo encontro, era “vender instrumentos ridiculamente caros a músicos que se superestimavam”. Ela odiava.

Sabe, sempre fui uma adepta do metrô, muito mais do que dos ônibus. Sendo assim, naquela noite, resolvi trocar o fretado que parava quase em frente ao barzinho pela rapidez subterrânea e me comprometer a andar algumas poucas quadras. Para quê? Assim que pisei para fora da estação Clínicas, o céu paulistano resolveu cair. Com o passar do tempo e nenhum sinal de qualquer boa notícia vinda lá de cima, me vi obrigada a correr quarteirões abaixo. Fiquei encharcada.

Valeu, São Paulo!

Quando finalmente encontrei o bar, eu já estava mais do que atrasada, minha regata branca havia se tornado nula sobre meu sutiã preto e o meu cabelo estava digno de uma rinha de galo no meio do Atlântico. Maldita cidade da “garoa”. Entrei no bar xingando e trombando em qualquer idiota que se colocasse na minha frente fazendo trocadilhos ambíguos e asquerosos do tipo: “ô loirinha, posso te secar?”, até encontrar uma mesa vazia no fundo do estabelecimento, onde me sentei aliviada e sozinha.

Após recuperar o fôlego – e momentaneamente a calma –, tirei o celular do bolso e notei uma mensagem não lida da Clara. "Já estou aqui, gata, cadê vc?", li rapidamente. Puta que pariu, só falta eu ter entrado no lugar errado. Levantei irritada da mesa e comecei a procurá-la. O bar estava lotado, transbordando de empresários prepotentes e bêbados intoleráveis. Argh.

De repente, eu avistei a Clara, sentada ao lado de uma outra garota na bancada. Ao contrário de mim, ela estava absolutamente linda. Estava usando uma minissaia preta, com as pernas e as costas de fora, uma sandália completamente indecorosa e o cabelo solto. Tudo o que eu não esperava de alguém que havia acabado de sair do trabalho. Olhei a Clara e perdi o fôlego na hora. Ela estava maravilhosa. E dentre toda aquela gente, eu era a sortuda que ia levá-la para casa naquela noite. 


Uau, suspirei.

1 comentários:

Anônimo disse...

Adorando...